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27 fevereiro 2013

Sétima Arte Brasil: Redentor (Cláudio Torres, 2004)

DIREÇÃO: Cláudio Torres;
ANO: 2004;
GÊNEROS: Drama e Fantasia;
ROTEIRO: Elena Soárez, Fernanda Torres e Cláudio Torres;
BASEADO EM: ideia dos roteiristas;
PRINCIPAIS ATORES: Pedro Cardoso (Célio Rocha); Miguel Falabella (Otávio Sabóia); Camila Pitanga (Soninha); Stênio Garcia (Acácio); Fernanda Montenegro (dona Isaura); Fernando Torres (Justo); Jean Pierre Noher (Gutierrez); Enrique Diaz (Moraes); Mauro Mendonça (Noronha); Tony Tornado (Tonelada); Lúcio Mauro (Tísico); Lúcio Andrey (Meio-Kilo); Babu Santana (Júnior); Rogério Fróes (Dr. Soares); Louise Wischermann (Celeste); José Wilker (Dr. Sabóia); Paulo Goulart (ministro); Tonico Pereira (delegado); Guta Stresser (Flávia); Suely Franco (tia de Célio); Fernanda Torres (Isaura jovem), Domingos de Oliveira (Justo jovem), Marcel Miranda (Célio criança) e Guilherme Vieira (Otávio criança).



SINOPSE: "Existem mais coisas entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia. E Célio Rocha (Pedro Cardoso) é prova tão viva quanto morta disto: repórter de um jornal carioca, ele recebe de Deus a missão de convencer seu amigo de infância, Otávio Sabóia (Miguel Falabella), um corrupto construtor, a doar sua fortuna aos pobres." (Cineclick).


"Um roteiro original, atual e brasileiro. O filme retrata os meandros extra-oficiais das negociações de empresários, governos, mídia, polícia, justiça, e ainda aborda a criminalidade, a impunidade, a pobreza, as diferenças sociais, a religião, enfim, temas brasileiros discutidos em um enredo verdadeiro, claro e doloroso do nosso dia-a-dia. Temas pesados tratados de forma pesada, como merecem ser. Não há espaço para o romantismo, o amor, a verdade, a justiça, a beleza, há apenas espaço para a vida dolorosa, pesada e difícil que os personagens representam, seja um empresário milionário, seja um repórter ou sejam pessoas humildes vivendo na linha da pobreza extrema. Seja criança, adulto ou idoso, todos, envolvidos no clima sombrio e cascudo do filme. Há uma única ressalva, que foge um pouco desse perfil, o personagem de Fernando Torres, onde ainda demonstra algumas características mais puras e sinceras no filme. O elenco completamente separado, mas totalmente competente, sem um destaque, onde todos brilham ao máximo."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Cláudio Torres, filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres, irmão de Fernanda Torres... uma família de talento para um enredo cheio de conteúdo significativo: combinação perfeita. Isso sem falar em Pedro Cardoso e Miguel Falabella estrelando com maestria seus papéis, junto a outros grandes nomes como Camila Pitanga, Stênio Garcia e Jean Pierre Noher. Intenso, perfeito, cheio de altos e baixos... indo do céu ao inferno em instantes, sendo que até o céu parece infernal e o questionamento sobre deus (e a ele) aparece a todo momento. Afinal, colocam os personagens, se há tanta frustração na vida, sendo tudo obra de de um todo poderoso... será que este olha para mim? Questionamentos existenciais junto a um toque de comédia dramática bem sutil, no meio de alguns diálogos ou olhares, que somente um grupo afinado de atores poderia fazer. Ah, a presença de José Wilker deu o toque que talvez faltasse ao filme. E assim não faltou nada."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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14 fevereiro 2013

Clodovil: Para Que Ser Coerente Se A Vida É Uma Incoerência

A cada postagem desta sessão homenageamos alguém que fez a diferença em sua vida pública, que de alguma forma tocou os corações e as vidas das pessoas com quem teve contato. Hoje trazemos uma figura um tanto quanto controversa que mostrou durante toda sua vida muita polêmica, talento, arte, cultura e uma personalidade difícil, sendo que tudo isso junto o fez passear pelo palco da vida sendo ator, estilista, cantor, figurinista, apresentador e até mesmo político. Um nome importante, inclusive, para a difusão dos talentos no Brasil no exterior, conhecido internacionalmente por suas criações de vestidos para noivas. Homenageamos hoje, Clodovil Hernandes.


