07 setembro 2007

Homenagem do Teatro da Vida a Luciano Pavarotti

Por Kleber Godoy e Jonathan Pereira

*A redação abaixo é composta pela reprodução textos postados na BBC BRASIL.COM. Conta um pouco da biografia de Luciano Pavarotti, curiosidades de sua vivência profissional, assim como descreve manifestações de colegas do meio artístico pelo fato de sua morte. Fica registrado, então, o nosso afeto nesse momento em que o mundo perde um ser tão especial. Um ser que marcou sua presença.

"O mundo inteiro está escutando hoje a sua voz em todas as estações de rádio e televisão. E isso vai continuar. E esse é o seu legado. Ele nunca vai parar." Maestro Zubin Mehta
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Pavarotti foi um dos maiores tenores de todos os tempos

O cantor italiano iniciou sua carreira em 1961 e popularizou a ópera Um dos maiores cantores de ópera do mundo, o tenor Luciano Pavarotti morreu na madrugada desta quinta-feira, aos 71 anos, vítima de câncer no pâncreas. Nascido em 12 de outubro de 1935 em Modena, no norte da Itália, Pavarotti era filho único de um padeiro.

Quando menino, parecia mais interessado em futebol do que em música, e seu primeiro contato com a fama foi como jogador do time do Modena.

Pavarotti começou a cantar em um coral da cidade, ao lado do pai, que era tenor amador e amante de ópera.

Depois que o coral no qual cantava ficou em primeiro lugar em um concurso internacional, ele decidiu seguir a carreira de cantor.

Pavarotti estreou profissionalmente em 29 de abril de 1961 no papel de Rodolfo na ópera La Bohème, de Puccini, em Reggio Emilia.

Depois de fazer sucesso na Itália, apresentou-se em Amsterdã, Viena, Zurique e Londres.

Em 1965, Pavarotti estreou nos Estados Unidos em uma montagem da ópera Lucia de Lammermoor, de Donizetti, em Miami, ao lado de Joan Sutherland, que se tornaria uma das grandes parceiras de sua carreira.

Em 1972, ele fez uma apresentação histórica no Metropolitan Opera, de Nova York. O tenor atingiu nove vezes uma nota dó aguda, provocando aplausos emocionados do público.

Três Tenores

Seus discos de ópera e de músicas italianas tornaram-se campeões de venda.

Pavarotti ficou ainda mais famoso após se apresentar no concerto dos Três Tenores durante a Copa do Mundo de 1990, na Itália. A parceira com José Carreras e Plácido Domingo foi transmitida para todo o mundo.

Ao lado de José Carreras e Plácido Domingo, Pavarotti participou do concerto dos Três Tenores

O disco gravado nesta apresentação tornou-se um dos mais bem-sucedidos da história da música clássica.

Pavarotti passou a se apresentar em megaespetáculos ao ar livre.

Em 1992, apresentou-se diante de milhares de espectadores – inclusive o príncipe Charles e sua então esposa, Diana, – no Hyde Park de Londres.

Em junho de 1993, cantou para mais de 500 mil pessoas no Central Park, em Nova York. Meses depois, um concerto de Pavarotti reuniu 300 mil espectadores na Torre Eiffel, em Paris.

Os grandes concertos de Pavarotti geraram polêmica no mundo da música clássica. Alguns criticavam a grandiosidade dos espetáculos, enquanto outros defendiam a popularização do estilo musical.

Pavarotti também foi criticado por cantar ao lado de músicos pop, como Sting, Bono e Bryan Adams.

Em março de 2004, Pavarotti fez sua última apresentação em uma ópera, em Nova York. Ele cantou Tosca, de Puccini, e recebeu aplausos de 11 minutos de duração.

Em 2006, ele chegou a anunciar um tour de despedida que passaria por 40 cidades, mas teve de interromper os concertos por problemas na coluna, laringite e infecção na garganta.

Em julho de 2007, anunciou que não cantaria mais até o fim do ano.

Tenores lideram homenagens a Pavarotti

Os tenores Plácido Domingo e José Carreras e outros artistas fizeram homenagens ao cantor de ópera italiano.

"Eu sempre admirei a glória divina da sua voz", disse Domingo, que cantou ao lado de Pavarotti nos concertos dos Três Tenores, há mais de dez anos.

