02 fevereiro 2011

1001 Filmes: Afogando Em Números (Drowning By Numbers)

DIREÇÃO: Peter Greenaway;
ANO: 1988;
GÊNEROS: Comédia;
NACIONALIDADE: Holanda e Inglaterra;
IDIOMA: inglês;
ROTEIRO: Peter Greenaway;
BASEADO EM: ideia de Peter Greenaway;
PRINCIPAIS ATORES: Joan Plowright (Cissie Colpitts); Juliet Stevenson (Cissie Colpitts); Joely Richardson (Cissie Colpitts); Bernard Hill (Madgett); Jason Edwards (Smut); Bryan Pringle (Jake); Trevor Cooper (Hardy); David Morrissey (Bellamy); Natalie Morse (a menina que pula corda); John Rogan (Gregory); Paul Mooney (Teigan); Jane Gurnett (Nancy); Kenny Ireland (Jonah Bognor); Michael Percival (Moses Bognor); Joanna Dickens (Mrs. Hardy) e Janine Duvitski (Marina Bellamy).





SINOPSE: "Três mulheres com o mesmo nome, Cissie, cometem três assassinatos, cada uma afogando o próprio parceiro por pura insatisfação. A garantia para que os crimes não virem à tona é dada por um amigo apaixonado por elas: ele declara que os afogamentos foram acidentes. Esse amigo legista e seu filho são obcecados por jogos de todos os tipos, remetendo a cultura e o folclore local, que são jogados durante o filme." (Cine Click).



"1, 2, 3, 4... 100. Assim começa o filme, em uma contagem de 1 a 100 feita por uma menina nada convencional, sendo essa cena inicial, uma compilação análoga ao filme que se desenrolará em seguida. Assim como a menina, o filme todo, mesmo sendo bastante real, não tendo nada de ficção, em cada cena ou situação, ele é bastante incomum. O filme retrata 'doenças hereditárias' entre as mulheres da família Colpitts, que consiste em: serem infelizes no seu casamento, sempre terminar afogando os maridos e mesmo assim, ainda terem algum tipo de carinho e de 'arrependimento' pelo ato cometido. Porém, há um detalhe entre as mortes que o autor retrata bem, que acaba sendo diferente entre elas. Conforme a relação vai se prolongando, a falta de contato e proximidade é maior, o que torna o primeiro crime quase uma vitória e o último quase um equívoco. Vale ressaltar a cena onde a câmera foca as assassinas, logo após os respectivos crimes cometidos, e fica estagnada em 20 segundos, mostrando o rolar de uma lágrima no rosto de cada uma, o que torna a cena uma das mais significantes do filme. Depois de abordamos o 'Afogando', não podemos deixar de abordar os 'Números', que também é um dos focos do filme. A representação da vida, ou melhor dizendo, da morte, através de uma contagem durante todo o filme é bastante simbólica e amedrontadora, pois as mortes vão acontecendo e sendo registradas por um menino, que tem como divertimento, registrar e contar cada morte que cruza com a vida dele, o que acaba chegando a todos, e de forma perturbadora, cada descoberta é comemorada como se fosse um nascimento, mesmo quando essa comemoração envolve o próprio menino. Apesar de ter um enredo triste, o fato de o filme ter uma fotografia bastante colorida, nos mostrar jogos culturais, agregado ao excelente elenco, acaba amenizando a dramaticidade do filme, que também consegue mostrar bastante vida, seja nos closes em frutas ou insetos, seja pelos próprios jogos que são disputados entre eles."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Dizem que os gatos são ariscos por conta da história de sua raça, na qual constam perseguições e estereótipos de seres amaldiçoados, sendo passado de geração para geração o aviso de cuidado. 'Afogando' é um filme controvertido para o gênero comédia, mas mostra no padrão de perigo vivenciado pelas personagens um humor negro que sustenta o gênero. Com uma história linear, as três mulheres mostram o ritual pregado para assassinar seus maridos, afogando-os, calando-os, sufocando-os, seja por infidelidade ou por falta do olhar do outro. Ora, se a união com outra pessoa é algo para trazer felicidade, interessante notar que em grande parte das vezes acabam em morte, sejam reais ou simbólicas, com facas ou com palavras. A rede de significantes presente na história, unindo as mulheres denotam um padrão interessante no qual elas precisam sobrepor-se aos parceiros, ao homem, ao falo e, mais interessante que isso: cada uma delas, ao ter contrato com o legista (um homem), escapa da descoberta da atuação de seu desejo, seu crime mais íntimo, sua inveja do pênis (para ir fundo ortodoxamente nas teorias psicanalíticas, denotando esta opressão perante os poderes exercidos pelo símbolo masculino). Assim, Freud, no início do século XX já falava das repetições que se manifestam na realidade e em como estas se servem da pulsão de morte: no início do filme a mulher pergunta para a menina porque ela não conta além das 100 estrelas e a menina responde: '... cem é um bom número; depois disso tudo se repete...' E elas repetem os crimes no seio de suas famílias. No mais, o final surpreende: basta aqui dizer que a mulher consegue sobrepor-se a todos os homens e assegura o segredo que guarda a... 100 chaves. Fica para reflexão: qual o limite entre a agressão e a atuação dos impulsos menos nobres que permeiam um casal? Qual o limite para a perversidade entre os pares amorosos? Como seria um mundo sem a lei de interdição para encerrar limites nas famílias? Porque muitos casais se submetem a relações sufocantes, chegando a se afogarem nelas? Em muitos momentos perpetuamos as tradições que os nossos antepassados criaram... até onde isso é bom?" 

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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