Clodovil Hernandes nasceu em Elisiário, no interior do estado de São Paulo, como o nome de Clodovir Hernández. Era filho adotivo de Domingo Hernández e Isabel Sánchez, um casal de imigrantes espanhóis naturais da região da Andaluzia. Logo após seu nascimento, a família se mudou para Floreal, onde Domingo Hernández se tornou dono de uma loja de tecidos. Clodovil descobriu que não era filho biológico de seus pais adotivos aos onze anos de idade, quando uma tia lhe contou. Segundo ele próprio, a adoção nunca foi um problema, e seus pais morreram sem saber que ele sabia. Ele também jamais soube quem foram seus pais biológicos.

Clodovil sempre teve um relacionamento mais próximo com sua mãe, que foi 'a única mulher que amou em sua vida'. Segundo Clodovil, a mãe não lhe quis quando chegou, porque não queria aquela 'coisa feia'. Felizmente, porém, Isabel aprendeu a amá-lo com o convívio. Clodovil diz que, apesar de nunca ter gostado muito do pai, sempre o respeitou; certo dia, quando lhe respondeu de maneira atravessada, levou um forte tapa na orelha que lhe deixou com um problema de audição. Aos treze anos, Clodovil viu seu pai tendo relações sexuais com outro homem, um cunhado. Clodovil diz que nunca tocou no assunto com o pai, o qual morreu sem saber que ele viu a cena. Por causa desse episódio, Clodovil disse que 'deveu o norte de sua vida' a seu pai.

Clodovil aos 5 anos de idade com os pais adotivos

Clodovil aos 15 anos
'Mas devo o norte da minha vida ao meu pai, apesar de eu nunca ter gostado muito dele. Digo isso porque a primeira vez que vi um homem com outro foi o meu pai. Eu tinha treze anos. E nunca desrespeitei o meu pai.' (Clodovil)

O interesse de Clodovil por moda começou ainda criança, quando ele dava palpites de vestuário para a mãe, as tias e as primas, escondido do pai, que não podia saber. Quando estava estudando em um colégio interno católico, recebeu o apelido de 'Jacques Fath', um costureiro francês famoso da época. No último ano do normal, aos dezesseis anos, uma colega lhe perguntou por que não desenhava vestidos, embora Clodovil nem sequer conhecesse essa profissão. Pegou então uma página de caderno e desenhou onze vestidos. Numa loja do centro de São Paulo, vendeu seis desses. Diz que ganhou mais dinheiro do que a mesada que o pai lhe mandava, e iniciou assim sua trajetória na moda. Desistiu então da Faculdade De Filosofia e, em 1960, conquistou seu primeiro Prêmio Agulha De Ouro. Com talento, ele conquistou clientes da alta sociedade de São Paulo. Na época também começou a chamar atenção a 'rivalidade' de Clodovil com Dener Pamplona de Abreu, outro estilista conhecido da época. Na realidade, eles eram mais amigos e colegas de profissão do que competidores.



O talento de Clodovil para a moda foi reconhecido por mulheres de variadas origens sociais, desde artistas como Elis Regina e Cacilda Becker a empresárias como Hebe Alves (antiga proprietária das lojas Mappin) e às famílias Diniz e Matarazzo. Pioneiro, por anos seria um dos pilares da alta-costura, numa sociedade que importava modelos europeus, inaugurou uma moda made in brazil. Segundo Constanza Pascolato, 'Esse termo [alta-costura] cabe especificamente às coleções de Paris. Podemos dizer que o Clô fez uma 'moda de ateliê' muito requintada e luxuosa, destinada a ocasiões específicas, como casamentos e coquetéis', define.

