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26 agosto 2013

Mais Saúde + Você: O Uso Da Criatividade Rumo A Aceitação

Por Kleber Godoy

Quando nos deparamos com uma doença ou somos acometidos por alguma tragédia pessoal, uma enorme gama de sentimentos nos assola. Neste momento passamos por estágios rumo à aceitação de que existe esta realidade e não tem outra forma senão aceitá-la para poder com ela lidar de melhor forma.

Neste sentido, Elisabeth Kübler-Ross, psiquiatra suíça enumerou cinco estágios pelos quais a maioria das pessoas passa quando se tem que lidar com doenças, tragédias ou morte de alguém querido (o luto). Sua teoria é de 1969 e se tornou uma das mais influentes na psicologia e na área mental da medicinal desde então. É o que pretendo explanar rapidamente neste post.



Pensando que desde um problema de saúde até um divórcio precisam de aceitação, a aplicabilidade da teoria é muito rica e ampla. Importante ressaltar que não são fases que se dão de forma matemática, passando de uma para a outra na ordem em que se apresentam, até mesmo porque a vida não é tão matemática assim. Logo, pode-se passar de um estágio para outro, retornar ao anterior, seguir para o próximo, estar em dois estágios ao mesmo tempo... até à aceitação.  Alguns profissionais com quem converso atestam que pelo menos dois dos cinco estágios estão presentes em qualquer problemática que se vive. Negação, Raiva, Negociação, Depressão e Aceitação... vamos falar um pouco sobre elas.

NEGAÇÃO E ISOLAMENTO

Ao se deparar com algo catastrófico na vida há um impacto, um choque. Um sentimento de repulsa ao fato pode surgir e neste momento pode-se dizer: 'Isso não pode estar acontecendo.' Logo, existe a busca por todo tipo de profissionais e pessoas que digam que não é verdade esta realidade que se vivencia. Muitas vezes a pessoa nem percebe que está neste estágio, pois é automático, visto que é humano tentarmos manter a vida e não pensar no seu contrário, tentarmos manter a harmonia e não pensar no oposto. Um sentimento de superioridade aparece como se dissesse 'Sempre dei um jeito em tudo, agora não será diferente...' Não falar sobre o assunto é comum nesta fase. Alguns casos graves de negação envolvem uma recusa radical ao fato: o doente não aceitar o tratamento; o divorciado não aceitar que o outro foi embora e passar a persegui-lo; não se aceitar que o outro morreu e continuar arrumando a mesa para o jantar com o lugar que era dele; etc.

RAIVA

Após um período de rejeição do fato, há a desconfiança de todos os que o atestam e uma revolta que coloca a culpa e o peso para fora de si de forma agressiva. Logo, 'Por que eu? Não é justo.' É comum culpar o mundo, Deus, os outros... e a agressividade surgir com intensidade. Logo, é o outro que fez isso com ele, é Deus, é o mundo, não restando a ele nenhum vestígio de culpa ou reflexão sobre o fato. Há de se tomar cuidado com comportamentos destrutivos para com o outro. Em casais que estão para se separar é comum aquele que não aceita a separação ou que foi traído ter comportamentos de ataques à vida do outro.

NEGAÇÃO E DIÁLOGO

É uma fase de barganha com tudo e todos. É comum voltar-se intensamente à religiosidade e pedir um tempo a mais com a pessoa de quem se separou, um tempo mais com a vida, um tempo a mais... e fazer pactos com os médicos, seguindo todo tratamento como indicado, pois assim se conseguirá a cura ou nem se perceberá realmente com o problema. Em casos de doença, há pacientes que chegam a pedir a resposta para seus médicos: 'Se eu tomar este medicamento, vou me curar?' Em uma traição matrimonial é comum a pessoa tentar agradar o outro de todas as formas, como se quisesse seduzir para o outro não partir. No caso dos casais, talvez esta seja uma fase em que a mágica acontece e há a reconciliação, já que pode haver diálogo. Quando acontece a morte de uma pessoa querida e a pessoa chega ao consultório de psicoterapia é comum perguntar para o psicólogo: 'Vai passar logo, não vai?'

DEPRESSÃO

Choro, tristeza, angústia... já que nada deu certo, o que resta é ficar triste, já que não se conseguiu driblar aquilo que atormenta e envolve. 'Estou tão triste. Por que me preocupar com qualquer coisa?' É comum nesta fase certo isolamento e maior necessidade de contato consigo mesmo. Apesar de em nossa cultura a depressão ser algo negativo, carregada de pré-conceitos, penso que é importante em momentos de vida de crise parar um pouco, desacelerar e ficar um pouco mais em contato consigo mesmo e com os sentimentos que estão surgindo. É algo que os familiares e amigos às vezes não permitem que o outro passe, levando-os aos médicos, dando antidepressivos, dopando... e até privando a pessoa de pensar sobre os seus problemas com a tristeza que lhe convém. É normal se sentir triste quando se perde alguém querido, até que este vazio seja preenchido de alguma forma. O alerta que deve ser mantido é se a pessoa chegar a ter comportamentos autodestrutivos, como suicídio, ai sim necessitando de atenção especializada.

ACEITAÇÃO

Esta fase se apresenta de diversas formas e de jeito muito particular para cada pessoa. Às vezes com um sentimento de que 'Tudo vai acabar bem.' Em outras pessoas com a noção de que 'Preciso descansar e me preocupar menos, só seguir o caminho que se apresenta.' Se aceita que não é o fim do mundo, que se pode lidar com isso e trazer até mesmo benefícios para a vida através dos aprendizados que ficaram. Pensa-se de forma mais clara em estratégias para lidar com o assunto. Fala-se sobre e não se revolta. No caso do luto, a pessoa aceita que o outro partiu e se permite a um processo de integração da vivencia que teve com o outro, ficando-se com as partes boas de um lado e ruins de outro e vendo que ele cumpriu seu dever, terminando sua trajetória. Esta fase envolve a relação da pessoa com a vida, aceitando que há um ciclo de nascimento, vida e morte. Há maior valorização do que se tem enquanto se tem. Os sentimentos estão mais organizados e os comportamentos sem carga agressiva, nem consigo nem com o outro. A paz aparece já que se visualizam de forma clara as potencialidades e as limitações para se lutar contra o problema, assim como que se foi e o que se tem ou aceitar que nada há o que se fazer. No caso de separação conjugal, aceitar talvez signifique deixar a pessoa seguir em frente com sua vida e poder assim seguir com a sua. São variadas as formas de viver e penso que a criatividade aparece justamente nesta fase. Parece ser comum anteceder esta fase uma reflexão profunda sobre toda vida que se teve tentando integrar os diversos fatos e aspectos dela. Assim, no caso do divórcio, pensa-se na vida toda com a pessoa. No caso de uma doença respiratória grave, pensa-se na vida desregrada e com fumos e abusos. No caso de qualquer doença, pensando na vida como um todo, no que se fez, no que deixou de fazer, no que ainda pode se fazer. Tudo isso se dando de forma muito particular e peculiar para cada pessoa/família/vida. Não que seja uma fase em que a felicidade se faz presente. Talvez seja mais uma fase sem muitos sentimentos, mais neutra. Mas pode ser que aqui esteja sim a alegria de estar vivo e poder vivê-la com maior qualidade, prazer, valorização do que precisa e tem valor.


E ai, para sua vivência atual, está dentro de algum destes estágios?


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Kleber Godoy é graduado em Psicologia pela Universidade São Francisco e pós-graduando em Acupuntura Tradicional Chinesa pela Faculdade Einstein em parceria com a Associação Brasileira de Acupuntura e o Instituto Brasileiro de Acupuntura e Psicologia. Atualmente trabalha com Psicoterapia Psicanalítica, Psicoterapia De Grupo e Orientação Profissional nas cidades de Campinas, Piracaia e São Paulo. Entre em contato pelo correio eletrônico: kleberxgodoy@gmail.com
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23 janeiro 2013

Mais Saúde + Você: Acupuntura E O Conhecimento Milenar Chinês

Por Kleber Godoy

Nesta seção, como já destacamos no post explicativo sobre seus objetivos, o assunto é sério: saúde. Um tema abrangente, que envolve diversas ciências e, principalmente, a vida de cada um de nós. Assim, buscando criar um espaço para pensar o que podemos fazer para contribuir neste quesito, a cada postagem um tema diferente é lançado aqui: hoje falarei sobre um assunto que tenho estudado e praticado, junto e separado, de minha atuação como psicoterapeuta. Vou falar sobre a Acupuntura, conhecimento muito falado, mas pouco compreendido entre as pessoas que não estudam o assunto. Segue um texto escrito por mim lançando as bases e os conceitos principais deste grande Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade, sem aprofundar, mas pretendendo informar e esclarecer alguns pontos.



"Uma longa viagem começa com um único passo." (Lao-Tsé)





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Para falar de Acupuntura é preciso introduzir um pouco de Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e de características básicas do pensamento chinês, bases do nosso assunto principal. Assim, a Acupuntura se constitui um dos campos de atuação de algo maior, a MTC, que é, em diversos pontos, diferente da medicina a que estamos acostumados no ocidente e que se baseia em conceitos que fazem parte da cultura chinesa, do modo de vida de um povo que transmite, de geração para geração, conhecimentos acumulados e mantidos pela tradição há mais de cinco mil anos. Neste sentido, o Taoismo faz parte das bases deste conhecimento milenar, muitas vezes confundido com uma religião, mas sendo, na verdade, um modo de viver, uma filosofia, um pensamento, um conjunto de conhecimentos milenares do povo chinês, influenciando a forma de governar, a forma de organizar a sociedade e a forma de se fazer saúde. O Tao seria, assim, o caminho, o caminhar e o caminhante, algo imaterial que promove a circulação de energias em nosso corpo e engloba não só o homem, mas a natureza e seus movimentos.

