22 fevereiro 2011

1001 Filmes: Os Catadores E Eu (Les Glaneurs Et La Glaneuse)

DIREÇÃO: Agnès Varda;
ANO: 2000;
GÊNEROS: Documentário;
NACIONALIDADE: França;
IDIOMA: francês;
ROTEIRO: Agnès Varda;
BASEADO EM: ideia de Agnès Varda;
PRINCIPAIS ATORES: Bodan Litnanski (ele mesmo); Agnès Varda (ela mesma); Jean Laplanche (ele mesmo) e François Wertheimer (ele mesmo).





SINOPSE: "Por toda a França, Agnès Varda encontra catadores e catadoras, respigadores e recuperadores. Por necessidade, acaso ou escolha, eles entram em contato com os restos dos outros. A partir de um célebre quadro de Millet, o filme de Varda é um olhar sobre a persistência na sociedade contemporânea dos respigadores, aqueles que vivem da recuperação de coisas (detritos, sobras) que os outros não querem ou deixam para trás. A catadora, nesse sentido, é a própria Agnès Varda, que experimentando pela primeira vez uma pequena câmara digital, quer assumir como uma “recuperadora” das imagens que os outros não querem ver nem fazer, e que portanto deixam para trás." (Cinefrance).



"Apesar de ser um documentário onde o título, e até sua sinopse, nos faz imaginar em algo feio, sujo, ruim, repulsivo, etc. retratando catadores de restos e nos obrigando a nos prepararmos para esse tipo de imagem e som, onde na verdade, se revela uma obra muito leve, ampla, entusiasta, bonita e cultural. Esse é um dos méritos do filme, conseguir abordar um assunto repugnante e esteticamente aceitável, agregando ao tema, pinturas que retratem a cultura dos respigadores, mostrando essa cultura em diversas regiões da França no passado e nos dias atuais, o que torna o filme bastante diverso e culturalmente rico, trazendo visões dos próprios respigadores, ou nos dias modernos dos catadores, dos juristas, de pessoas que usam dessa atividade como forma de opção, por se sentirem mais éticos com o mundo e com seus princípios, enfim, misturando ao tema, visões e constatações próximas a ele. Mas o maior mérito do filme, é conseguir constar dessa lista de '1001 Filmes Para Ver Antes De Morrer', mesmo sua idealizadora nunca ter tido contado com câmeras digitais, muito menos de forma profissional, e produzindo um filme amador, que qualquer um de nós poderíamos produzir como trabalho de escola ou faculdade, e mesmo assim, ser selecionado entre milhares de filmes para ser um dos filmes mais importantes do cinema mundial."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"O roteiro de Les Glaneurs Et La Glaneuse teria tudo para embasar uma grande reportagem sensacionalista em programa policial de final de tarde, mas, neste caso, não. Um documentário no qual tive vários ‘espantos’: 1) esperando uma cineasta jovem, conheço a belíssima Agnès Varda com seus 72 anos de sensibilidade; 2) imagens que ninguém quer ver, respigadas por ela; 3) comentários de um grande psicanalista francês ou de pessoas simples que vivem por meio dos restos que catam para comer se entrelaçando; 4) muita arte no meio disso tudo. Assim, o documentário inicia e termina com nota máxima, envolto por arte do começo ao fim com imagens, depoimentos e o belíssimo som da língua francesa, mostrando tudo que temos a aprender sobre arte e cinema com esta simpática senhora que foi aos campos e às ruas para colher depoimentos de forma livre, sem censurar aquilo que vinha das pessoas com quem encontrava. Revirar o lixo ou pegar o que sobra nos campos de colheita é um meio de suprir a necessidade de alguns ou de promover a ética social para outros... e isso é mostrado na obra. Interessante notar que ela coloca sua velhice junto com as frutas e verduras que ninguém mais quer, fala de como ela também está chegando a seu fim e mostra sua mão, envelhecida, como as batatas rejeitadas, toneladas delas. Junto à arte que envolve o filme há a crítica social do desperdício na sociedade contemporânea e de como tudo aquilo que sobra é deixado ali, para quem quiser (ou precisar) pegar, à margem. E se ninguém pegar, que estrague: se não tem valor de mercado, adeus. Até obras de arte são encontradas em porões, na escuridão, sendo que na correria do dia-a-dia quem vai ter tempo para deleitar-se sobre um quadro de museu? Museu... é coisa de velho, asilo. E, neste sentido, um bom complemento a este documentário é o outro, já comentado por nós, Koyaanisqatsi. Na associação livre de imagens e depoimentos, a diretora respiga com paciência, como se os relógios não tivessem ponteiros, apreciando os detalhes sem ter pressa de chegar... aliás, chegar, aonde? Arte de primeira, com beleza, estilo, simplicidade e criatividade, produzida com uma simples câmera digital e com a sensibilidade de uma cineasta francesa na terceira idade."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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