Clodovil formou-se professor, mas ainda jovem se tornou um estilista conhecido no país e logo passou a trabalhar também na televisão, na qual acumulou mais de 45 anos de carreira em quase todas as emissoras de televisão do país. Ficou famoso em 1976, ao ganhar o prêmio máximo no programa 8 ou 800?, apresentado por Paulo Gracindo, ao responder perguntas sobre Dona Beja.

No início dos anos 80, apresentou na Rede Globo o programa feminino TV Mulher, considerado revolucionário na época, ao lado da então sexóloga Marta Suplicy. Em 1992, apresentou o programa Clodovil Abre O Jogo da extinta Rede Manchete. Clodovil foi também premiado figurinista de teatro, além de ter trabalhado como ator. Possuía registro como cantor.

Dener e Clodovil
Em maio de 2001, Clodovil estreou no comando do programa Mulheres da TV Gazeta, ao lado de Christina Rocha. Polêmico como sempre, Clodovil fazia críticas à colega, ao vivo. Após alguns meses, a parceria foi desfeita, e Clodovil passou a comandar um talk-show nas noites da TV Gazeta, durante as quais preparava receitas para receber seus convidados e tratava de temas polêmicos.

A despeito da vida de 'glamour' e fama, fazia questão de demonstrar sua espiritualidade e sempre evidenciar o amor recíproco entre ele e seu grande amor, citando Deus de forma recorrente nos diálogos e entrevistas: 'Eu não sou briguento. Como eu poderia ser? Eu sou temente a Deus.'

'Talento eu tenho, e isso ninguém me tira!' (Clodovil)

Em 2004, já na RedeTV!, passou por uma fase polêmica devido ao desentendimento com integrantes do programa Pânico Na TV. Um dos quadros do programa propunha que personalidades consideradas arrogantes pela equipe calçassem as 'sandálias da humildade', e em certo momento Clodovil tornou-se o alvo dos humoristas. O apresentador se esquivou de duas investidas dos repórteres do Pânico. Na terceira tentativa, foi perseguido por dois carros, um helicóptero e um trio elétrico. Seguido desde os estúdios da emissora, em Barueri, na Grande São Paulo, o veículo do apresentador foi fechado no meio da Marginal Pinheiros, e acabou por escapar.



No dia seguinte à apresentação de todo o incidente no Pânico, Clodovil fez um desabafo ao vivo em seu próprio programa, A Casa É Sua, que apresentava desde 2003. Seu programa passou a ser gravado. Meses depois, ao criticar uma apresentadora da casa pelo modo que aparecera vestida em uma festa, foi demitido. Em abril de 2007, Clodovil voltou à televisão com o programa Por Excelência, na TV JB (o nome do programa faz referência à sua então condição de deputado federal). Pediu demissão por causa de alguns problemas de saúde.

Em 2004, durante o programa A Casa É Sua, Clodovil chamou a vereadora Claudete Alves de 'macaca de tailleur metida a besta'. A vereadora entrou com uma queixa-crime e o apresentador respondeu por dois processos criminais no Tribunal de Justiça de São Paulo. Clodovil alegou em sua defesa que a palavra 'macaca' foi usada com o intuito de demonstrar que a vereadora 'gostava de aparecer', e não com conotação racista. O apresentador, porém, foi condenado a pagar indenização por danos morais.

Em uma entrevista à Rádio Tupi, em 27 de outubro de 2006, Clodovil declarou que os judeus teriam manipulado o Holocausto e forjado o atentado de 11 de setembro contra o World Trade Center. Na mesma entrevista, referiu-se a um negro como 'crioulo cheio de complexo'. Para suportar suas opiniões, disse à rádio carioca que existe um 'poder escuso, que está no subsolo das coisas'. Segundo o apresentador, 'As pessoas são induzidas a acreditar. Quando houve aquele incidente com as torres gêmeas lá não tinha americano nenhum e nem judeu.'


O presidente da Federação Israelita do Rio, Osias Wurman, declarou-se indignado com as declarações, sobretudo por virem de uma pessoa advinda de uma minoria que também sofre preconceito. Wurman entrou com uma interpelação judicial contra Clodovil, acusando-o de racista, além de enviar cópias do áudio da entrevista à Secretaria Estadual de Direitos Humanos, a deputados estaduais e a organizações não-governamentais ligadas ao movimento negro.