José Carreras, o outro dos Três Tenores, disse que Pavarotti foi "um dos mais importantes tenores de todos os tempos".

O corpo de Pavarotti está sendo velado na catedral de Modena. Ele será sepultado no sábado à tarde.

Jogador de Pôquer

Domingo lembrou "aquele inconfundível timbre especial da mais grave à mais aguda nota do tenor".

"Eu também adorava o seu maravilhoso senso de humor", disse.

"Em muitas ocasiões dos nossos concertos dos Três Tenores, nós tínhamos dificuldade em lembrar que estávamos fazendo um show diante de uma platéia que pagou, porque nós nos divertíamos demais."

O espanhol Carreras disse: "Nós temos que lembrar dele como o grande artista que foi, o homem com uma personalidade carismática maravilhosa – um amigo muito bom e um ótimo jogador de pôquer".

Silêncio

No teatro La Scala, de Milão, onde Pavarotti se apresentou 140 vezes, houve um minuto de silêncio em homenagem ao cantor na quinta-feira.

Joan Sutherland, que cantou ao lado de Pavarotti desde o começo da carreira dele, nos anos 1960, disse que foi "uma grande alegria" trabalhar com ele.

"Era incrível ficar ao lado dele e cantar junto", disse ela ao programa de rádio Today da BBC.

"A qualidade do som era tão diferente. Você sabia exatamente que era Luciano que estava cantando."

O maestro Zubin Mehta, que dirigiu Pavarotti nos concertos dos Três Tenores em Roma e Los Angeles, disse: "O mundo inteiro está escutando hoje a sua voz em todas as estações de rádio e televisão. E isso vai continuar. E esse é o seu legado. Ele nunca vai parar."

Mundo pop

Pavarotti também tinha muitos amigos no mundo da música pop.

O cantor britânico Elton John disse que "é um dia muito triste para a música, e um dia triste para o mundo".

Sting disse: "Nós perdemos um grande amigo, uma grande voz e o mundo é um lugar menor sem o grande homem."

O cantor do grupo irlandês U2 disse que Pavarotti era "um grande vulcão de homem, que cantava fogo, mas jorrava amor à vida em toda a sua complexidade".

"Eu falei com ele na semana passada", disse Bono. "A voz que era mais alta do que de qualquer banda de rock era um sussurro. Ainda assim ele comunicava o seu amor. Cheio de amor."

O guitarrista do grupo de rock Queen Brian May disse que o mundo é "um lugar mais triste com a perde deste gigante gentil".
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03 setembro 2007

Arte protegida, arte sem fronteiras

Por Kleber Godoy

Uma sensação que por vezes me toma é que no mundo globalizado não há muito espaço para a arte se impor, ser protegida e valorizada como deve. Não sei se é somente uma falsa sensação, engano sórdido de meus sentidos, mas algumas notícias desta semana me deixam um pouco mais tranqüilo quanto a este fato. São informações animadoras no que tange à proteção e proliferação artística que, de certa forma, muda meus pensamentos para a direção que diz: a arte não tem fronteiras, nem do tempo nem do espaço.

A primeira notícia com que me deparei, veio do site da Folha Online, com o título "Arte abstrata na América Latina ganha mostra em Nova York". O artigo fala de uma galeria da Universidade de Nova York que abre uma exposição de nome "A Geometria da esperança: arte abstrata na América Latina" que vai expor 130 obras de setembro a dezembro. Estas obras latino-americanas não são muito conhecidas no continente e estarão sendo representadas. Então me deparo com os nomes dos artistas e eu que estou mais próximo deles, mal os conheço. Seria falta de divulgação artística por nossa porção do continente?

Segundo o autor da matéria, "a exposição registra cidades e períodos chave para o desenvolvimento da arte abstrata na América Latina: São Paulo e Rio de Janeiro nos anos 50 e 60, Montevidéu nos anos 30, Buenos Aires nos anos 40 e Caracas nos anos 60 e 70 e até a Paris dos anos 60."

Ele ainda destaca que "a inclusão de Paris, como cidade "latino-americana", busca destacar a natureza cosmopolita e internacional que a corrente abstrata teve na região". O que eu achei muito interessante.