Assim, o pensamento chinês vê o homem em conexão profunda com a natureza e com as estações do ano, com os movimentos da natureza: há o tempo de plantar, há o tempo de colher, assim como o poder do vento, do frio, do calor... e uma mútua influencia destes movimentos todos em nosso corpo e na circulação das energias no corpo. Estes movimentos presentes também nos seres vivos, equilibram-se e desequilibram-se segundo o modo como vivemos, nos protegemos, nos expomos, nos cuidamos ou nos abandonamos.

No Su Wen, livro clássico chinês de medicina, e talvez, o mais antigo livro de medicina do mundo, há a seguinte passagem: "Os três primeiros meses da Primavera chamam-se o período do princípio e do desenvolvimento da vida. As exalações do céu e da terra estão preparadas para gerar; assim tudo se desenvolve e floresce. Os três meses de verão chamam-se o período do crescimento luxuriante. As exalações do céu e da terra misturam-se e são benéficas. Está tudo em flor e começa a dar frutos. Os três meses de outono chamam-se período de tranquilidade da nossa conduta, a atmosfera do céu é intensa e a atmosfera da terra é desanuviada. Os três meses do inverno chamam-se o período de fechar e armazenar. A água gela e a terra estala e abre fendas."

Assim é o modo de viver chinês, no qual o imperador governa segundo as leis da natureza, respeitando épocas em que se deve colher, em que se deve plantar, em que deve esperar mantendo os celeiros quando chegar a época de seca, etc. Além disso, também é o modo de viver diariamente, havendo um tempo para o trabalho, um tempo para o descanso, um tempo onde a natureza proporciona maior crescimento e outro em que se deve armazenar energia. Assim é o método de tratamento na medicina, respeitando os movimentos do corpo.

Tai Chi: Yin e Yang

Entender o modo de viver do chinês tradicional é entender o pensamento chinês, no qual não existem os conceitos, as concretudes, as dualidades e os princípios científicos ocidentais a que estamos acostumados. Assim, a medicina chinesa trabalha com a Acupuntura, a Fitoterapia, Dietoterapia, técnicas de massagem, entre outras formas de atuação para promover a saúde e prevenir as doenças, pautadas no conhecimento obtido através dos milênios. Neste campo existe o simbolismo do Yin e do Yang, cujo símbolo é bem difundido no ocidente, mas sem trazer o significado abrangente que tem para o taoismo. Logo, Yin e Yang são movimentos que se alternam e completam, com características não opostas, mas complementares, sendo que Yin está dentro de Yang e Yang está dentro de Yin, cada um com seu movimento próprio, um de maior expansão e outro de maior recolhimento, mas sempre buscando um ao outro – ou seja, o equilíbrio. Talvez seja difícil compreender este pensamento, mas os sábios chineses da antiguidade mostram na prática com sua forma de viver e de fazer saúde como isso se dá no cotidiano. Um exemplo prático: Lao-Tsé (pensador da China antiga), por exemplo, coloca em uma passagem que "a felicidade nasce da infelicidade; a infelicidade está escondida no seio da felicidade."

Assim, a noção é a de que no corpo humano há canais de energia, chamados de meridianos, por onde circulam energias que, em equilíbrio e harmonia, promovem a saúde no corpo e na mente. Nestes trajetos existem pontos, os pontos de Acupuntura. Logo, quando há desarmonia na circulação das mesmas, aparecem as patologias e os transtornos. Através das finas agulhas e das técnicas de inserção das mesmas nos pontos de Acupuntura promove-se a melhor circulação de energia corporal. Os desequilíbrios acontecem quando uma determinada função do corpo contém excesso ou insuficiência de energia, sendo possível, através da Acupuntura, levar energia para os pontos onde está insuficiente e retirar de onde há excesso.

O profissional qualificado para tal atuação deve conhecer bem o pensamento chinês e técnicas como a medição do pulso, que permitem conhecer como está internalizado no paciente o trânsito das energias. Vale ressaltar a importância do paciente sentir no profissional alguém capacitado e com quem possa estabelecer uma relação terapêutica de confiança e atitudes positivas, fortalecendo o vínculo e a eficácia do tratamento. E, ao longo da vida vamos nos equilibrando e desequilibrando segundo os estímulos internos e externos, sendo possível utilizar-se da Acupuntura como forma de promoção da saúde e prevenção de doenças.

Hoje em dia o mundo está cada vez mais aberto aos ensinamentos chineses, e através da França o ocidente pôde tomar cada vez maior contato com este conhecimento amplo e eficaz de arte do saber fazer e do saber viver chinês. No Brasil temos grande representatividade através de diversas escolas e entidades, entre as quais destaco as que faço parte, a Associação Brasileira de Acupuntura (ABA) e o Instituto Brasileiro de Acupuntura e Psicologia (IBAHO), que promovem cursos por todo Brasil.

Há certa tendência, para o ocidente, de pensar nas técnicas orientais como algo místico ou religioso, mas são apenas formas de atuação diferentes das quais estamos acostumados, com nossa ciência tradicional. Neste sentido, o ocidente tem a tendência a pegar conceitos do oriente e transformar em misticismo, como exemplo o uso do livro do I Ching, parte da sabedoria chinesa, transformando-o em um jogo de sorte ou azar para prever o futuro. A Acupuntura, diferente do que muita gente acha, não depende de fé, funciona sem precisar de credibilidade do paciente, não sendo parte de um campo místico, é uma ciência baseada no pensamento chinês. 


A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em 2010, incluiu a Acupuntura como Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade, destacando-a como um dos principais aspectos no campo da Medicina Tradicional Chinesa, não estando restrita somente na China, já que se encontra presente e cada vez mais difundida pelo mundo todo, mostrando seus benefícios e conseguindo ultrapassar as barreiras culturais e geográficas. A UNESCO reconhece "o fato de ela ser uma competência passada de geração para geração através dos milênios". Esta inclusão pretende "preservar, proteger, promover e valorizar sua prática". No Brasil, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) recentemente, e antes disso, o então atual presidente Lula também enfatizaram a importância da Acupuntura e sua promoção, assim como sua importância como prática integrativa junto a outros saberes da área da saúde.

Diversas categorias profissionais em nosso país reconhecem as práticas chinesas como importantes para o trabalho dos seus profissionais. Neste sentido, o Conselho Federal de Psicologia (CFP), em Resolução de 2002 reconheceu a prática da Acupuntura como importante e possível para complementar o trabalho do psicólogo. Resumindo: a Acupuntura pode ser praticada por outros profissionais, além de médicos (coisa que pouca gente sabe), desde que seja por um profissional devidamente qualificado para tal e que atue com ética. Os conhecimentos da MTC não poderiam ficar restritos ao saber médico ocidental ou a qualquer outro saber do gênero, pois são práticas com bases filosóficas e culturais diferentes.

Concluindo, acredito que se deve haver cada vez maior abertura para os ensinamentos orientais, sendo que a medicina preventiva apresentada pela Acupuntura é essencial em uma época de tantos questionamentos e falta de respostas sobre as dificuldades encontradas hoje em dia na área da saúde. Destaco que a conversa entre a medicina ocidental e a oriental pode trazer inúmeros benefícios para o conhecimento humano e para a evolução da humanidade, sendo que uma forma de pensar não exclui a outra. Outra característica, cada vez mais premente, trazida subliminarmente pelo pensamento chinês é a urgência da comunhão do ser humano com a natureza e o respeito a toda forma de vida e ao nosso planeta – o que estamos fazendo com todo este poder que temos sobre a natureza?





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"O homem tem três caminhos para agir sabiamente: o primeiro, a meditação, é o mais nobre; o segundo é a imitação, o caminho mais fácil; o terceiro é a experiência - esse é o mais amargo." (Confúcio)


Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.





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* Kleber Godoy é graduado em Psicologia pela Universidade São Francisco e pós-graduando em Acupuntura Tradicional Chinesa pela Faculdade Einstein em parceria com a Associação Brasileira de Acupuntura e o Instituto Brasileiro de Acupuntura e Psicologia. Atualmente trabalha com Psicoterapia Psicanalítica, Psicoterapia De Grupo, Orientação Profissional e Acupuntura nas cidades paulistas de Piracaia e São Paulo. Entre em contato pelo correio eletrônico: kleberxgodoy@gmail.com

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18 outubro 2012

Mais Saúde + Você: Os Psicopatas Que Amamos

Por Kleber Godoy

Nesta seção, como já destacamos no post explicativo sobre seus objetivos, o assunto é sério: saúde. Um tema abrangente, que envolve diversas ciências e, principalmente, a vida de cada um de nós. Assim, buscando criar um espaço para pensar o que podemos fazer para contribuir neste quesito, a cada mês um tema diferente é lançado aqui: hoje falarei sobre um tema sugerido pelo Jonathan e ampliado por mim, baseado em leituras de meu interesse e em minha prática clínica. O assunto é bem polêmico, presente em nosso dia-a-dia, mas nem sempre percebido claramente, trata-se dos psicopatas que estão entre nós e que seduzem, ferem e matam. Mas não só deles, também dos que são frios e que cometem "pequenos grandes" crimes cotidianos. Vamos unir aqui nesta postagem a psicopatia e os relacionamentos amorosos, a sedução!