Em 2007, envolveu-se em nova polêmica no Congresso, após discutir com a deputada Cida Diogo, do PT do Rio de Janeiro. A discussão iniciou por conta das declarações de Clodovil de que 'as mulheres ficaram muito ordinárias, ficaram vulgares, cheias de silicone' e ainda que atualmente 'as mulheres trabalham deitadas e descansam em pé.' Ao ser questionado pela deputada quanto à declaração, respondeu: 'Digamos que uma moça bonita se ofendesse porque ela pode se prostituir. Não é o seu caso. A senhora é uma mulher feia'.

Em 2006 entrou para a política após candidatar-se e eleger-se deputado federal pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), possuindo inclusive o terceiro maior número de votos em São Paulo, estado por onde se candidatou. Usou bastante ironia em sua campanha, como a frase: 'Vocês acham que eu sou passivo? Pisa no meu calo para você ver…' Tornou-se então o primeiro homossexual assumido a ser eleito deputado federal. Apesar disso, declarava-se contra a Parada Do Orgulho GLBT, o casamento gay e o movimento homossexual brasileiro.


'Eu vivo apaixonado por alguma coisa que eu não sei o que é' (Clodovil)

Em setembro de 2007 o deputado decidiu trocar de partido e filiou-se ao Partido da República (PR), correndo desde então o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. No entanto, em 12 de março de 2009, foi absolvido por unanimidade dos votos, Clodovil deixou o partido alegando ter sido abandonado pela legenda desde a eleição, quando não recebeu material de campanha, e posteriormente, quando não recebeu assessoria jurídica do partido. Devido a isso, os ministros do TSE concordaram que houve perseguição interna, uma das condições que permitem que o parlamentar troque de legenda.


Mesmo com sua vida atribulada e curta, teve tempo para propor, ter aprovação de alguns. Em julho de 2008, apresentou proposta de emenda constitucional pretendendo reduzir o número de deputados de 513 para 250. Em 27 de março de 2009, dez dias depois da sua morte, três de seus projetos foram aprovados na Comissão de Constituição e Justiça: 1) a obrigatoriedade das escolas divulgarem a lista de material escolar 45 dias antes da data final para a matrícula; 2) a criação do Dia da Mãe Adotiva, uma homenagem à sua mãe adotiva Isabel Hernandes, e; 3) a obrigatoriedade da menção dos nomes dos dubladores nos créditos das obras audiovisuais dos quais eles tenham participado.

Clodovil Hernandes morreu em 17 de março de 2009, após ser registrada sua morte cerebral causada por um acidente vascular cerebral (AVC). O velório ocorreu no Salão Nobre da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e o sepultamento teve lugar no dia seguinte à morte no Cemitério do Morumbi na capital paulista, onde já se encontravam os restos mortais de sua mãe adotiva.


O estilista, apresentador e político Clodovil Hernandes foi homenageado com um memorial em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, onde viveu por décadas. O espaço, com dezenas de objetos e mobílias do luxuoso casarão que ele possuía na região, foi inaugurado em novembro de 2009. Por outro lado, a mansão de Clodovil, com mais de 30 cômodos, e que ostentava uma decoração milionária, está vazia. 'Não tem mais nem um banquinho para sentar se você precisar', lamenta o amigo e fiel escudeiro, João Toledo. Foi dele a ideia de montar o espaço em homenagem ao amigo. O dinheiro, entretanto, saiu do bolso dos empresários Mauricio Abraão e Eugenio Camargo, proprietários da Pousada Cavalo Marinho, que sedia o memorial.

