11 agosto 2011

Sétima Arte Brasil: 1,99: Um Supermercado Que Vende Palavras (Marcelo Masagão, 2003)

DIREÇÃO: Marcelo Masagão;
ANO: 2003;
GÊNEROS: Drama, comédia e documentário;
ROTEIRO: Marcelo Masagão e Gustavo Steinberg;
BASEADO EM: ideia de Marcelo Masagão;
PRINCIPAIS ATORES: Mariana Loureiro (Gerente De Marketing); Márcio Camargo (Avaliação 360º); Sergio Capezzuto (Saradão); Giseli Duarte (Magra); Patricia Gordo (Caixa Automático Sexual); Chico Neto (Caixa Automático Sexual); Agnes Rosa (Faxineira); Ana Liz (Gerente De Patins); Bruno Costomski (Homem do Tênis); Cida Costa Manso (Idosa); Dan Nk (Turista japonês) e Geraldo Stocco (Idoso).






SINOPSE: "Trata-se de um supermercado peculiar. Suas gôndolas não trazem produtos, mas caixas brancas de diversos formatos, com inscrições que remetem a slogans publicitários. Os clientes caminham pelos corredores, enchem os carrinhos com as mensagens de sua preferência e, a certa altura, começam a interagir. Do lado de fora, outras pessoas aguardam a sua vez de entrar." (Folha Online).



"Não podemos negar, um filme diferente na sua concepção e apresentação. Um local completamente branco, com pessoas completamente sem emoção, tendo apenas distinção entre si quando estão em frente a prateleira escolhendo seus produtos ou suas vontades. Não sei se a intenção do diretor era criticar a sociedade consumista que vivemos hoje ou se sua intenção era criticar a forma como as pessoas, quando estão em grupos, tendem a serem iguais. Porém, independentemente do recado que o diretor quis passar, o filme tem seu mérito pela forma como é descrito, ambientação e trama. Ao mostrar tudo branco, sem cor, sem identidade, sem diferenciação, ele nos coloca em frente ao alto volume do silêncio, o nosso questionamento sobre nossas escolhas e necessidades, tornando o filme bastante pesado e denso, e pelo tempo de duração, tema e ambientação, o filme acaba sendo longo e ficando cansativo. É um filme que te força a pensar a cada segundo, e de forma profunda e não linear, deixando sua digestão e percepção bastante lenta e cansativa, mas que ameniza pelo encantamento musical e inovação cinematográfica."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira






"Este moderno filme brasileiro é diferente de tudo o que poderíamos associar às nossas produções nacionais, trazendo inovação e experimentalismo para nossa sétima arte. Vemos que o cinema nacional é cheio de inventividades desde 'O Bandido Da Luz Vermelha' (Rogério Sganzerla, 1968), passando pela pornochanchada e chegando até os tempos atuais, mas mesmo assim encontra-se muita dificuldade em se fazer cinema por aqui talvez pela falta de incentivo governamental ou da iniciativa privada (não sei bem os motivos, só especulo sobre), não faltando talentos com ótimas ideias. Assim, de um modo bastante criativo este filme mostra um supermercado que encurrala os sentimentos mais primitivos do ser humano pós-moderno, uma sociedade que dá alternativas publicitárias para aplacar a angústia através do consumo. Logo, tudo que se quer pode se comprar, pegar na prateleira e usar, preencher seu vazio interno através da adicção. Neste contexto uma mulher gorda apática pode comprar a calça que deixa seu corpo com silhuetas sensuais e, ao olhar no espelho, sentir-se a mulher mais gostosa da face da terra, ou seja, comprou sua autoestima - será? Bem, o consumo excessivo aplaca alguns sentimentos de desconforto, mas certamente não tapa o buraco que questiona a pessoa em seu íntimo: quem sou eu? O que desejo? Sou feliz? Qual é o segredo da felicidade? O que é felicidade? Compulsão, angústia e desejo interagindo entre si trazendo uma obra criativa que mostra personagens apáticos presos em si mesmos, satisfazendo suas necessidades nas marcas e em seus fetiches, tentando sobreviver ao colapso interno ao aderir às promessas de felicidade eterna que o consumo fetichista capitalista proporciona. Não deixa de ser uma alternativa de sobrevivência."


(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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