Abaixo serão expostos diversos trechos ou textos completos que exploram o sentido e a magnitude do assunto e, ao final, um comentário meu a título de reflexão e fechamento, tentando promover um pouco mais de saúde, afinal, mais saúde + você. Fiquem a vontade para comentar e conversar conosco através da sessão de comentários logo abaixo da postagem.


"O psicopata é como o gato, que não pensa no que o rato sente. Ele só pensa em comida." (Dr. Robert Hare, psicólogo canadense)





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Não podemos falar sobre psicopatia sem falar de Ana Beatriz Barbosa Silva, médica psiquiatra que versa sobre o assunto com total domínio, autora de famosos livros, entre eles o "Mentes Perigosas: O Psicopata Mora Ao Lado" (Objetiva/Fontanar, 2008). Segue a sinopse do livro:

"Quando pensamos em psicopatia, logo nos vem à mente um sujeito com cara de mau, truculento, de aparência descuidada, pinta de assassino e desvios comportamentais tão óbvios que poderí­amos reconhecê-lo sem pestanejar. Isso é um grande equí­voco! Para os desavisados, reconhecê-los não é uma tarefa tão fácil quanto se imagina. Os psicopatas enganam e representam muití­ssimo bem. "Mentes Perigosas" discorre sobre pessoas frias, manipuladoras, transgressoras de regras sociais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão ou culpa. Esses "predadores sociais" com aparência humana estão por aí­, misturados conosco, incógnitos, infiltrados em todos os setores sociais. São homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou ní­vel social. Trabalham, estudam, fazem carreiras, se casam, têm filhos, mas definitivamente não são como a maioria da população: aquelas a quem chamarí­amos de "pessoas do bem". Eles podem arruinar empresas e famí­lias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. Por serem charmosos, eloquentes,  "inteligentes" e sedutores costumam não levantar a menor suspeita de quem realmente são. Visam apenas o benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes, natos da maldade. Em casos extremos, os psicopatas matam a sangue-frio, com requintes de crueldade, sem medo e sem arrependimento. Porém, o que a sociedade desconhece é que os psicopatas, em sua grande maioria, não são assassinos e vivem como se fossem pessoas comuns."

O mal existe e não tem cura. É o que afirma a psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva: "(...) é preciso saber o seguinte: a maldade existe. Nós, latinos, afetivos, passionais, temos dificuldade de admitir que existem pessoas más. Psico quer dizer mente; pathos, doença. Mas o psicopata não é um doente mental da forma como nós o entendemos. O doente mental é o psicótico, que sofre com delírios, alucinações e não tem ciência do que faz. Vive uma realidade paralela. Se matar, terá atenuantes. O psicopata sabe exatamente o que está fazendo. Ele tem um transtorno de personalidade. É um estado de ser no qual existe um excesso de razão e ausência de emoção. Ele sabe o que faz, com quem e por quê. Mas não tem empatia, a capacidade de se pôr no lugar do outro."

Em uma entrevista dada há alguns anos, quando foi consultora da novela da Rede Globo, Caminhos Das Índias, a médica esclarece acerca da diferença afetiva da psicopatia: "O psicopata não enlouquece nunca, pois ele não tem afeto. Ele não é capaz de se botar no lugar do outro e tentar sentir a dor que ele provocou. Mas o problema dele não é cognitivo, a razão funciona bem e ele tem a capacidade plena de distinguir o que é certo e o que é errado. Ele tem certeza que está infringindo a lei, mas não se importa com isso e até calcula os danos para saber o custo-benefício da ação."

"Desvio de merenda escolar, por exemplo, isso atinge milhares de pessoas, são crianças que ficam sem estudar. Superfaturamento ou desvio de verba de medicamentos, todas são atitudes francamente psicopaticas", exemplifica, argumentando que os responsáveis por tais ações sabem que milhares de pessoas serão prejudicadas, ou seja, usam a razão e atuam sem qualquer sentimento. A médica lembra que esses casos não entram em fichas policias, mas são tão graves quanto um assassinato: "As pessoas associam psicopatia com assassinato, mas a maioria dos psicopatas não mata."

Ana Beatriz afirmou que há três níveis de psicopatas: o leve, que aplica os famosos golpes 171 (estelionato ou fraude) e atinge uma pessoa; o moderado, que aplica o mesmo golpe, porém em uma esfera social mais alta (como o superfaturamento na compra de remédios para o sistema de saúde pública) e acaba lesando milhares de pessoas; e o grave, que seria o serial killer, o assassino para quem não basta matar, tem que haver atos de crueldade. Esse último tipo, porém, é raro. Dos 4% de psicopatas da população, 1% é grave e 3% são leves e moderados.






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O PSICOPATA ANTISSOCIAL NÃO RESPEITA REGRAS OU O DIREITO DOS OUTROS

Ter vergonha de algumas coisas, explodir de raiva em certos momentos, dramatizar situações ou ter atitudes egoístas esporadicamente é comum na vida de grande parte das pessoas. O problema é quando algumas características passam a ocorrer com frequência e em exagero. Ao ultrapassar esta linha tênue, o diagnóstico pode ser de transtorno de personalidade - também conhecido como sociopatia, condutopatia e psicopatia. "Todos nós temos um pouco de tudo, o problema é a quantidade deste distúrbio", afirmou o psiquiatra forense Guido Palomba.

Assassinos como Chico Picadinho, Francisco De Assis Pereira (maníaco do parque) e Champinha são exemplos de portadores de transtorno de personalidade, mas o leque é muito mais amplo e a "deformação moral", como classifica Palomba, não está ligada diretamente ao crime. "Os condutopatas - portadores de transtorno de personalidade - que praticam delito são minoria", disse.

Mania de perseguição, dificuldade em se relacionar, desrespeito constante às normas, impulsividade, baixa tolerância a frustrações, perfeccionismo e falta de determinação são características que, quando em exagero, podem indicar um transtorno de personalidade. "A medida é quando a característica começa a chamar muito a atenção dos outros", explicou Palomba.

De acordo com o psiquiatra, um indivíduo com transtorno de personalidade tem três defeitos básicos: são altamente egoístas; não se arrependem dos atos; têm valores morais distorcidos; gostam ou não se incomodam com o sofrimento alheio. "Aparentemente, a pessoa é normal e lúcida, mas tem uma conduta deformada", disse. "O problema foi descrito pela primeira vez em 1835, como insanidade moral. (...) Ao longo dos anos, já foi chamado de psicopatia, sociopatia, condutopatia e transtorno de personalidade", lembrou Palomba.

A deformação de conduta pode ou não se manifestar, no entanto, não existe cura para o problema, segundo Palomba. "Existe tratamento para controlar", afirmou o psiquiatra. De acordo com a psiquiatra e psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise Leda Beolchi Spessoto, o indivíduo pode ter predisposição aos transtornos, mas o problema está ligado ao ambiente em que ele vive quando criança. "Os traços se formam na infância, mas devem ser bem analisados na adolescência", disse.

O tratamento é difícil, pois, quando uma pessoa tem um transtorno de personalidade, dificilmente assume o problema. "Se assume, não quer por em cheque que está com o transtorno. E procurar ajuda profissional já é um terceiro passo", afirmou Leda. Segundo ela, o tratamento da doença comportamental fica ainda mais difícil nos casos mais graves, como dos criminosos em série.

Leda afirmou que uma pessoa que gosta de dirigir a 200 km/h e faz isso por puro prazer, sem se importar se pode ocasionar a morte de alguém, tem um transtorno de personalidade. O transtorno narcisista - em que a pessoa tem o desejo de ser melhor do que os outros - é um dos mais presentes no dia a dia da psicanalista. "A cultura atual incentiva isso: ser mais esperto, passar por cima dos outros, ser mais bonito", explicou. Veja a seguir as características comuns de diferentes transtornos de personalidade.

FONTE: Portal Terra por Thaís Sabino.





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SEU AMIGO PSICOPATA
Cinco milhões de brasileiros são incapazes de sentir emoções. Eles podem até matar sem culpa e estão incógnito são seu lado. Agora, a ciência começa a desvendá-los.

Tinha alguma coisa errada com o Guilherme. Desde quando era pequeno, 4 anos de idade, a mãe, Norma*, achava que ele não era uma criança normal. O guri não tinha apego a nada, era frio, não obedecia a ninguém. O problema ficou claro aos 9 anos. Guilherme, nome fictício de um rapaz do Guarujá, litoral de São Paulo, que hoje tem 28 anos, roubava os colegas da escola, os vizinhos e dinheiro em casa. Também passou a expressar uma enorme capacidade de fazer os outros acreditar no que inventava. Aos 18, o garoto conseguiu enganar uma construtora e comprar um apartamento fiado. "Quando um primo da mesma idade morreu de repente, ele só disse 'que pena' e continuou o que estava fazendo", conta a mãe. Tinha alguma coisa errada com o Guilherme.

Em busca de uma solução, Norma passou 15 anos rodando com o filho entre psicólogos, psiquiatras, pediatras e até benzedeiros. Para todos, ele não passava de um garoto normal, com vontades e birras comuns. "Diziam que era mimo demais, que não soubemos impor limites." Uma pista para o problema do filho só apareceu em 2004. A mãe leu uma entrevista sobre psicopatia e resolveu procurar psiquiatras especializados no assunto. Então descobriu que o filho sofre da mesma doença de alguns assassinos em série e também de certos políticos, líderes religiosos e executivos. "Apenas confirmei o que já sabia sobre ele", diz Norma. "Dói saber que meu filho é um psicopata, mas pelo menos agora eu entendo que problema ele tem."