'Os bens de Clô estavam se dizimando', explica Toledo. Ele se refere ao leilão realizado em São Paulo dos objetos do apartamento funcional de Brasília. 'Soube de um bazar que seria realizado aqui em Ubatuba e sugeri aos donos da pousada comprar os objetos que ainda restavam para criar esse espaço', conta. O acervo inclui louças personalizadas com o brasão de Clodovil, uma enorme mesa estilo japonesa, um conjunto de pratos da indonésia, e até taças de cristal presenteadas pelo ator Grande Otelo, entre outras peças. O que também não faltou foram histórias sobre o polêmico e ilustre morador de Ubatuba, o deputado com maior número de votos na história da cidade litorânea. Clô foi entrevistado por Antônio Abujamra em seu programa Provocações, exibido pela TV Cultura em 24 de agosto de 2003, divido awui em duas partes:



Abaixo, a lista de programas de TV apresentados por Clô:

1980 a 1982 | TV Mulher | Rede Globo

1983 | Clodovil | Rede Bandeirantes

1983 a 1985 | Manchete Shopping Show | Rede Manchete

1985 a 1988 | Clô Para Os Íntimos | Rede Manchete

1991 a 1993 | Clodovil Abre O Jogo | Rede Manchete

1993 a 1994 | Clodovil Frente E Verso | CNT

1993 a 1994 | Clodovil Em Noite De Gala | CNT

1995 a 1996 | Retratos | CNT

1998 | Clodovil Soft | Rede Bandeirantes

1999 | Clodovil | Rede Mulher

2001 | Clodovil Frente E Verso | CNT

2001 a 2002 | Mulheres | Rede Gazeta

2002 | Clodovil | Rede Gazeta

2003 a 2005 | A Casa É Sua | RedeTV!

2007 | Por Excelência | TV JB




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01 novembro 2012

Marília Gabriela: Nunca Me Queixo

Marília Gabriela Baston de Toledo, segundo o site do GNT, onde tem programa de entrevistas, é a melhor entrevistadora do país. Além de seu programa no canal fechado também apresenta seu bate-papo com convidados na TV aberta, no SBT. Nasceu em Campinas em 31 de maio de 1948 e tem múltiplas profissionais dentro de si: é jornalista, entrevistadora, apresentadora de televisão, atriz, psicóloga, cantora e escritora. E além disso, hoje, nossa homenageada do mês aqui em "O Teatro da Vida"!


Marília iniciou sua carreira de jornalista em 1969, como estagiária do Jornal Nacional da Rede Globo. No mesmo ano, foi chamada para ser apresentadora do telejornal Jornal Hoje, em São Paulo. Em 1973, estreou no Fantástico, com uma reportagem sobre o aniversário de morte de Carmen Miranda. Logo depois, ela foi contratada para ser repórter especial do 'Fantástico', fazendo viagens por todo Brasil. Em 1980, Marília passou a ser âncora do programa '
TV Mulher, com co-apresentação do jornalista Ney Gonçalves Dias e quadros especializados com, por exemplo, a então sexóloga Marta Suplicy, o estilista Clodovil Hernandez, o cartunista Henfil, entre outros.

Gravou dois discos pela Som Livre e pela Universal Music, intitulado 'Perdida De Amor', com participações de Simone e Caetano Veloso. Depois de deixar o programa 'TV Mulher', em 1984, foi correspondente da TV Globo na Inglaterra, por cerca de seis meses, além de matérias especiais de Nova Iorque para o programa 'Fantástico'. Descontente, aceitou proposta de Johnny Saad para mudar para a Rede Bandeirantes. A partir de 1985, apresenta o programa Marília Gabi Gabriela, já na TV Bandeirantes.


Com os baixos índices de audiência, deixou o programa de variedades para apresentar exclusivamente o de entrevistas que marcou a carreira e lhe trouxe a fama de a maior entrevistadora da TV brasileira, o Cara A Cara, ao final das noites de domingo. De 1987 a 1994 apresentou o Jornal Bandeirantes, o programa Cara A Cara, no qual entrevistou políticos e personalidades nacionais e internacionais. No período da primeira eleição para presidente, após o Golpe de 64, Marília destacou-se por mediar o primeiro debate entre os candidatos Lula e Fernando Collor de Mello, também pela Band.