De qualquer forma, tudo é ligado a dinheiro. E não sei se dinheiro diz muito sobre arte por arte. É que o dado que temos diz respeito e um recorde de vendas no início deste ano por parte destes artistas, por isso da representatividade. Mas de qualquer forma, o simpósio com especialistas, concertos e a conferência sobre os artistas latino-americanos em Paris durante a Guerra Fria mostra que será um evento de arte simplesmente efervescente. Isso é muito animador.

A segunda matéria de que gostei muito de ler foi na parte de Arte e Cultura do Uol, com o título "Suécia investirá 2 milhões de euros para a manutenção das obras de Bergman". O cineasta falecido neste ano terá a manutenção de sua arte e isto custará caro, reconhecendo que a arte deste nobre ser não tem preço. E a homenagem é igualmente comovente, sendo que haverá a criação de um festival internacional de teatro e a realização de cópias digitais dos filmes do cineasta.

Na matéria: "É importante se assegurar que a herança artística de Bergman seja administrada e possa ser uma fonte de inspiração para o mundo do cinema e do teatro do futuro", disse o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, e a ministra de Cultura, Lena Adelsohn Liljeroth, em um comunicado publicado nesta segunda-feira pelo jornal "Dagens Nyheter".
Vemos então a arte contemporânea indo além dos seus limites regionais em um ponto do mundo e a memória da arte assegurada em outro. Simplesmente reconfortante para admiradores e criadores.

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"Uma vida completa pode acabar numa identificação tão absoluta com o não-eu que não haverá mais um eu para morrer". Clarice Lispector
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25 junho 2007

Os cuidados ao se olhar para dados quantitativos

Por Kleber Godoy

Quando se fala em ciência ou em observação, de uma maneira geral, podem-se ter duas expressões diferentes do que se observa: uma forma qualitativa e uma quantitativa. Aliás, no mundo, em tudo que vivemos existem estas duas formas de se olhar para o mundo. Tentarei fazer algumas observações, sem exagerar, explicando o raciocínio que desejo expor. No entanto, o texto não procura ampliar, somente problematizar e iniciar um caminho.

Na Psicologia existem áreas necessariamente descritivas, como a psicologia do desenvolvimento, por exemplo, e sobre esta base podemos qualificar os dados ou quantifica-los, mas há de se ter um cuidado com os segundos, pois a interpretação depende muito do critério utilizado para se chegar a eles, assim como, ao objetivo que se pretende obter com a observação destes dados.

Em sala de aula, o professor aplica provas e uma determinada prova tem conceito máximo “dez”, então o aluno avaliado pode ter nota variando de 0 a 10. Mas será que um 10 vai mostrar que este aluno sabe 100% da matéria? E se ele tem uma nota 5,5, significa que ele sabe exatamente 55% do conteúdo? Não, necessariamente. Talvez uma prova seja eficaz, mas mede muito mais o que está se sabendo no momento da aplicação do que o quanto foi realmente adquirido de conhecimento no repertório daquele indivíduo. Assim, trabalhos teóricos e painéis seriam formas mais amplas de se avaliar, obrigando o aluno a consultar a bibliografia sugerida, buscar mais bibliografia e confeccionar algo maior do que um estudo de um dia para uma prova teórica. Será? Talvez este método também tenha um problema, pois os trabalhos são feitos em grupo e não dá para se saber se todos os alunos do grupo participaram e se alguém não ficou “encostado” só participando com nome e registro acadêmico. São considerações como essas que valem a pena serem propostos ao se falar na interpretação dos dados numéricos.

Para outro exemplo, podemos falar de um exame que avalia o ensino superior, e compara-lo com outros métodos de avaliação, outros exames. Logo, o que explicaria um determinado curso ter nota média no exame do governo federal, nota máxima na avaliação do Guia do Estudante e nota mínima em outra forma de avaliação? O critério utilizado para se medir. Ou seja, não se pode pegar a nota do instrumento onde o curso ficou com nota mínima e dizer que este curso é péssimo. Tem que se olhar para o que se está medindo. Ter um conhecimento mais amplo daquilo que se está vendo.