Guilherme não é um assassino como o Maníaco do Parque ou o Chico Picadinho. Mas todos eles sofrem do mesmo problema: uma total ausência de compaixão, nenhuma culpa pelo que fazem ou medo de serem pegos, além de inteligência acima da média e habilidade para manipular quem está em volta. A gente costuma chamar pessoas assim de monstros, gênios malignos ou coisa que o valha. Mas para a Organização Mundial da Saúde (OMS), eles têm uma doença, ou melhor, deficiência. O nome mais conhecido é psicopatia, mas também se usam os termos sociopatia e transtorno de personalidade anti-social.

Com um nome ou outro, não se trata de raridade. Entre os psiquiatras, há consenso quanto a estimativas surpreendentes sobre a psicopatia. "De 1% a 3% da população tem esse transtorno. Entre os presos, esse índice chega a 20%", afirma a psiquiatra forense Hilda Morana, do Instituto de Medicina Social e de Criminologia do Estado de São Paulo (Imesc). Isso significa que uma pessoa em cada 30 poderia ser diagnosticada como psicopata. E que haveria até 5 milhões de pessoas assim só no Brasil. Dessas, poucas seriam violentas. A maioria não comete crimes, mas deixa as pessoas com quem convive desapontadas. "Eles andam pela sociedade como predadores sociais, rachando famílias, se aproveitando de pessoas vulneráveis e deixando carteiras vazias por onde passam", disse à Super o psicólogo canadense Robert Hare, professor da Universidade da Colúmbia Britânica e um dos maiores especialistas no assunto.

Os psicopatas que não são assassinos estão em escritórios por aí, muitas vezes ganhando uma promoção atrás da outra enquanto puxam o tapete de colegas. Também dá para encontrá-los de baciada entre políticos que desviam dinheiro de merenda para suas contas bancárias, entre médicos que deixam pacientes morrer por descaso, entre "amigos" que pegam dinheiro emprestado e nunca devolvem... Lendo esta reportagem, não se surpreenda se você achar que conhece algum. Certamente você já conheceu.

AMIGO DA ONÇA

O psicólogo Robert Hare tinha acabado de sair da faculdade, na década de 1960, quando arranjou um emprego no presídio de Vancouver. Função: atender os presos com problemas e montar diagnósticos de sanidade para pedidos de condicional. Lá conheceu o simpático Ray, um dos presos. Era um sujeito legal, contava histórias envolventes e tinha um sorriso que deixava qualquer um confortável. Como o sujeito parecia aplicado e dedicado a ter uma vida correta depois da prisão, o doutor resolveu ajudá-lo em pedidos de transferência para trabalhos melhores na cadeia, tipo a cozinha e a oficina mecânica. Os dois ficaram amigos. Mas Ray não era o que parecia. Hare descobriu que o homem usava a cozinha para produzir álcool e vender aos colegas. Os funcionários do presídio também alertaram o psicólogo dizendo que ele não tinha sido o primeiro a ser ludibriado pelo "gente boa" Ray. E que a falta de escrúpulos do preso não tinha limites. Pouco depois, Hare sentiu isso na pele: teve os freios de seu carro sabotados pelo "amigo" presidiário.

Ray não era único ali. Boa parte de seus colegas no presídio de Vancouver era formada por sujeitos alegres, comunicativos e cheios de amigos que também eram egocêntricos, sem remorso e não mudavam de atitude nem depois de semanas na solitária. Nas prateleiras sobre doenças mentais, havia várias descrições parecidas. O francês Philip Pinel, um dos pais da psiquiatria, escreveu no século 18 sobre pessoas que sofriam uma "loucura sem delírio". Mas o primeiro estudo para valer sobre psicopatia só viria em 1941, com o livro The Mask Of Sanity (A Máscara da Sanidade, sem tradução para o português), do psiquiatra americano Hervey Cleckley. Ele dedica a obra a um problema "conhecido, mas ignorado" e cita casos de pacientes com charme acima da média, capacidade de convencer qualquer um e ausência de remorso. Com base nesses estudos, Robert Hare passou 30 anos reunindo características comuns de pessoas assim, até montar sua escala Hare, o método para reconhecer psicopatas mais usado hoje.

Trata-se de um questionário com perguntas sobre a vida do sujeito, feito para investigar se ele tem traços de psicopatia. Seja como for, não é fácil identificar um. Psicopatas não têm crises como doentes mentais: o transtorno é constante ao longo da vida. Outras funções cerebrais, como a capacidade de raciocínio, não são afetadas. Algumas características, no entanto, são evidentes.

SEGREDOS E MENTIRAS

Atributo número 1: mentir. Todo mundo mente, mas psicopatas fazem isso o tempo todo, com todo mundo. Inclusive com eles mesmos. São capazes de dizer 'Já saltei de pára-quedas' e, logo depois, 'Nunca andei de avião', sem achar que existe uma grande contradição aí. Espertos, não se contentam só em dizer que são neurocirurgiões, por exemplo, sem nunca ter completado o colegial: usam e abusam de termos técnicos das profissões que fingem ter. Se o sujeito finge ser advogado, manda ver nos "data venias" da vida. Se diz que estudou filosofia, vai encher o vocabulário de expressões tipo "dialética kantiana" sem fazer idéia do que isso significa. Sim, eles são profissionais da lorota.

"Depois que descobri as mentiras que ele me contou, passei um tempo me perguntando como tinha sido tão burra para acreditar naquilo", diz a professora carioca Ana*. Há 9 anos, ela conheceu um cara incrível. Ele dizia que, com apenas 27 anos, era diretor de uma grande companhia e que, por causa disso, viajava sempre para os EUA e para a Europa. Atencioso e encantador, Cláudio era o genro que toda sogra queria ter. "Em 5 meses, a gente estava quase casando. Então a mãe dele revelou que era tudo mentira, que o filho era doente, enganava as pessoas desde criança e passava por um tratamento psiquiátrico."

Ana largou Cláudio e foi tocar a vida. Mas nem sempre quem passa pelas mãos de um psicopata "pacífico" tem tempo para reorganizar as coisas. Que o digam as pessoas que cruzaram o caminho de Alessandro Marques Gonçalves. Formado em direito, ele resolveu fingir que era médico. E levou esse delírio às últimas conseqüências: forjou documentos e conseguiu trabalho em 3 grandes hospitais paulistas. Enganou pacientes, chefes e até a mulher, que espera um filho dele e não fazia ideia da fraude. Desmascarado em fevereiro de 2006, Alessandro aleijou pelo menos 23 pessoas e é suspeito da morte de 3.

"Ele usa termos técnicos e fala com toda a naturalidade. Realmente parece um médico", diz o delegado André Ricardo Hauy, de Lins, que o interrogou. "Também acha que não está fazendo nada de errado e diz, friamente, que queria fazer o bem aos pacientes." Quando foi preso, Alessandro não escondeu a cabeça como os presos geralmente fazem: deixou-se filmar à vontade.

"O diagnóstico de transtorno anti-social depende de um exame detalhado, mas dá para perceber características de um psicopata nesse falso médico. É que, além de mentir, ele mostra ausência de culpa", afirma o psiquiatra Antônio de Pádua Serafim, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

E esse é um atributo-chave da mente de um psicopata: cabeça fresca. Nada deixa esses indivíduos com peso na consciência. Fazer coisas erradas, todo mundo faz. Mas o que diferencia o psicopata do "todo mundo" é que um erro não vai fazer com que ele sofra. Sempre vai ter uma desculpa: "Um cara que matou 41 garotos no Maranhão, Francisco das Chagas, disse que as vítimas queriam morrer", conta Antônio Serafim.

Justamente por achar que não fazem nada de errado, eles repetem seus erros. "Psicopatas reincidem 3 vezes mais que criminosos comuns", afirma Hilda Morana, que traduziu e adaptou a escala Hare para o Brasil. "Tem mais: eles acham que são imunes a punições." E isso vale em qualquer situação. Até na hora de jogar baralho.

Foi o que mostrou o psicólogo americano Joe Newman num experimento em 1987. No laboratório, havia 4 montes de cartas. Sem que os jogadores soubessem, um deles estava cheio de cartas premiadas. Ou seja: quem escolhesse aquele monte ganhava mais dinheiro e continuava no jogo. Aos poucos, porém, a quantidade de cartas boas rareava, até que, em vez de dar vantagem, escolher aquele monte passava a dar prejuízo. Pessoas comuns que participaram da pesquisa logo perceberam a mudança e deixaram de apostar nele. Psicopatas, porém, seguiram tentando obter a recompensa anterior. "Pessoas comuns mudam de estratégia quando não obtêm recompensa", afirma o neurocientista James Blair, autor do livro 'The Psychopath: Emotion And The Brain (O Psicopata: Emoção E O Cérebro, sem edição brasileira)". “Mas crianças e adultos com tendências psicopáticas continuam a ação mesmo sendo repetidamente punidos com a perda de pontos.”

PSICOPATAS NÃO APRENDEM COM PUNIÇÕES. NÃO ADIANTA DAR PALMADAS NELES

Além disso, psicopata que se preze se orgulha de suas mancadas. Esse sujeito pode ser o marido que trai a mulher e se gaba para os amigos. Ou coisa pior. Veja o caso do promotor de eventos Michael Alig. Querido por todos, ele difundiu a cultura clubber em Nova York, organizando festas itinerantes. E em 1996 ele matou um amigo em casa. Quando o corpo começou a feder, retalhou-o e jogou os pedaços no rio Hudson. Dias depois, em um programa de TV, Alig simplesmente descreveu o assassinato, todo pimpão. Os jornalistas acharam que era só uma brincadeira besta, claro. Dias depois, a polícia achou o corpo do amigo de Alig no rio. Ele foi condenado a 20 anos de prisão – sem perder a pose.