Depois de deixar a emissora, foi contratada pela Rede CNT para apresentar um programa de entrevistas no horário nobre pelo salário recorde de 1 milhão de reais por mês. Foi o maior salário jamais pago a um jornalista brasileiro. Mas a experiência durou pouco. Em 1997, ela foi contratada pelo SBT, onde apresentou o SBT Repórter durante quatro anos. Nessa mesma emissora apresentou De Frente Com Gabi, programa inicialmente semanal que, a partir de maio de 2002, passou a ser apresentado de segunda a sexta-feira. Neste programa foi ao ar a polêmica entrevista com a cantora Madonna; houve alguns desentendimentos entre as duas, o que levou a entrevista a um grande constrangimento. Atualmente, ela apresenta o programa Marília Gabriela Entrevista no canal a cabo GNT, exibido no Brasil e em Portugal. Gabi também teve uma breve passagem pela RedeTV!, onde apresentou o clássico formato de entrevistas nos finais de noite.


Gabi estreou como atriz de teatro em 2001, protagonizando a peça 'Esperando Beckett', escrita e dirigida por Gerald Thomas. Participou também, como atriz, de filmes e telenovelas. Na telenovela 'Senhora Do Destino', de Aguinaldo Silva, Marília Gabriela interpretou duas personagens em fases distintas: Josefa Medeiros Duarte Pinto, uma jornalista no período da ditadura militar, e sua filha, Guilhermina de Medeiros Duarte Pinto Lefevre. É uma das protagonistas da série escrita por Aguinaldo Silva sobre a vida de 3 mulheres maduras, chamada 'Cinquentinha'. Suzana Vieira e Betty Lago completariam o trio.

Depois de priorizar a carreira de atriz na Rede Globo, e também de comandar Marília Gabriela Entrevista no canal a cabo GNT, retornou ao SBT em junho de 2010 para reapresentar De Frente Com a Gabi. Em 6 de julho de 2010 assinou contrato com a TV Cultura para apresentar o programa Roda Viva, com a manutenção do programa no SBT aos domingos. Sendo assim, Marília Gabriela passa a apresentar três programas em três emissoras diferentes simultaneamente. Depois de um ano na TV Cultura o SBT decidiu exclusividade da apresentadora em tv aberta.


Marília Gabriela cursou o ensino primário no 8º Grupo Escolar do Bonfim, atual Escola Estadual Dom João Nery, localizado na Avenida Erasmo Braga, em Campinas. O primeiro marido de Marília Gabriela foi Reinaldo Haddad, com quem se casou em 1970 e após anos de casamento, ficou viúva. De 1976 até 1986, ela foi casada com Zeca Cochrane, pai dos dois filhos: Christiano Cochrane, apresentador do canal GNT, e Theodoro Cochrane, ator. Em 1999, após um ano de namoro, Marília Gabriela casou-se com o modelo e ator Reynaldo Gianecchini. No dia 27 de outubro de 2006, a assessoria de imprensa anunciou a separação do casal. Abaixo entrevista concedida ao programa Agora É Tarde da Bandeirantes:



Abaixo um breve lista dos trabalhos de Gabi:


ATRIZ

2009 | Cinquentinha | Televisão | Série | Globo | Personagem: Mariana Santoro

2008 | Bellini E O Demônio | Cinema | de Marcelo Galvão
2008 | Sexo Com Amor? | Cinema | de Wolf Maya | Personagem: Monica
2008 | Aquela Mulher | Teatro

2007 | Duas Caras | Televisão | Novela | Globo | Personagem: Guigui (Margarida McKenzie Salles Prado)

2006 | Sob Nova Direção | Televisão | Série | Globo | Personagem: Rebeca
2006 | JK | Televisão | Série | Globo | Personagem: Celita Bueno Cavallini
2006 | Lady Macbeth | Teatro

2004 | O Diabo A Quatro | Cinema | de Alice De Andrade | Personagem: Regina
2004 | Senhora Do Destino | Televisão | Novela | Globo | Personagem: Josefa de Medeiros Duarte Pinto / Maria Guilhermina de Medeiros Duarte Pinto Lefevre

2003 | Gregório De Mattos | Cinema | de Ana Carolina | Personagem: Abadessa

2002 | Avassaladoras | Cinema | de Mara Mourão | Personagem: Débora

2001 | Esperando Beckett | Teatro

1997 | Ed Mort | Cinema | de Alain Fresnot | Personagem: Silva 2


APRESENTADORA

2012 | Saturday Night Live | RedeTV!
2012 | Reviva | Viva

2010-Presente | De Frente Com Gabi | SBT
2010-2011 | Roda Viva | Cultura

2002-2004 | De Frente Com Gabi | SBT

2000 | Gabi | RedeTV!