Indo ainda mais a fundo, pego um dado do ENADE onde as universidades públicas são as que tem maior conceito predominando sobre as particulares. E ai já se fala o seguinte: as universidades públicas são melhores do que as particulares. Será mesmo? Acredito que haja muitas universidades particulares muito boas. O que acontece é que este tipo de avaliação é feito através de uma prova aplicada aos alunos do curso e, podemos pensar, eu disse “pensar”, que alunos de instituições públicas tem maior empenho já que o esforço começou lá no concurso concorrido para entrar naquela instituição, enquanto predomina nas particulares (isto, de modo muito geral, sem querer estigmatizar), alunos cujos pais pagam a mensalidade e não precisam se preocupar com muitas coisas relacionadas ao conceito do curso ou algo do tipo. Portanto, ao fazer uma prova na manhã de domingo, o aluno de uma faculdade pública vai se empenhar em fazer tudo que sabe, enquanto uma parcela significativa das particulares vai querer acabar logo a prova e aproveitar o domingo ensolarado. Não quero dizer que o que explorei acima seja o correto, mas esse tipo de olhar muda tudo na afirmação de que as públicas são melhores que as particulares.

E o Ibope que mede a audiência dos programas de TV? Será que aquele programa de domingo que tem audiência espantosamente alta é o melhor para se assistir no horário? E aquele da TV Cultura que tem audiência mínima é o PIOR? Assim se fala por ai. Mas é assim?

A aprendizagem cultural influencia muita coisa nesse tipo de análise e há de se levar em conta essas informações, estas variáveis, sem tirar conceitos apressados ou inadequados. Isto tudo vale para todo tipo de coisa. Pensem em coisas do dia a dia e irão ver.

Para entrar um pouco mais no âmbito da Psicologia, gostaria de falar um pouco sobre o desenvolvimento, já que acho que um tema interessante e que mostrará muito bem o que desejo expor.

César Coll, doutor em Psicologia e professor catedrático de Psicologia da Educação na Universidade de Barcelona, discute sobre o estereótipo que fala de um decréscimo nas habilidades cognitivas à medida que a idade avança. Fala da importância de testes mais próximos da vida real do individuo, os quais irão mostrar melhor o que se quer testar apoiado em diversos argumentos de um amplo estudo que fez.

Logo, é comprovado que, com o avançar da idade, a inteligência fluida, relacionada aos aspectos biológicos, tem um decréscimo, enquanto a inteligência cristalizada, sendo aquela acumulada no decorrer da vida por aprendizado, tem um aumento. Portanto, há uma menor velocidade cognitiva com o passar do tempo, mas não é um dado que diga tudo sobre o conjunto. E Coll vem dizer da forma como são aplicados os testes, avaliando velocidade cognitiva, tempo de resposta e características, portanto, quantitativas que afirmam um decréscimo cognitivo com a idade. Mas, olhando-se qualitativamente, tendo-se consciência de que os dados quantitativos dizem respeito a um aspecto mais específico, podemos falar que há um acréscimo cognitivo, pois, segundo ele, a pessoa tem mais experiências com a idade e talvez demore mais para responder, mas tem uma resposta, muitas vezes, melhores do que os mais jovens.

Em conjunto com o otimismo de Coll, Gisela Labouvie-Vief, sendo uma teórica pós-piagetiana, fala sobre mudanças da estrutura cognitiva gerando um pensamento adulto pós-formal no início da vida adulta, momento em que é pensada a identidade e escolhas e, onde as exigências da vida adulta forçam duas mudanças significativas na estrutura de pensamento. Assim, começa-se a se pensar no valor prático das situações, uma forma mais pragmática de pensamento, onde se dá mais importância aos assuntos ligados aos papéis que ele está desempenhando, ligados essencialmente à vida prática diária, pois é impossível adotar um pensamento formal total em todas as situações do dia a dia. O segundo aspecto que Labouvie-Vief salienta é o de uma forma diferente de compreensão da vida, havendo um abandono do foco nos fatos e nas metas, entrando em um momento de maior confiança na imaginação e na metáfora, aberto a idéias controversas e incertezas, sendo que a certeza não é possível todo tempo.



São questões que nos levam a sempre levar em conta estes aspectos: o critério que está sendo analisado, a importância e foco dos dados quantitativos e a forma de se interpretar estes dados, levando-se em considerações esquemas externos e influências de variáveis.


AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

Em uma situação de Avaliação Psicológica os dados quantitativos e qualitativos são, antes de tudo, decorrências de um mesmo processo. Etapas de produção que devem ter, cada um o seu local dentro da situação, se completando. “O céu e o mar, a lua e a estrela, o branco e o preto... tudo se completa de algum jeito. A faca e o queio, o certo e o defeito... tudo se completa de algum jeito.” (Música: Ivete Sangalo - Completo)

Logo, os testes psicométricos e toda forma de se quantificar o indivíduo tem sua suprema importância para se ter a Psicologia como Ciência e Profissão. Isto é inegável. E eles têm suas previsões de erro, olhando para as mais diversas características da pessoa avaliada (stress, comportamento, etc.) assim como ambientais. Logo, são sérios e úteis. Mas sozinhos não fazem uma avaliação Psicológica. E lembremos sempre de se olhar o critério utilizado por aquele teste e se este vai avaliar aquilo que se está querendo achar.

Fazendo um paralelo dos testes psicométricos com a teoria do desenvolvimento citada na primeira parte do texto, Cattell, em 1888 publicou o artigo “Testes e Medidas Mentais”, falando sobre a medida do aspecto intelectual usando testes de discriminação sensorial e tempo de reação. Ou seja, nesse tipo de teste, conforme a idade aumenta, menos desempenho o indivíduo terá. Mas, com o decorrer do tempo na história da psicometria, muita coisa evoluiu e hoje os testes levam em conta padronizações e diferenças individuais, assim como uma série de aspectos importantes e cuidadosos para se avaliar adequadamente chegando aos números propostos. Logo, a qualidade dos instrumentos e dos profissionais deve estar assegurada quando se pretende uma avaliação psicológica o mais fidedigna possível.

E como Lya Luft diz: “a quatro mãos escrevemos este roteiro para o palco do meu tempo”, ou seja, utilizando-se de várias etapas, percorre-se um caminho e chega-se a um objetivo, escreve-se o roteiro. Portanto, um processo de avaliação desse tipo, com todo rigor que se deve ter deve assegurar conhecimento psicológico do profissional e sua preparação, assim como ter estabelecido um processo de análise e síntese das informações, interpretando-as qualitativamente. Deve-se levar em conta também o contexto e pessoas analisadas e que tem efeito sobre o indivíduo avaliado. Logo, o uso de instrumentos de observação ou testes auxilia no decorrer desse caminho para se chegar a decisões, diagnósticos, recomendações. Nunca se esquecendo de que há toda uma dimensão ética em jogo e que precisa-se, necessariamente, ter um foco, saber qual tipo de teste utilizar e verificar se o seu construto está de acordo com a situação.

Concluindo, não há problema nenhum em se quantificar dados, quaisquer que sejam, há problema quando se vê somente este aspecto dentro do todo ou do contexto a que se está olhando. Caso contrário, vamos pensar que aquele programa de domingo é ótimo por ter alta audiência, enquanto o outro é péssimo por ter baixos números.

“Não sou a areia onde se desenha um par de asas ou grades diante de uma janela. Não sou apenas a pedra que rola nas marés do mundo, em cada praia renascendo outra. Sou a orelha encostada na concha da vida, sou construção e desmoronamento, servo e senhor, e sou mistério. A quatro mãos escrevemos este roteiro para o palco do meu tempo: o meu destino e eu. Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério." Lya Luft

BIBLIOGRAFIA PARA IR FUNDO NA TOCA DO COELHO

BEE, Helen. O ciclo vital. Porto Alegre : Artes Medicas, 1997. 656 p.

COLL, César Salvador; PALACIOS, Jesus; MARCHESI, Álvaro. Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia da educação. Tradução de Angélica Melo Alves. Porto Alegre: Artes Medicas, 1995-1996. 3 v.

ANASTASI, A.; URBINA, A. Testagem psicológica. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

CONSELHO Federal de Psicologia. Resolução 02/2003. Disponível em HTTP:\\ http://www.pol.org.br/ Acessado em 12/03/2007.

NORONHA, A. P. P.; PRIMI, R.; ACHIERI, J. C. Instrumentos de avaliação mais conhecidos: utilizados por psicólogos e estudantes de psicologia. Psicologia Reflexão e Crítica, 18(3). 2005.

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Agradecimento à Profª Dra. Ana Paula Porto Noronha Fagundes, docente da Graduação e Pós-Graduação da Universidade São Francisco (Itatiba, SP) e pesquisadora na área de Avaliação Psicológica, pelos comentários e revisão do texto, assim como por aceitar com carinho a provocação do seu aluno = ).
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