Isso é lugar-comum entre os psicopatas. O próprio psiquiatra Antônio Serafim está acostumado com relatos grandiosos de carnificinas: "Quando você pergunta sobre a destreza com que cometeram os crimes, eles contam detalhes dos assassinatos, cheios de orgulho."

ZUMBIS

Se você estivesse indo comprar cerveja perto de casa e se desse conta que esqueceu a carteira, o que faria? Em vez de voltar para buscar dinheiro, um psicopata da Califórnia preferiu catar um pedaço de pau, bater num homem e levar o dinheiro dele. Também tem o caso de uma mulher que deixou a filha de 5 anos ser estuprada pelo namorado. Perguntada por que deixou aquilo acontecer, ela disse: "Eu não queria mais transar, então deixei que ele fosse com a minha filha."

Eis mais um traço psicopático. "Eles tratam as pessoas como coisas", afirma o psiquiatra Sérgio Paulo Rigonatti, do Instituto de Psiquiatria do HC. Isso acontece porque eles simplesmente não assimilam emoções. Para entender isso melhor, vamos dar um passeio pelo inferno.

Corpos decapitados, crianças esquálidas com moscas nos olhos, torturas com eletrochoque, gemidos desesperados. Só de imaginar cenas assim, a reação de pessoas comuns é ter alterações fisiológicas como acelerar as batidas do coração, intensificar a atividade cerebral e enrijecer os músculos. Em 2001, o psiquiatra Antônio Serafim colocou presos de São Paulo para assistir a cenas assim. Cada um ouvia, por um fone, sons desagradáveis, como gritos de desespero. "Os criminosos comuns tiveram reações físicas de medo", diz ele. "Já os identificados como psicopatas não apresentaram sequer variação de batimento cardíaco."

Mais: uma série de estudos do Instituto de Neurociência Cognitiva, nos EUA, mostrou que psicopatas têm dificuldade em nomear expressões de tristeza, medo e reprovação em imagens de rostos humanos. "Outros 3 estudos ligaram psicopatia com a falta de nojo e problemas em reconhecer qualquer tipo de emoção na voz das pessoas", afirma Blair.

É simples: assim como daltônicos não conseguem ver cores, psicopatas são incapazes de enxergar emoções. Não as enxergam nem as sentem, pelo menos não do mesmo jeito que os outros fazem. Em vez disso, eles só teriam o que os psiquiatras chamam de proto-emoções – sensações de prazer, euforia e dor menos intensas que o normal. "Isso impede os psicopatas de se colocar no lugar dos outros", diz Hilda Morana.

Um dos pacientes entrevistados por Hare confirma: "Quando assaltei um banco, notei que uma caixa começou a tremer e a outra vomitou em cima do dinheiro, mas não consigo entender por quê", disse. "Na verdade, não entendo o que as pessoas querem dizer com a palavra 'medo'."

No livro "No Ventre Da Besta: Cartas Da Prisão", o escritor americano Jack Abbott descreve com honestidade o que acontece na sua cabeça de psicopata: "Existem emoções que eu só conheço de nome. Posso imaginar que as tenho, mas na verdade nunca as senti."

É como se eles entendessem a letra de uma canção, mas não a música. Esse jeito asséptico de ver o mundo faz com que um psicopata consiga mentir sem ficar nervoso, sacanear os outros sem sentir culpa e, em casos extremos, retalhar um corpo com o mesmo sangue-frio de quem separa as asinhas do peito de um frango assado.

CÉREBROS EM CURTO

Ok, o problema central dos psicopatas é que eles não conseguem sentir emoções. Mas por que isso acontece? "A crença de que tudo é causado por famílias instáveis ou condições sociais pobres nos faz fingir que o problema não existe", afirma Hare.

Para a neurologia, a coisa é mais objetiva: os "circuitos" do cérebro de um psicopata são fisicamente diferentes dos de uma pessoa normal. Uma descoberta importante foi feita pelo neuropsiquiatra Ricardo de Oliveira-Souza e pelo neurologista Jorge Moll Neto, pesquisador do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos dos EUA. Em 2000, os dois identificaram, com imagens de ressonância magnética, as partes do cérebro ativadas quando as pessoas fazem julgamentos morais. Os participantes da pesquisa tiveram o cérebro mapeado enquanto decidiam se eram certas ou erradas frases como "podemos ignorar a lei quando necessário" ou "todos têm o direito de viver", além de outras sem julgamento moral, como "pedras são feitas de água". A maioria dos voluntários ativou uma área bem na testa, chamada Brodmann 10, ao responder às perguntas.

E aí vem o pulo-do-gato: a dupla repetiu o estudo em 2005 com pessoas identificadas como psicopatas, e descobriu que elas ativam menos essa parte do cérebro. Daí a incompetência que os sujeitos com transtorno anti-social têm para sentir o que é certo e o que é errado. Agora, resta saber se essas deficiências vêm escritas no DNA ou se surgem depois do nascimento.

Hoje, se sabe que boa parte da estrutura cerebral se forma durante a vida, sobretudo na infância. Mas cientistas buscam uma causa genética porque a psicopatia parece surgir independentemente do contexto ou da educação. "Nascem tantos psicopatas na Suécia ou na Finlândia quanto no Brasil", afirma Hilda Morana. "Os pais costumam se perguntar onde foi que erraram." A impressão é que psicopatas nasceram com o problema. "Eles também surgem em famílias equilibradas, são irmãos de pessoas normais e deixam seus pais perplexos", afirma Oliveira-Souza.

James Blair vai pela mesma linha: "Estudos com pessoas da mesma família, gêmeos e filhos adotados indicam que o comportamento dos psicopatas e as disfunções emocionais são coisas hereditárias", afirma.

COBRAS DE TERNO

Mesmo quem defende uma origem 100% genética para a psicopatia não descarta a importância do ambiente. A criação, nessa história, seria fundamental para determinar que tipo de psicopata um camarada com tendência vai ser.

"Fatores sociais e práticas familiares influenciam no modo como o problema será expresso no comportamento", afirma Rigonatti. Por exemplo: psicopatas que cresceram sofrendo ou presenciando agressões teriam uma chance bem maior de usar sua "habilidade" psicopática para matar pessoas.

Um bom exemplo desse tipo é o americano Charles Manson. Filho de uma prostituta alcoólatra e dono de uma mente pra lá de sociopata, transformou um punhado de hippies da Califórnia em um grupo paramilitar fanático nos anos 70. Manson foi responsável pela carnificina na casa do cineasta Roman Polanski. Entre os 5 mortos, estava a atriz Sharon Tate, mulher do diretor e grávida de 8 meses. Detalhe: ele nem sequer participou da ação. Só usou sua capacidade de liderança para convencer um punhado de seguidores a realizar o massacre.

Já os que vêm de famílias equilibradas e viveram uma infância sem grandes dramas teriam uma probabilidade maior de se transformar naqueles que mentem, trapaceiam, roubam, mas não matam. Mais de 70% dos psicopatas diagnosticados são desse grupo, mas não há motivo para alívio. Psicopatas infiltrados na política, em igrejas ou em grandes empresas podem fazer estragos ainda piores.

Exemplos não faltam. O político absurdamente corrupto que é adorado por eleitores, cativa jornalistas durante entrevistas, não entra em contradição nem parece sentir culpa por ter recheado suas contas bancárias com dinheiro público é um. O líder religioso que enriquece à custa de doações dos fiéis é outro. E por aí vai.

"Eles costumam se dar bem em ambientes pouco estruturados e com pessoas vulneráveis. Agem como cartomantes, pais de santo, líderes messiânicos", afirma Oliveira-Souza. Psicopatas não tão fanáticos, mas com a mesma falta de escrúpulos, também estão em grandes empresas, sugando dinheiro e tornando a vida dos colegas um inferno.

A habilidade para mentir despudoradamente sem levantar suspeitas faz com que eles se deem bem já nas entrevistas de emprego. O charme que eles simulam ajuda a conquistar a confiança dos chefes e a pressionar para que colegas que atrapalham sua ascensão profissional acabem demitidos. Não raro, costumam ocupar os cargos hierárquicos mais altos.

O psicólogo ocupacional Paul Babiak cita o exemplo de Dave, um executivo de uma empresa americana de tecnologia. Logo na primeira semana, o chefe notou que ele gastava mais tempo criando picuinhas entre os funcionários do que trabalhando e plagiava relatórios sem medo de ser pego. Quando o chefe recomendou sua demissão, Dave foi reclamar aos chefes do seu chefe. Com sua lábia, conseguiu ficar dois anos na empresa, sendo promovido duas vezes, até causar um rombo na firma e sua máscara cair. "Certamente há mais psicopatas no mundo dos negócios que na população em geral", diz o psiquiatra Hare, que escreveu com Babiak o livro "Snakes In Suits: When Psychopaths Go To Work (Cobras De Terno: Quando Psicopatas Vão Trabalhar”, inédito no Brasil)". Para ele, sociopatas corporativos são responsáveis por escândalos como o da Enron, em 2002, quando a empresa americana mentiu sobre seus lucros para bombar preços de ações. "O poder e o controle sobre os outros tornam grandes empresas atraentes para os psicopatas", diz.

O QUE FAZER?