1998-Presente | Marília Gabriela Entrevista | GNT

1996 | Aquela Mulher | GNT
1996 | First Class | SBT

1995 - 2000 | SBT Repórter | SBT

1987-1994 | Cara A Cara | Band

1985 | Marília Gabi Gabriela | Band

1980-1984 | TV Mulher | Globo


CANTORA

2002 | Perdida De Amor

1982 | Marília Gabriela


ESCRITORA

2008 | Eu Que Amo Tanto




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21 setembro 2012

Sétima Arte Brasil: Orfeu (Cacá Diegues, 1999)

DIREÇÃO: Cacá Diegues;
ANO: 1999;
GÊNEROS: Drama e Romance;
BASEADO EM: peça de teatro de Vinícius de Moraes;
PRINCIPAIS ATORES: Toni Garrido (Orfeu); Patrícia França (Eurídice); Murilo Benício (Lucinho); Zezé Motta (Conceição); Milton Gonçalves (Inácio); Isabel Fillardis (Mira); Maria Ceiça (Carmen); Stepan Nercessian (Pacheco); Maurício Gonçalves (Pecê); Lúcio Andrey (Piaba); Eliezer Motta (Stallone); Mary Sheila (Be Happy); Sérgio Loroza (Coice); Silvio Guindane (Maicol); Castrinho (Oswaldo); Nelson Sargento (Ele mesmo); Cássio Gabus Mendes (Pedro) e Caetano Veloso (Ele mesmo).



SINOPSE: "Orfeu (Toni Garrido) é um popular compositor de uma escola de samba carioca. Residente de uma favela, ele se apaixona perdidamente quando conhece a bela Eurídice (Patrícia França), uma mulher que acaba de se mudar para o local. Mas entre eles existe ainda Lucinho (Murilo Benício), chefe do tráfico local, que irá modificar drasticamente a vida de ambos." (Adoro Cinema).


"Uma tentativa acertada de enquadrar o mito de Orfeu na cultura brasileira, tornando um Orfeu brasileiro filho da periferia e com sua música abrindo um outro caminho além daquele 'único', o da criminalidade. Orfeu e Eurídice são representações fieis aos seus correlatos da mitologia grega, assim como sua história, já os outros personagens brasileiros dizem pouco, ou nada dizem, sobre a mitologia grega. As atuações de Toni Garrido e Patrícia França ficam aquém das interpretações dos atores secundários da trama. Milton Gonçalves e Zezé Motta, sendo os atores não protagonistas que mantém a graça no filme, assim como a emotiva, bela e excepcional música tema. Como história de amor, excelente, nada melhor. Mas como cinema, algo a desejar."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"O mito grego de Orfeu e Eurídice é um dos mais lindos (e trágicos, por isso romântico) contos de ficção que conhecemos, mas como se isso não bastasse, Vinícius de Moraes dá sua forma a esta histórica, nos presenteando com uma peça baseada no mito, escrita nos anos de 1950. O filme de Cacá Diegues mostra uma adaptação da peça com excelência em atuação, montagem, figurino e, claro, trilha sonora. Orfeu e Eurídice tentam viver seu amor impossível, mas não impossível por viverem em mundos diferentes, mas sim por chamarem tanta atenção dos outros com seus talentos: o maior poeta e a mais bonita mulher. Por ela ele deixa casa, família e comunidade e por ele ela é capaz de ficar e ali viver: ambos abrem mão de suas vidas individuais para viver uma em casal. Mas no emaranhado da paixão surgem diversos outros personagens: Lucinho, o chefe do tráfico da favela, atraído por Eurídice e com inveja de seu amigo de infância talentoso; a tia de Eurídice, eternamente apaixonada por Orfeu, vivendo e revivendo a amargura de ter sido deixada; e a mãe de Orfeu, que tem sobre ele um controle edípico impressionante, aterrorizada com a possibilidade de perder seu filho para outra mulher. Para ilustrar bem esta bela história de amor, destaque para as atuações de: Zezé Motta, Milton Golçalves e Isabel Filardis. E, claro, para a aparição e música de Caetano Veloso."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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26 julho 2012

