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14 janeiro 2012

1001 Filmes: Aguirre, A Cólera Dos Deuses (Aguirre, Der Zorn Gottes)


DIREÇÃO: Werner Herzog;
ANO: 1972;
GÊNEROS: Aventura e Drama;
NACIONALIDADE: Alemanha Ocidental;
IDIOMA: Alemão;
ROTEIRO: Werner Herzog;
BASEADO EM: Fatos Históricos;
PRINCIPAIS ATORES: Klaus Kinski (Lope de Aguirre); Helena Rojo (Inez de Atienza); Ruy Guerra (Don Pedro de Urzúa); Del Negro (Padre Gaspar de Carvajal); Peter Berling (Don Fernando de Guzman); Cecilia Rivera (Florés de Aguirre); Daniel Ades (Perucho); Edward Roland (Okello); Armando Polanah (Armando); Alejandro Repullés (Gonzalo Pizarro) e Justo González (González).




SINOPSE: "No século XVI, uma expedição de conquistadores espanhois se embranha na parte peruana da selva amazônica em busca de Eldorado, o reino de ouro perdido. Um ambicioso aventureiro, Lope de Aguirre, derruba do comando seu superior e passa a dar ordens a um grupo de pessoas que se separa dos demais para cumprir uma missão. Porém, aos poucos, a selva vai provocando loucura e obsessão, além de dizimar os membros da expedição." (Cineplayers).


"A dinâmica deste filme, a intensidade, a abordagem é algo novo presente nesta história. O filme todo se passa na selva, e boa parte dele sobre embarcações dentro dos rios da Amazônia. Ao mesmo tempo em que o filme não traz emoções e agilidade, ele é muito dinâmico, dentro da sua proposta de enredo. A intensidade de atuação é muito real e forte, talvez despertada pela loucura, e até pela ameça de morte, do próprio diretor. A sua história, pode parecer muito desconexa, sem sentido e desinteressante, mas conforme o filme vai se desenrolando, aqueles personagens que parecem zumbis dentro da selva vão criando um ambiente de indefinição e extermínio. É um filme único, talvez não encontremos nada desse tipo em nossa jornada e de tão diferente, acaba sendo pesado e denso demais para uma repetição a curto e médio prazo."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Baseado em uma história real, a do aventureiro Lope de Aguirre, o filme se passa pouco depois da descoberta de nossas terras e mostra a ânsia por poder de um homem com pouca sanidade, que ao se encontrar em situação limite, coloca toda sua loucura para trabalhar. É interessante citar que o próprio ator que interpretou o líder Aguirre também se considerava um pouco louco, sendo uma pessoa de temperamento explosivo e variações de humor constantes. Este, Klaus Kinski, era o ator preferido do diretor Werner Herzog e talvez muito da voracidade que encontramos nas cenas deste filme, e de outros em que os dois trabalharam juntos, deve-se ao relacionamento conturbado entre eles, talvez porque Herzog desejasse ter poder sobre as atuações de alguém que não aceitava rédeas. A história do filme se detém nesta situação limite de pessoas vindas da Europa para se aventurarem Rio Amazonas abaixo, enfrentando ambiente e habitantes desconhecidos e agressivos. Herzog talvez quisesse mostrar exatamente como estas pessoas agiriam com o estresse causado pelo contexto e retirar deles seus momentos menos sãos. A própria história da produção do filme é uma epopéia, com os desentendimentos entre o diretor e Kinski, com alemães atuando e vivendo por várias semanas às margens e dentro do Rio Amazonas. Talvez eles buscassem o Eldorado que a expedição espanhola também almejou conhecer séculos atrás. Com imagens muito reais da força do rio e da agressividade das pessoas, eis a história de um homem que viajava em direção à cidade do ouro, mas que na verdade só queria poder e reconhecimento, indo até as últimas conseqüências de sua sanidade. Um filme com o tema 'coragem' de perseguir por águas tortuosas os objetivos almejados. Não se é feliz se não se for um pouco louco."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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17 novembro 2011

Sétima Arte Brasil: Os Fuzis (Ruy Guerra, 1964)

DIREÇÃO: Ruy Guerra;
ANO: 1964;
GÊNEROS: Drama;
ROTEIRO: Ruy Guerra, Miguel Torres e Pierre Pelegri;
BASEADO EM: ideia de Ruy Guerra;





SINOPSE: "Nordeste, 1963. Durante a seca, na Bahia, grupo de soldados, entre eles Mario, é enviado a uma pequena cidade do interior para impedir que os habitantes esfomeados saqueiem os armazéns locais." (Cineclick).



"Um filme pesado, feio, que mostra a miséria de um povo, sua marginalidade, opressão, fome, desamparo, desespero, silêncio, conformismo, alienação. Um retrato de um povo sem voz, sem cara, sem vida, sem brilho, sem sentimento ou pensamento, que repete de forma automática aquilo tudo que seus antecessores viveram, perpetuando sua insignificância eterna, sem rodeios, maquiagens, efeitos especiais ou máscaras, tudo mostrado da forma que é, sem medo, pudor, respeito, cuidado. Isso é o Cinema Novo, e Os Fuzis, um representante perfeito. Vale um sentimento pessoal: ao ver a cena dos soldados comendo ao redor de um corpo, me veio instantaneamente a música 'De Frente Pro Crime (João Bosco e Aldir Blanc)' (música cantada pela Simone e que pode ser ouvida clicando no nome da música e indo até o final da postagem, dando play na faixa 29) que diz: '...ta lá o corpo estendido no chão, em vez de reza uma praga de alguém, e um silêncio servindo de amém, o bar mais perto depressa lotou...'. Apesar de ter sido feita uma década depois, podia perfeitamente ser a trilha do filme, mas, claro, se o filme não fosse de Ruy Guerra, que jamais permitiria algo do tipo, mesmo a música sendo perfeitamente brasileira, seja pela letra, melodia ou voz, mas ainda assim, seria considerada algo do capitalismo. Sugiro, para quem como eu não é entendedor de Ruy Guerra, Cinema Novo ou Cinema Nacional ler o artigo 'O sertão de Boi-Jesus, armas e miséria em Os Fuzis: o cinema novo de Ruy Guerra (Jefferson Eduardo Pereira Bessa; História, imagem e narrativas; nº 5, ano 3, setembro/2007)' antes de assistir o filme. Esta leitura facilitará bastante a interpretação. E vivas para a provocação do Cinema Novo, da qual, não me apetece!"

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Apesar de ser bem considerado, na história do cinema nacional, achei um tanto quanto cansativo, com narrações esquisitas e imagens igualmente estranhas que se demoram no culto a um boi que traria alimento e água para o povo sofrido que ora. Estas imagens acabam por diluir as atuações e o drama da história. Logo, com um roteiro lento, demorou um pouco para eu entender o que o boi cultuado significava e acredito que se o desejo era o de discutir a política da época no país e a formação cultural do povo, podiam fazer isso de outras formas mais bonitas, mas a época cinematográfica de Cinema Novo estava apenas começando e temos que entender isso. Assim, após a queda da Companhia Vera Cruz era isso que se podia fazer. Talvez um roteiro mais condensado, focando nas relações entre os personagens principais da história e sua interação e angustias traria um novo ar a esta obra. Enfim, detesto fazer crítica negativa, mas acredito que quando fortes argumentos a embasam vale a pena, e mais ainda se trouxer outras alternativas para o que não se gosta. Um ponto forte do filme é a tentativa de se discutir o fanatismo religioso, não deixando de criticar a situação política do país, sendo interessante a carga de desesperança do povo em Deus quando da morte do boi."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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