Seja nas empresas, nas ruas, ou numa casinha de sapê, nossos amigos com transtorno anti-social são tecnicamente incapazes de frear seus impulsos sacanas. Mas, para os psiquiatras, essa limitação não significa que eles não devam ser responsabilizados pelo que fazem. !Psicopatas têm plena consciência de que seus atos não são corretos", afirma Hare. "Apenas não dão muita importância para isso." Se cometem crimes, então, devem ir para a cadeia como os outros criminosos.

Só que até depois de presos psicopatas causam mais dores de cabeça que a média dos criminosos. Na cadeia, tendem a se transformar em líderes e agir no comando de rebeliões, por exemplo. "Mas nunca aparecem. Eles sabem como manter suas fichas limpas e acabam saindo da prisão mais cedo", diz Antônio de Pádua Serafim.

Por conta disso, a psiquiatra forense Hilda Morana foi a Brasília em 2004 tentar convencer deputados a criar prisões especiais para psicopatas. Conseguiu fazer a ideia virar um projeto de lei, que não foi aprovado. Nas prisões brasileiras, não há procedimento de diagnóstico de psicopatia para os presos que pedem redução da pena. "Países que aplicam o diagnóstico têm a reincidência dos criminosos diminuída em dois terços, já que mantêm mais psicopatas longe das ruas", diz ela. Tampouco há procedimentos para evitar que psicopatas entrem na polícia – uma instituição teoricamente tão atraente para eles quanto as grandes empresas. Também não há testes de psicopatia na hora de julgar se um preso pode partir para um regime semi-aberto. Nas escolas, professores não estão preparados para reconhecer jovens com o transtorno.

"Mesmo dentro da psiquiatria existe pouca gente interessada no assunto, já que os psicopatas não se reconhecem como tal e dificilmente vão mudar de comportamento durante a vida", diz o psiquiatra João Augusto Figueiró, de São Paulo. Também não existem tratamentos comprovados nem remédios que façam efeito. Outro problema: quando levados a consultórios, os psicopatas acabam ficando piores. Eles adquirem o vocabulário dos especialistas e se munem de desculpas para justificar seu comportamento quando for necessário. Diante da falta de perspectiva de cura, quem convive com psicopatas no dia-a-dia opta por vigiá-los o máximo possível. É o que faz a dona-de-casa Norma, do Guarujá, com o filho Guilherme. "Enquanto eu e o pai dele estivermos vivos, podemos tomar conta", diz. "Mas... e depois?"

MEU FILHO PSICOPATA*

"Ele mentia muito. Armava um teatro para nos transformar em culpados. Não tinha apego nem responsabilidade. Não evitava falar coisas que deixassem os outros magoados. Nunca pensou que, se fizesse alguma coisa ruim, os pais ficariam bravos. Na escola, ele não obedecia a ordens. Se não queria fazer a lição, não tinha ninguém que o convencesse. A inteligência dele até era acima da média, mas um mês ele tirava 10 em tudo e no outro tirava 0. Dos 3 aos 25 anos, ele rodou comigo por psicólogos. Foi uma busca insana. Começamos a tratar pensando que era hiperatividade, ele tomou antidepressivos e outros remédios. Nada deu certo. Pessoas como o meu filho conseguem manipular psicólogos com facilidade. E os pais se tornam os grandes culpados. Quando descobri o problema, com uma psiquiatra, foi uma luz para mim. Hoje sei que pessoas como ele inventam um mundo na cabeça. É um sofrimento para os pais que convivem com crianças ou com adultos assim. Hoje, temos que vigiá-lo e carregá-lo pela mão para tudo que é canto. Senão, ele rouba coisas ou arma histórias. Fica 3 meses em cada emprego e pára, diz que não está bom. O problema nunca é com ele, sempre os outros é que estão errados. Eu ainda torço para que tenha um remédio, porque viver assim é muito ruim. Se está tudo bem agora, você não sabe qual vai ser a reação daqui a 5 minutos. É como uma bomba relógio, uma panela de pressão que vai explodir. Nunca dá pra saber exatamente o que ele pensa nem para acreditar em alguma coisa que ele promete. Às vezes penso que deveriam criar uma sociedade paralela só para sociopatas, mas uns matariam os outros, com certeza. Para não correr o risco de botar no mundo outra pessoa dessas, convencemos nosso filho a fazer vasectomia. Dói muito dizer que seu filho é um psicopata, mas fazer o quê? Matar você não pode. Tem que ir convivendo na esperança de que um dia a medicina dê conta de casos assim."

*Depoimento de Norma, 50 anos, dona-de-casa do Guarujá (SP), mãe de Guilherme, 28, diagnosticado como psicopata.

AS CARACTERÍSTICAS DE UM PSICOPATA

CHARME: tem facilidade em lidar com as palavras e convencer pessoas vulneráveis. Por isso, torna-se líder com freqüência. Seja na cadeia, seja em multinacionais.

INTELIGÊNCIA: o QI costuma ser maior que o da média: alguns conseguem se passar por médico ou advogado sem nunca ter acabado o colegial.

AUSÊNCIA DE CULPA: não se arrepende nem têm dor na consciência. É mestre em botar a culpa nos outros por qualquer coisa. Tem certeza de que nunca erra.

ESPÍRITO SONHADOR: vive com a cabeça nas nuvens. Mesmo se a situação do sujeito estiver miserável, ele só fala sobre as glórias que o futuro lhe reserva.

HABILIDADE PARA MENTIR: não vê diferença entre sinceridade e falsidade. É capaz de contar qualquer lorota como se fosse a verdade mais cristalina.

EGOÍSMO: faz suas próprias leis. Não entende o que significa "bem comum". Se estiver tudo ok para ele, não interessa como está o resto do mundo.

FRIEZA: não reage ao ver alguém chorando e termina relacionamentos sem dar explicação. Sabe o cara que "foi comprar cigarro e nunca mais voltou?" Então.

PARASITISMO: quando consegue a confiança de alguém, suga até a medula. O mais comum é pedir dinheiro emprestado e deixar para pagar no dia 31 de fevereiro.

FONTE: Revista Super Interessante, julho 2006 por Leandro Narloch.





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OLHAR DO BLOG: o maior desafio de escrever sobre psicopatologias, sejam elas quais forem, é o cuidado que se deve ter em não gerar um medo generalizado nos leigos que irão se aventurar a ler. Assim, é necessário esclarecer que este post é sim um alerta: entre nós há psicopatas, pessoas que, sem sentimentos de repressão algum, estão aptos a nos seduzir, enganar, quem sabe matar. No entanto, personalidade é um construto bastante amplo e que engloba um pouco de tudo, de tudo mesmo. Sendo assim, você mesmo pode ler e se encaixar em alguma característica atribuída para uma pessoa com transtorno de personalidade antissocial, o que não quer dizer que você seja um. Muito menos quero dizer que você tem um psicopata ao seu lado, mas, por outro lado, talvez tenha. A função principal dos textos escolhidos foi a de diferenciar um pouco psicopatia de outras estruturas de personalidade, mostrando que a maioria de nós (75% talvez) tende a reprimir sentimentos de agressividade e tem um mecanismo atuante quanto à geração de culpa quando cometemos algo errado, mas o psicopata não tem. Logo, o psicopata não muda, ele é assim, faz sem culpa e pensa em si em detrimento do outro, não tem alteridade. Ele não distorce as percepções e sensações ao fazer o mal (como na psicose / esquizofrenia), nem reprime (como a maioria de nós, simplórios neuróticos).

Quando pensamos em uma pessoa assim logo nos vem a cabeça Suzane Louise von Richthofen que arquitetou e matou os pais com aquela postura totalmente independente de sentimentos no tribunal, assim como podemos pensar em outros casos famosos. Mas a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva é muito feliz quando amplia o conceito e traz ao público leigo o alerta mais importante sobre o tema: ele mora ao lado. Eu digo até que ele mora dentro de casa muitas vezes, que ele está a dormir na mesma cama que você. Olha só, eu fazendo medo novamente, mas não é este o intuito, explicarei mais. No consultório tenho encontrado muitos casos de psicopatia, não em meus pacientes (parece-me que os psicopatas não vão buscar ajuda, não precisam), mas nos parceiros das pessoas que me procuram. São mulheres na maioria das vezes, buscando ajuda para poderem se livrar deste homem que perturba suas vidas e as fazem sofrer. Dizem que veem algo estranho, que alguns atos são agressivos demais, que parecem mentir, manipular... e não sentem culpa.

Vejo no dia-a-dia pessoas aprisionadas em relacionamentos com pessoas assim e me perguntam: como faço para tirar esta pessoa da minha vida? Tenho medo do que pode acontecer, de qual pode ser a reação. A característica mais marcante do psicopata está presente mais do que nunca em nossa sociedade: a sedução. Parece matemática: por um lado estamos na pós-modernidade, este tempo em que a maior característica da crise existencial das pessoas é que sentem um enorme vazio que precisa ser preenchido; por outro está o sedutor, inteligente e carinhoso homem ou mulher dos sonhos que percebe todos os desejos e faltas do outro, ataca nos pontos certos e conquista, entra na sua vida, na sua sala, no seu quarto... e aos poucos, por ter uma deficiência na área sentimental, vai mostrando a que veio. Eles choram... manifestam sofrimento... reais?

