03 junho 2005

A Internet - Capítulo 3 - E-commerce: da bolha ao realismo

Por Jonathan Pereira

Convido você a reviver a primeira metade de da década de 90. Havia momentos que você estava à frente da TV assistindo a um telejornal, ou ouvindo AM e FM para se informar ou relaxar com uma música de fundo, ou então lendo um jornal e revista para se informar, indo até o supermercado para fazer compras, depois à banca para poder comprar as tais revistas e jornais, mandando cartões de Natal e aniversários para os amigos via correio, indo até a concessionária de carros para ver um modelo mais recente etc, pode parecer, mas não vou abordar aqui os anos 90 e seus acontecimentos, apenas fizemos esta viagem para termos a noção do que a Internet hoje facilita nossas vidas.

Quem imaginaria que dentro de alguns poucos anos, todas essas tarefas e afazeres do dia-a-dia seriam influenciados de forma definitiva e indissociável por uma rede de mundial de computadores que entrariam nas nossas vidas através das empresas, lares e escolas para mudar a forma com que essas tarefas eram aplicadas e realizadas.

Hoje, um dos pilares principais da Internet, juntamente com a comunicação e disponibilização de informação, é o pilar do comércio eletrônico. Esses três pilares hoje, é a sustentação da rede mundial de computadores, são eles os principais motivos para a necessidade de estar online. Depois da viagem, vamos falar do comércio virtual, essa nova forma de vender e comprar produtos e serviços dos mais variados tipos, formas, necessidades, custo etc.

A Bolha Virtual

Em 1997 os EUA e a União Européia firmaram uma declaração conjunta sobre comércio eletrônico para permitir o avanço e o progresso global do e-commerce, também chamado de comércio eletrônico. Comércio esse que define-se pela forma e ferramenta utilizada para vender e comprar produtos ou serviços. Se uma empresa oferece seus produtos e serviços pela Internet, possibilitando o comprador (fornecedor, revendedor, cliente final etc) de fechar o pedido através da Internet, caracteriza-se comércio eletrônico. Vale salientar que e-commerce não é o mesmo que e-business. O e-commerce, é a venda e compra de produtos via Internet. Já o e-business, são negócios feitos através da Internet, que não caracterizam vendas e compras, mas negociações.

A Nasdaq (National Association of Securities Dealers Automated Quotation System) é uma bolsa eletrônica de valores que liga diretamente compradores e vendedores, onde abriga ações de empresas de tecnologia (Amazon.com, Apple Computer, Google, Microsoft, Dell Computer, Intel, Oracle, Sun Microsystems e Yahoo!) ficou popular em meados de 2000 pelo estouro da "bolha virtual", onde gurus de aplicações e investimentos davam como certo um retorno financeiro rápido e vantajoso. Sendo assim, os investidores aplicaram vários bilhões de dólares nessas empresas virtuais, onde os preços das ações disparavam positivamente, e cada vez mais, havia investimentos e crescimento financeiro nessas empresas. Para se ter uma idéia da bolha que se formou em torno das empresas virtuais, em 1999, a Amazon.com, maior empresa virtual na época, valia US$ 127 bilhões, já a GM, maior corporação industrial do mundo e da História não passava de US$ 86 bilhões de valor de mercado.

Então, descobriu-se que esta forma rápida e garantida de ganhar dinheiro, não passava de especulação e manipulação por parte dos gurus, ai é que a bolha estourou. Os preços das empresas virtuais, até então o xodó dos investidores, despencavam dia após dia, muitas delas quebraram, faliram e as poucas que resistiram a essa avalanche mortal, tiveram grandes prejuízos e perdas.

E-Commerce

Quando este tipo de comércio se difundiu era comum surgir questões do tipo: será que esse negócio de e-commerce vai dar certo? Será que meu produto vai chegar em casa mesmo? Por que tenho que pagar antes de receber o produto? Hoje, as repostas para essas dúvidas já foram dadas, pois o hábito da compra virtual já está instalado em uma parcela considerável dos internautas, e esse percentual vem crescendo ano a ano.

A comodidade e praticidade que você têm ao fazer suas compras virtuais, estimula você a sentar no micro, acessar um site de compras, fazer seu pedido, pagar e esperar o produto chegar em sua casa. Você não precisou enfrentar trânsito, gastar gasolina, pegar filas, sacar dinheiro ou usar uma folha de cheque, enfim, todo o processo, desde a necessidade e procura, até o pagamento foram feitos por você, sentado em sua casa, na comodidade e tranqüilidade do seu lar.

Há uma infinidade de produtos e serviços disponíveis na Internet, desde você poder mandar um buquê de flores para sua namorada que está a mais de 2000km de distância de você, até adquirir seu novo carro ou apartamento, tendo a facilidade de poder comparar preços e prazos de entregas ao mesmo tempo em 4 ou 5 lojas diferentes.
Alguns dados dessa ferramenta virtual, que gera bilhões de dólares reais:

- 7,5 bilhões de reais foi o volume de vendas online em 2004 no Brasil;
- 4,27 bilhões de reais foram às vendas online de veículos;
- 15% dos imóveis residenciais novo são vendidos pela Internet;
- 3,25 milhões de pessoas compraram na Internet no ano passado;
- 9,7 milhões de correntistas fazem transações bancárias via Internet;
- 700 mil é o total de itens na maior loja virtual brasileira, o Submarino;
- 1,8 milhão foi o número de entregas feitas em 2004 pelo Submarino.

E esses números só tendem a crescer. Alguns anos atrás, uma ampla pesquisa realizada pela empresa Ernst Young em 12 países, inclusive o Brasil, já apontava, entre outras, três grandes tendências para o e-commerce: cada vez mais internautas estão comprando online; os consumidores estão aumentando a freqüência de compras e; os consumidores estão aumentando a média de gastos. Segue a lista das maiores empresas brasileiras de comércio eletrônico em 2004:

As 5 primeiras em B2C (Business To Commerce) ou seja, vendas de empresa para comércio:
- General Motors: 1,414 milhão de reais - automotivo;
- Fiat: 1,003 milhão de reais - automotivo;
- Ford: 635 mil reais - automotivo;
- Telefônica: 588 milhões de reais - telecomunicações;
- Visanet: 500 milhões de reais - serviços.

As 5 primeiras em B2B (Business To Business) ou seja, vendas de empresa para empresa:
- Ford: 5,611 milhões de reais - automotivo;
- General Motors: 4,900 milhões de reais - automotivo;
- Genexis: 4,700 milhões de reais - e-marketplace;
- TV Globo: 3,300 milhões de reais - mídia e comunicação;
- Ticket Serviços: 3,200 milhões de reais - serviços.

Ou seja, o espetáculo do crescimento de vendas online só está começando, basta você se render a mais essa maravilha da Internet, para perceber como é bem mais fácil, barato e rápido, comprar produtos e contratar serviços virtualmente.

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