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03 setembro 2011

1001 Filmes: Adeus, Meninos (Au Revoir Les Enfants)

DIREÇÃO: Louis Malle;
ANO: 1987;
GÊNEROS: Drama;
NACIONALIDADE: França e Alemanha Ocidental;
IDIOMA: Francês;
ROTEIRO: Louis Malle;
BASEADO EM: vivência de Louis Malle;
PRINCIPAIS ATORES: Gaspard Manesse (Julien Quentin); Raphael Fejtö (Jean Bonnet ou Jean Kippelstein); Francine Racette (Madame Quentin); Stanislas Carré de Malberg (François Quentin) como Stanislas Carré De Malberg; Philippe Morier-Genoud (Padre Jean); François Berléand (Padre Michel); François Négret (Joseph); Peter Fitz (Muller); Pascal Rivet (Boulanger); Benoît Henriet (Ciron); Richard Leboeuf (Sagard); Xavier Legrand (Babinot); Arnaud Henriet (Negus); Jean-Sébastien Chauvin (Laviron) e Luc Etienne (Moreau) como Luc Étienne.





SINOPSE: "França, inverno de 1944. Julien Quentin (Gaspard Manesse) é um garoto de 12 anos que frequenta o colégio Sr. Jean-de-la-Croix, que enfrenta grandes dificuldades devido a 2º Guerra Mundial. Lá ele se torna o melhor amigo de Jean Bonnett (Raphael Fejto), um introvertido colega de classe que Julien posteriormente descobre ser judeu. A tragédia chega à escola quando a Gestapo invade o local, prendendo Jean, outros dois alunos e ainda o padre responsável pelo colégio." (Filmes De Cinema).



"Três pontos que tornam o filme único, um clichê que parece óbvio mas não é, pois nem todo filme soa para mim como único, mas esse é: abordar o nazismo, ser autobiogafico e falar sobre amizade. Ao ler os três itens que elenquei para diferenciá-lo, poderá parecer um exagero meu querer destacá-lo por esses motivos ou simplesmente ser uma análise superficial sobre o filme, o que pode ser também. O filme aborda a questão do nazismo como se ignorasse o que acontecia fora do internato, tentando passar aos alunos que lá estavam, que aquilo não era aquilo, que o acontecia não era importante, tanto não era que não fazia parte do dia-a-dia deles. Porém ele estava lá, no auge da sua verdade, invadindo e mutilando a todos que não seguissem suas ordens, e infelizmente, não poupou a escola, que tem por convicção ensinar algo totalmente ao contrário da realidade em que estavam inseridos. E retratar isso, da forma que seja, com o peso ou a leveza que for, é sempre importante para realçar naqueles que acreditam que foi o maior erro e egoísmo que a humanidade vivenciou, como para tentar colocar naquelas poucas cabeças que acham que nada disso aconteceu e se aconteceu, foi merecido. Papel perfeito, desenvolvido de forma sutil quando preciso e de forma clara e aberta quando não esperamos. Talvez essa abordagem seja possível apenas por que seu personagem principal, um garoto, viria a se tornar o diretor deste filme que comentamos. Talvez o filme seja tão verdadeiro e profundamente emocional por ter sido ele o menino que teve as alegrias e as marcas que jamais foram esquecidas, ao ter uma amizade proibida com outro garoto, simplesmente por ter sido cultivada no local e momento errados. Pegando esses três ingredientes e misturando dentro da cabeça talentosa Louis Malle consegue-se produzir essa obra-prima tendo unicamente como ingredientes apenas amizade, nazismo e lembranças. Mais um filme que me embuti a vontade de continuar a saga dos 1001 Filmes, pois surpresas como essas jamais esquecerei."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Um diretor que fará falta na sétima arte este Louis Malle, cineasta que trabalhou durante toda vida com temas polêmicos como pedofilia, incesto e suicídio, recusando padronizar-se em uma escola específica, criando um estilo que usava de todo conhecimento que tinha sobre o cinema e a arte de contar histórias. Este filme de que falamos aqui fez parte de uma série na qual quis fazer crítica à colaboração francesa no nazismo, tema que causou grande constrangimento à nação francesa e, talvez por este motivo, ocasionando sua ida para os EUA e se tornando um dos únicos diretores franceses bem sucedidos em terras americanas. Louis Malle, em certa época, planejou fazer um filme na Amazônia, mas o projeto não vingou, assim como tantos outros que tinha em sua mente, mas que a morte precoce pelo câncer não o deixou concluir. Este filme é cheio de pitacos críticos em várias instituições, além do tema nacional francês que já citei, sendo que encontramos um padre que fica incomodado ao ver um menino nu, cutucando a Igreja, assim como críticas à vida burguesa e à família. Desvendando o mundo de Malle, encontramos um padre com humanidade suprema, capaz de arriscar a própria cabeça para salvar crianças de um regime que seu país praticava, mas que ele discordava, mostrando o medo e a importância para uma nação de ser embasada em democracia e liberdade de pensamento e expressão. Vemos também uma linda homenagem à Chaplin, na longa cena em que os alunos da escola assistem a um filme mudo. Um filme para se aprender história e se entreter, sofrer e amar junto ao mesmo tempo. Juntando um elenco jovem, além do ator que interpreta o padre, todos muito talentosos, mostrando tudo o que tem que mostrar em gestos e olhares que dizem mais que milhões de palavras, produzindo cenas que poderiam ser inseridas no ranking dos 'melhores momentos de filmes de todos os tempos'. No mais, um filme contido, com um clima pesado e triste que retrata uma triste época."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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30 julho 2011