"A vida, meu amor, é uma grande sedução onde tudo o que existe se seduz. Aquele quarto que estava deserto e por isso primariamente vivo. Eu chegara ao nada, e o nada era vivo e úmido." (Clarice Lispector)

Eles não são violentos na maioria das vezes, não chegam a matar os pais, mas fazem um estrago e tanto na vida com quem vivem. Drogaditos e alcoolistas são, frequentemente, mais violentos que psicopatas, mas demonstram culpa após os abusos causados. O título de um dos textos acima é bem provocante ao enfocar o "amigo psicopata", pois ele cativa mesmo sua amizade, e está mais próximo do que se possa imaginar, e ele é o político que desvia dinheiro do hospital para seu bolso não se importando que pessoas irão morrer por conta disso, ele está em todos os setores da sociedade, desde a família, passando pela política e chegando até às relações de trabalho. Charme, inteligência, ausência de culpa, habilidade para mentir, egoísmo, frieza, limiar baixo para frustração, parasitismo... talvez reconheçamos estas características em líderes, políticos, familiares, personagens de novela (a Carminha da novela "Avenida Brasil" se enquadra?)... e o que fazer quando se encontra este tipo de estrutura em quem dorme ao lado? Claro que existem pessoas com charme e sedução e não são os que estamos aqui a falar, o que deixa mais difícil ainda se aprofundar neste assunto.

Outro ponto interessante que foi abordado nos textos acima é a questão da origem deste mal, no qual a psiquiatra Ana Beatriz talvez tenda a dizer que faz parte de uma forma específica da estruturação do cérebro, como médica, nada mais justo. Mas o artigo da Revista Superinteressante traz a luz de que o cérebro se forma, em sua maior parte, durante a infância e então entramos em outro campo, além do cérebro material, mas das relações, da psicologia e da questão de que as crianças nunca esquecem, diferente dos adultos. Entramos assim, no campo da psicanálise e neste sentido eu poderia falar amplamente sobre a estruturação de nossa psique, que passa do parricídio (desejo de matar o próprio pai) à agressividade manifesta ou não pelos irmãos, o ciúme do tipo que levou Caim a matar o irmão Abel. Nossa estruturação inicia-se com mortes, fins, ciúmes, uma orbe de sentimentos, sensações, confusões... e que ao longo da vida vai dizendo quem somos... mas sobre isso não vou me aprofundar até mesmo para não transformar este texto em uma aula de psicanálise.

Enfim, gostaria que de alguma forma estas reflexões tocassem o leitor para que o objetivo desta sessão do blog tenha sua eficácia: promover a saúde e prevenir doenças/problemas. Muitas vezes nos deparamos com relacionamentos completamente confusos: pessoas que se juntam e não conseguem se separar de pessoas que só lhe causam problemas, confusões... porque não consigo deixá-lo? É o que me perguntam pacientes desde quando comecei a atuar, sendo que para cada pessoa há uma resposta diferente, dentro dela mesma. Agora, como prevenir envolvimento com pessoas como estas de que falamos? Alguns profissionais dão receitas e eu aqui falo das características que você pode encontrar nas pessoas e então escolher melhor com quem se relacionar. Mas... em uma era em que a tendência é que estar aberto a todo tipo de sedução, até porque precisa-se de alguém que chegue com toda intensidade, traga completude e que tape este imenso vazio... difícil dar receitas. É um jogo de sedução onde alguns dizem que a regra é não se apaixonar, mas é também um momento crítico onde há oferta de sedução e necessidade de atenção. Problematizei?

"No Convento das Carmelitas eu entrei. Esperei outra freira passar, esperei, esperei. A sexta freira que passou, estrangulei. Os dias e as mortes em série me fazem tão bem." (Rogério Skylab em trecho da música "Convento Das Carmelitas")


Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.





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Kleber Godoy é graduado em Psicologia pela Universidade São Francisco e pós-graduando em Acupuntura Tradicional Chinesa pela Faculdade Einstein em parceria com a Associação Brasileira de Acupuntura e o Instituto Brasileiro de Acupuntura e Psicologia. Atualmente trabalha com Psicoterapia Psicanalítica, Psicoterapia De Grupo e Orientação Profissional nas cidades de Piracaia e São Paulo. Entre em contato pelo correio eletrônico: kleberxgodoy@gmail.com

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19 junho 2012

Mais Saúde + Você: Psicoterapia Para O Melhor Viver

Por Kleber Godoy

Nesta seção, como já destacamos no post explicativo sobre seus objetivos, o assunto é sério: saúde. Um tema abrangente, que envolve diversas ciências e, principalmente, a vida de cada um de nós. Assim, buscando criar um espaço para pensar o que podemos fazer para contribuir neste quesito, a cada mês um tema diferente é lançado aqui: hoje falaremos sobre Psicoterapia! É um assunto tão abrangente quanto a própria área da saúde. Ao questionar as pessoas sobre o tema podemos ouvir de tudo, desde que é ótimo ir a um psicólogo até que é completamente dispensável. Vamos tentar clarear um pouco estas opiniões e o porquê delas? A primeira parte deste texto vai mostrar três notícias retiradas da internet ou de revistas da área de Psicologia, abordando os seguintes assuntos: 1) o tempo de duração de um tratamento psicoterápico; 2) os benefícios da psicoterapia para a mudança nas conexões neurais; e 3) a cura da homossexualidade por alguns psicólogos. Após a exposição destas interessantes reportagens que selecionamos para você, segue a proposta de uma reflexão.



PSICOTERAPIA DEVE TER METAS E NÃO SE ESTENDER POR ANOS

Terapeuta dos EUA causa polêmica ao defender que a maioria dos pacientes precisa só de poucas semanas de tratamento e que terapia deve ter objetivos para não ser um "desabafo". Há 15 dias, o psicoterapeuta americano Jonathan Alpert mexeu com os brios dos colegas ao publicar um artigo no "New York Times" em que questionava a eficácia de tratamentos de longo prazo.

Citava um estudo de 2010 no "American Journal of Psychiatric" para dizer que só 10% dos pacientes fazem mais de 20 sessões e um de 2006 no "Journal of Consulting and Clinical Psychology" para afirmar que o progresso cai de 88% para 62% após a 12ª sessão. Culpava os pares. A resposta, diz, veio numa avalanche de e-mails tanto mandando-o para o inferno como elogiando por contestar algo pouco questionado.

Artigos contra e a favor se multiplicaram, cartas de psicanalistas chegaram ao "Times" pedindo cuidado com generalizações e a lista de clientes do psicólogo que atende em Nova York e acaba de lançar "Be Fearless - Change Your Life in 28 Days" (Seja destemido - mude sua vida em 28 dias, que sai no Brasil no fim do ano) cresceu. Mas ele nega que ofereça solução mágica, como acusam os críticos que viram no artigo uma autopromoção.

Sua defesa, diz, é de uma terapia que mostre resultado, em que paciente e analista tracem metas e que não sirva apenas "para desabafar". "Pela minha experiência, a maioria busca ajuda para questões menores e tratáveis: insatisfação no trabalho ou no relacionamento. Não é preciso anos de terapia para isso."

FONTE: Instituto Humanitas Unisinos, 08 maio 2012



OLHAR DO BLOGeste artigo é bastante provocador para a área: quanto tempo deve durar um processo psicoterápico? O psicólogo americano diz que deve ter duração limitada, de poucas sessões e sem enrolação, obtendo assim, respostas raivosas de seus parceiros. Sobre este assunto, baseado em minha atuação profissional, posso dizer que o colega foi um tanto quanto precipitado em suas convicções, pois generalizou toda uma área do conhecimento que é muito abrangente. Posso afirmar ainda que a psicoterapia não tem uma data de término, não dá para se prever quanto tempo irá durar a 'conversa' com meu paciente sobre suas questões. Ao iniciar a terapia o paciente traz uma questão principal e uma ou duas questões secundárias. Conforme as semanas vão passando, o número de perguntas cresce e as respostas vem aos poucos, tanto para mim quanto para eles, seguindo uma lógica que não é a do tempo cronológico, pois a vida é complexa e um ponto se conecta a diversos outros. Neste sentido, depende de diversos fatores: a velocidade em que as mudanças ocorrem, passando pela gravidade do caso, pela personalidade do profissional, pela abordagem de trabalho do profissional, pelas características pessoais que o paciente tem e, também, pela rede de relações afetivas que ela traz (no sentido de que é importante saber o quanto de suporte emocional existe na vida desta pessoa que chega a mim). Há ainda os diversos tipos de psicoterapia, sendo que a Psicoterapia Breve, que se aproxima do discurso do psicólogo da reportagem, realmente dura poucas sessões, pois foca-se em um ponto dos vários que necessitariam de atenção. Em outra extremidade encontramos a Psicoterapia Psicanalítica, que tende a fazer uma análise existencial do paciente e tende a ter uma duração prolongada por muitos anos, dependendo da linha de trabalho adotada pelo profissional. Logo, dependendo do entrelaçamento de todos estes fatores, a psicoterapia pode sim durar alguns anos. No entanto, concordo com o colega quando diz que a psicoterapia deve ter metas, mas também sem rigidez, pois os objetivos do meu paciente e os meus objetivos podem não ser os mesmos, convergindo ou divergindo com o passar das semanas, mas buscando sempre a melhora da condição inicial (a estagnação da condição do paciente com o passar dos meses pode sim indicar um profissional de pouca qualidade). Ultimamente, posso dizer que tenho recebido pacientes que já passaram por análises, mas estas foram mal terminadas, com pontos em aberto, que agora estão agravados pelo tempo e pelas relações que estabeleceram no intervalo entre os tratamentos. É muito perigoso movimentar as coisas dentro de uma pessoa e soltá-la na vida, sem fechar algumas feridas que se abriram ali dentro do consultório.