Sétima Arte Brasil: A Suprema Felicidade (Arnaldo Jabor, 2010)

DIREÇÃO: Arnaldo Jabor;
ANO: 2010;
GÊNEROS: Drama;
ROTEIRO: Arnaldo Jabor e Ananda Rubinstein;
BASEADO EM: ideia de Arnaldo Jabor;
PRINCIPAIS ATORES: Jayme Matarazzo (Paulo jovem); Michel Joelsas (Paulo adolescente); Caio Manhente (Paulo criança); Marco Nanini (Noel); Dan Stulbach (Marcos); Mariana Lima (Sofia); Elke Maravilha (Avó); César Cardadeiro (Cabeção jovem); Matheus Varize (Cabeção adolescente); Tammy Di Calafiori (Marilyn); João Miguel (Bené); Emiliano Queiroz (Pregoneiro); Maria Flor (Deise); Maria Luísa Mendonça (Cafetina); Ary Fontoura (Padre) e Jorge Loredo (Padre).




SINOPSE: "O filme retrata uma família de classe média moradora de um subúrbio carioca. Ao longo do filme são expostos os dramas dos personagens utilizando como referência diferentes épocas na vida de Paulo, filho único da família composta pelo pai Marco (Dan Stulbach), pela mãe Sofia (Mariana Lima), pelo avô Noel (Marco Nanini) e pela avó (Elke Maravilha)." (wikipedia).


"O Jabor nos apresenta o seu mais recente filme, que parece nos mostrar uma representação da sua infância, ou ao menos, a representação clássica da infância da maioria das pessoas de sua época. Família de classe média, com seus problemas peculiares, onde aos poucos vai se descobrindo a vida, suas primeiras experiências, seus amigos, e ao mesmo tempo, vai se descobrindo, de forma dolorosa, que seus pais não são aqueles seres perfeitos, incapazes de cometerem erros. Mas há sempre a avó ou o avô, neste caso, que traz o lado feliz da vida e faz com que sua infância possa ser vivida como tal, cheia de fantasias e brincadeiras. A fotografia e o figurino são perfeitos, assim como a atuação do grande elenco do filme. Nos faz comparar, inevitavelmente, com outro filme que retrata a infância e o passado de seu diretor, 'Amarcord (Amarcord, Federico Fellini, 1973)'. Um belo regresso ao passado e a infância, onde se conseguia chegar à Felicidade Suprema com mais frequência e em sua maior vivência."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Um excelente filme dirigido por um grande diretor que retorna à atividade cinematográfica após 26 anos atuando de outras formas. Jabor é um crítico formidável, utilizando de toda sua ironia e sarcasmo para cutucar os temas profundos da sociedade e para fazer refletir, o que não deixa de fazer também no cinema e tudo com muita poesia. Certa vez em uma entrevista ele disse do quanto se desanima para fazer cinema porque se leva muitos anos em todas as etapas até finalizar e, no fim, nem sempre é dado o valor que se deve. No entanto, vemos na tela uma grande obra que mostra que apesar de ser difícil fazer cinema de qualidade no Brasil, Jabor não desistiu, que bom. Assim, Jayme Matarazzo, Maria Luisa Mendonça, Marco Nanini, Dan Stulbach, Mariana Lima, Maria Flor, Tammy Di Calafiori... todos dão um show, e vão no embalo de Arnaldo Jabor, atuando com muita leveza e sensibilidade em busca dessa tal felicidade, para nos mostrar que na felicidade também há tristeza. Um enredo sofisticado, um elenco afinado e muita sutileza na fotografia para mostrar que a felicidade está no mais simples, no menos sofisticado, na morte, no amor, na loucura... dentro e fora de cada um de nós. Enfim, cinema antigo, cinema de qualidade, cinema de saudade, cinema brasileiro."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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