1001 Filmes: Arizona Nunca Mais (Raising Arizona)

DIREÇÃO: irmãos Coen (Joel Coen, diretor oficial; Ethan Coen, diretor não oficial);
ANO: 1987;
GÊNEROS: Comédia;
NACIONALIDADE: EUA;
IDIOMA: inglês;
ROTEIRO: irmãos Coen;
BASEADO EM: ideia dos irmãos Coen;
PRINCIPAIS ATORES: Nicolas Cage (H.I. McDunnough); Holly Hunter (Edwina 'Ed' McDunnough); Trey Wilson (Nathan Arizona); John Goodman (Gale Snoats); William Forsythe (Evelle Snoats); Sam McMurray (Glen); Frances McDormand (Dot); Randall 'Tex' Cobb (Leonard Smalls) e T.J. Kuhn (Nathan Arizona Jr.).





SINOPSE: "O ex-presidiário H.I. McDonnough preso tantas vezes que acaba se casando com a policial Edwina. Após algum tempo, descobrem que não podem ter filhos e decidem seqüestrar um dos quíntuplos de um casal de milionários, mas descobrem que criar um filho, ainda mais roubado de outros, que não é tão fácil como imaginaram." (CineClick).



"É um filme bastante gostoso de se assistir e, muitas vezes, mais cômico que muitos filmes classificados como tal. É bastante leve, familiar e fluído, apesar de o enredo do filme poder ser encaixado em um drama policial pesado, forte e intenso. É o nosso primeiro filme da dupla famosa 'Os Irmãos Cohen', e se for nesse ritmo, será algo bastante agradável acompanhá-los em outras tramas. É um filme que preza pela minuciosidade das atitudes e consequências, e que a cada momento apresenta um ingrediente novo para poder tornar a trama ainda mais complexa e de um desfecho natural e fácil. Apesar de tudo, mostra que muitas vezes criminosos não são necessariamente pessoas más, mas sim, pessoas que fizeram algo condenável e proibido pela sociedade. Uma impecável atuação de Nicolas Cage, e um encantamento com os bebês do filme."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Engraçado notar que quando se fala em algum filme de Ethan Jesse Coen e de Joel David Coen cita-se ambos como uma unidade, os ‘irmãos Coen’, não se falando nem de Ehan, nem de David sozinhos. E parece que esta parceria dá certo, trazendo fama e prêmios aos dois. O filme apresenta Nicolas Cage nos anos de 1980, com ótima performance nesta comédia, junto com o primeiro destaque de Holly Hunter, que mais tarde viria a se destacar como ganhadora de Oscar, Grammy e Globo de ouro em outros trabalhos. Assim, com a simplicidade na atuação e no roteiro o filme nos fala de um drama, mas com muito humor, nos fazendo entrar na vida de um casal que começa bastante egoísta, mas que alcança a humanização, vendo o lado dos outros também, percebendo que cada um tem seu lugar neste mundo e que o deles deve ser buscado (seja no Arizona ou em Utah, como brinca a comédia). Apesar de ser uma comédia tem um final bem reflexivo e com muitas questões existenciais, nos falando de sonhos que podemos sonhar, de como podemos ser leves como o ar e pensar os acontecimentos da vida com significados, com esperança e com otimismo misturado à dura realidade. Pensar que enquanto casal mesmo que não se tenha tudo, tem-se um ao outro. Pensar que esta capacidade de se sonhar com um futuro longe e próspero deve ser conservada, acreditando que se pode envelhecer junto com o outro e encontrar a felicidade achando atalhos e alternativas para os obstáculos e faltas. Como McDonnough idealiza: um lugar onde todos os pais são fortes, sábios e capazes e todas as crianças são felizes e amadas."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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11 junho 2011