Kleber Godoy*



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CURA PELA PALAVRA
Neuroimagens mostram que a psicoterapia pode reorganizar circuitos neurais

Uma das principais críticas às ideias de Sigmund Freud sobre o funcionamento da mente é a suposta ausência de comprovação científica, apesar dos resultados práticos no tratamento do sofrimento psíquico e seus sintomas. No entanto, os avanços na técnica de neuroimageamento têm possibilitado o estudo dos efeitos cerebrais do método da “cura pela palavra”.

Duas pesquisas, da Universidade de Amsterdã e da Universidade de São Paulo (USP), mostram que a psicanálise e a psicoterapia causam alterações em áreas neurais relacionadas à tomada de decisões e ao controle das emoções. Pesquisadores holandeses registraram durante quarto meses a atividade cerebral de 35 voluntários diagnosticados com transtorno de estresse póstraumático (TEPT). Parte deles frequentou sessões de psicanálise e o restante não passou por nenhum tipo de psicoterapia. As imagens revelaram que o grupo que fez o tratamento apresentou maior atividade no córtex pré-frontal. Além disso, os pacientes mostraram-se menos aflitos ao falar sobre suas recordações e relataram menor frequência de pesadelos e pensamentos recorrentes.

O outro estudo, do Instituto de Psicologia da USP, avaliou os resultados da terapia cognitiva (TCC) e obteve dados parecidos. O psicólogo Julio Peres acompanhou por dois meses o tratamento de 16 voluntários com TEPT submetidos a sessões semanais de psicoterapia de exposição e reestruturação cognitiva, que consiste em confrontar o paciente com sua experiência traumática e estimulá-lo a reavaliar o próprio medo.

As neuroimagens registradas ao longo do experimento mostraram que a atividade da amígdala – região relacionada à vigilância, à percepção de ameaça e às emoções – diminuiu em comparação com o grupo de controle, formado por 11 pessoas. Esse experimento indica que o tratamento pode modificar circuitos neurais. Segundo Peres, as alterações concentram-se em áreas relacionadas a dores e dificuldades, o que evidencia o potencial terapêutico da psicoterapia.

FONTE: Mente & Cérebro, 07 fevereiro 2012



OLHAR DO BLOG: a questão da cientificidade da psicoterapia, que é buscada na contemporaneidade por muitos pesquisadores americanos e europeus. Neste sentido, afirmo que a psicoterapia é uma relação que se estabelece entre uma pessoa e outra, com uma teoria e uma filosofia ao fundo, ocasionando uma transformação em sentimentos e pensamentos. Logo, uma relação que promove mudanças precisa de cientificidade? O leitor leigo deve estar atento a notícias deste tipo, pois nem tudo na vida cabe nos métodos da ciência e nem tudo a ciência pode medir e comprovar. O importante na atuação da psicoterapia é haver melhora e promoção da saúde de quem nos procura com o passar do tempo, e isso é comprovado pela prática dos psicólogos. O estudo, muito importante em seus resultados, comprova que a psicoterapia modifica redes neurais, o que vai de encontro com o sentido da psicoterapia: reorganizar pensamentos e sentimentos, modificando relações e tornando as pessoas diferentes.

Kleber Godoy*



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CONSELHO PUNE PSICÓLOGA QUE OFERECIA TERAPIA PARA CURAR HOMOSSEXUALISMO

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) decidiu, nesta sexta-feira (31), aplicar uma censura pública à carioca Rozângela Alves Justino, psicóloga que oferecia terapia para curar o homossexualismo. Ela já havia sido condenada à censura pública no Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro em 2007. Resolução do CFP de 1999 proíbe os psicólogos de tratar a homossexualidade como doença, distúrbio ou perversão e de oferecer qualquer tipo de tratamento.

A terapeuta estava sujeita à suspensão do exercício profissional por 30 dias ou, até mesmo, à cassação do registro. Entretanto, os conselheiros decidiram, por unanimidade, que a censura pública era a medida mais adequada no caso. O advogado Paulo Fernando, contratado pela psicóloga, disse que vai recorrer na Justiça Federal contra a decisão do CFP.

Para Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), "a decisão é uma vitória", ainda que parcial. "Foi cumprido o código de ética da profissão", disse.

A ABGLT também fez representação junto ao conselho de ética do CRP do Rio, requerendo a cassação do registro de Rozângela. "Precisamos que essa senhora pare de atuar. Já temos, inclusive, notícias de outros profissionais que têm atuado de mesma forma que ela, principalmente ligados a religiões", apontou Igo Martini, presidente do Centro Paranaense de Cidadania, um das entidades filiadas a ABGLT.

A psicóloga, no entanto, não dá sinais de que parará tão cedo. "Com certeza, vou continuar. Vejo que as pessoas têm direito de procurar esse apoio. É a pessoa que define o quer dentro da psicoterapia. Não sinto vergonha e nunca sentirei de acolher pessoas que querem deixar voluntariamente o estado de homosseuxalidade", afirmou.

Em seu blog na internet, Rozângela, que é evangélica, se diz perseguida pelo Conselho Federal de Psicologia, no que ela chama "Ditadura Gay". Para o julgamento no CFP, ela foi de óculos escuros e máscara, por medo de sofrer represálias nas ruas.

Para Rozângela, as pessoas não são homossexuais, mas "estão" homossexuais. Para defender sua tese, ela cita a classificação da Organização Mundial de Saúde que divide a orientação sexual em bem aceita/assumida pela pessoa (egossintônica) ou mal aceita (egodistônica). "Então, em pessoas cuja homossexualidade seja egodistônica, respeitando a motivação individual para efetuar as mudanças que elas mesmas desejarem, o estado homossexual é passível de mudança", escreve.

Para a militância LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), tal opinião contribui para o preconceito e a negação do homossexualismo tanto pela pessoa quanto pela família, ao postular que existe cura. "Esse tratamento é charlatanismo, pois tanto OMS quanto o Conselho Internacional de Psiquiatria declaram que o homossexualismo não é doença nem transtorno mental. Mesma coisa dizer que vai curar a Aids", fala Igo. "O sofrimento vem da pessoa não aceitar sua condição, não viver bem consigo mesma. Os homossexuais sofrem ainda mais por conta de profissionais como essa senhora e de religiosos que dizem que isso é pecado. Essa postura contribui para que cada vez mais pessoas não saiam do armário", continua.

FONTE: UOL, 31 julho 2009



OLHAR DO BLOG: o último artigo escolhido traz uma psicóloga que ignora diversos pontos do Código de Ética Profissional do Psicólogo, assim como a própria humanização no tratamento psicoterápico. Neste sentido é necessário esclarecer: a homossexualidade não é doença a ser tratada, não necessitando de uma cura, mas o preconceito sim, necessita de cuidado, atenção e até busca de cura, podemos pensar, não? A pessoa que busca tratamento psicoterápico deve ser respeitada em sua subjetividade em todos os sentidos, desde suas escolhas afetivas até sua religião, sendo que minhas opiniões pessoais ficam fora do tratamento de meu paciente. Alguns profissionais não levam isso a sério e maldizem toda uma categoria, divulgando com esta prática que a psicologia não funciona e que não pode ajudar. Peço aos leitores que entendam esta minha escolha de artigo para que possam refletir sobre a seguinte questão: há muitos profissionais ruins atuando por ai afora, mas também há muitos ótimos profissionais, sendo que não é porque você ou alguém conhecido se decepcionou com um deles, que deve se generalizar. O cuidado com o pré-conceito (ou preconceito) tem que permear diversos momentos em nosso dia-a-dia, percebe?

Kleber Godoy*



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Assuntos pesados para uma pequena discussão, não? Mas a proposta aqui é de clarear brevemente alguns pequenos pontos e o restante deixar por conta das reflexões do leitor. Assim, os três textos escolhidos por mim colocam questões importantes para iniciar um processo de reestruturação do pensamento dos leitores leigos no assunto sobre a psicoterapia. Há diversas formas de psicoterapia e diversos tipos de profissionais; o tempo para se encontrar caminhos em suas questões pessoais é muito relativo; ao buscar um profissional de psicologia penso que você deve ‘sentir’ o profissional, se ele é responsável, ético, ‘bom’ e se está lhe dando resultados de alguma forma, sendo que se você se sentir sem adaptação tem todo direito de mudar, buscar outra pessoa; a psicoterapia promove o autoconhecimento, muda as redes neurais, mexe com seus sentimentos e pensamentos, é bom fazer; de outro lado, ela promove reflexões existenciais e isso nem sempre traz risos, muitas vezes traz dor, mas uma dor necessária para o desenvolvimento (e isso explica tanta resistência de algumas pessoas à buscarem um psicólogo: o medo desta dor, da mudança de pontos de vista, do movimento...); a eficácia da psicoterapia começa com você. Converse, busque conhecer mais sobre as alternativas que a área de saúde pode te dar para prevenir a doença e promover a saúde... tente conhecer mais sobre você mesmo e quem sabe encontre uma forma de melhor viver e de melhor ser. Afinal, Mais Saúde + Você."

Kleber Godoy*


Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda. (Carl Gustav Jung, psicanalista)


Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.





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* Kleber Godoy é graduado em Psicologia pela Universidade São Francisco e pós-graduando em Acupuntura Tradicional Chinesa pela Faculdade Einstein em parceria com a Associação Brasileira de Acupuntura e o Instituto Brasileiro de Acupuntura e Psicologia. Atualmente trabalha com Psicoterapia Psicanalítica, Psicoterapia De Grupo e Orientação Profissional nas cidades de Campinas, Piracaia e São Paulo. Entre em contato pelo correio eletrônico: kleberxgodoy@gmail.com

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