1001 Filmes: Asas Do Desejo (Der Himmel Über Berlin)

DIREÇÃO: Wim Wenders;
ANO: 1987;
GÊNEROS: Fantasia e Drama;
NACIONALIDADE: Alemanha Ocidental e França;
IDIOMA: Alemão, Inglês e Francês;
ROTEIRO: Peter Handke e Wim Wenders;
BASEADO EM: ideia de Wim Wenders;
PRINCIPAIS ATORES: Bruno Ganz (Damiel); Solveig Dommartin (Marion); Otto Sander (Cassiel); Curt Bois (Homero, O Velho Poeta); Peter Falk (Estrela Do Cinema, ele mesmo); Elmar Wilms (Homem Triste); Sigurd Rachman (Suicída) e Beatrice Manowski (Moça Do Bar).





SINOPSE: "Dois anjos, invisíveis aos olhos humanos, ajudam a proporcionar conforto para as almas sozinhas e deprimidas após estas passarem para o Outro Lado. Certo dia um deles passa a querer experimentar as sensações que somente os vivos possuem, e resolve abrir mão de sua imortalidade em troca de poder ser um deles." (Cineplayers).



"Asas Do Desejo' é o filme mais lírico e poético que vimos até hoje na nossa saga dos '1001 Filmes'. Por ter um enredo, até então, inédito para nós, foi bastante questionador e reflexivo. Ao narrar a visão dos anjos sobre os terrenos, Win Wenders nos mostra que até mesmo anjos, seres desprovidos de tentações e sentimentos humanos, em algum momento se deparam com a 'humanização' que parece inevitável. O enredo não traz diálogos até seus minutos finais, apenas personagens principais, os anjos, ouvindo pensamentos de pessoas que os rodeiam, e quando percebem que determinada pessoa está triste, então intervém para trazer a felicidade e a esperança àquele ser. Alocar o filme em Berlim, meses antes da queda do muro, foi como deitar-se na cama, com cobertores quentes em uma noite fria: perfeito. Uma paisagem solitária, vazia, fria e desprovida de cores, foi a tela ideal para a pintura feita por Wenders. A analogia de que os anjos são perfeitos, desprovidos de maldades e tentações carnais, e que são exclusivos apenas a seres humanos é muito importante, pois retratam que as coisas não são bem assim. Anjos não são tão puros e nem seres humanos são tão perversos. Porém, o filme parece recomeçar do zero, nos quesitos enredo e fotografia, quando um dos anjos resolve torna-se humano, e ai o que era preto e branco passa a ter cores e os pensamentos se transformam em diálogos. Podemos colocar esse filme como o primeiro de uma trilogia que tem como base o amor de um anjo por um ser terrestre, sendo esse o primeiro e único filme da trilogia assistido por mim até agora."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Este bonito filme de Win Wenders, um dos mais importantes diretores alemães, mostra como anjos se colocam a favor do desejo e são seduzidos pelas alegrias, tristezas e sabores terrenos. Assim, o filme narra lentamente toda trajetória de Damiel ao fazer seu 'trabalho' de acalentar pessoas que sofrem em silêncio, ouvindo seus pensamentos e as tocando com sua paz, juntamente com sua sede por viver aquelas aventuras, sua vontade de ver a vida com todo seu colorido, ao invés do preto e branco em que vive. A versão de Hollywood 'Cidade Dos Anjos (City Of Angels, 1998)' centra-se no romance vivido pelo casal, enquanto este tem maior foco na inveja que os anjos têm da vida de desejos do submundo, sendo que para mim foi difícil me desvencilhar da versão americana quando assistI a este filme. Portanto, Wenders nos traz de forma muito poética um anjo louco para cair, louco para ver a cor e sentir o sabor do sangue, renunciando à sua divindade, nos deixando várias questões, entre elas: melhor ser anjo ou mortal?"

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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