18 maio 2012

Sétima Arte Brasil: Uma Noite Em 67 (Renato Terra e Ricardo Calil, 2010)

ANO: 2010;
GÊNEROS: Documentário;
ROTEIRO: Renato Terra e Ricardo Calil;
PRINCIPAIS ATORES: Chico Buarque (Ele Mesmo), Gilberto Gil (Ele Mesmo), Caetano Veloso (Ele Mesmo), Edu Lobo (Ele Mesmo), Roberto Carlos (Ele Mesmo), Sérgio Ricardo (Ele Mesmo), Marília Medalha (Ela Mesma), MPB4 (Eles Mesmos), José Carlos Capinan (Ele Mesmo), Nelson Motta (Ele Mesmo), Paulinho Machado De Carvalho (Ele Mesmo), Sérgio Cabral (Ele Mesmo), Solano Ribeiro (Ele Mesmo), Beat Boys (Eles Mesmos), Rita Lee (Ela Mesma), Sérgio Dias (Ele Mesmo), Arnaldo Baptista (Ele Mesmo), Randal Juliano (Ele Mesmo), Cidinha Campos (Ele Mesmo), Chico De Assis (Ele Mesmo), Zuza Homem De Mello (Ele Mesmo) e Reali Jr. (Ele Mesmo).




SINOPSE: "Um filme sobre o Festival que revolucionou a música brasileira. No teatro: aplausos, vaias, um violão quebrado, guitarras estridentes. No palco: os jovens Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Edu Lobo e Sérgio Ricardo. As músicas: “Roda Viva”, “Ponteio”, “Alegria, Alegria”, “Domingo no Parque”. E só um deles sairia vencedor. Isso é Uma Noite em 67, um convite para viver a final do Festival da Record que mudou os rumos da MPB." (Filmow).


"Um belo recorte de um momento negro na história do país, que mesmo não abordando o caos político e social que o país vivia naquele momento, é possível pescar no ar algumas matérias ensinadas nas aulas de história na escola. Ver aquela multidão voraz reprimir e renegar aqueles artistas, o quanto podiam e queriam, já que o momento o forçavam a fazer, é algo bastante presente durante os shows, mesmo que essa angústia fosse colocada para fora em um dos raros momentos de diversão e lazer popular da época, sendo bastante ensinador. Porém, há os aplausos, como forma de aliviar e de se desligar do dia-a-dia que viviam. E esses dois lados das emoções, a negação e a aceitação, vivendo exemplar e respeitosamente no mesmo recinto, indo de encontro à visão utópica de um Brasil heterogêneo diferente do que viviam fora daquele salão, onde as diferenças eram um erro e uma aberração e onde as pessoas não tinham o direito de serem quem bem entendessem ser em sua plenitude. Era algo controverso e questionador de como um povo reprimido, cerceado e menosprezado podia respeitar e ser o quem bem entendessem ser. Outro ponto interessante é ver duas vertentes históricas da música brasileira, que ainda eram incipientes ou embrionárias, se encontrando em um palco de forma harmônica e complementar: o rock e o tropicalismo, representados pelos que eram a favor da guitarra elétrica e os contrários ao contágio da cultura americanizada, levantando as bandeiras e indo para as ruas. Como pode? Em um momento onde suas críticas lhe tiravam a liberdade ou sua vida, ir às ruas lutar pelo não da guitarra elétrica, chega a ser cômico, mas era real. Era um momento onde a TV era leve, espontânea, não marcada ou gravada, não tinham padrões globais a serem seguidos, era tudo amador, mas profissional, fazendo eu querer ter vivido aquelas noites de 60 e 70, seria genial."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Os diretores deste documentário fizeram um trabalho excelente, principalmente ao ter ou comprar a ideia de fazer este trabalho que traz para o presente um passado glorioso de nossa história cultural, a dos grandes festivais de Música Popular Brasileira que eram produzidos e exibidos pela TV Record da época (que nada tem a ver com a de hoje). Estamos falando de uma época em que os programas de música eram o equivalente às novelas hoje e de uma época em que havia um público que vaiava e aplaudia com total empenho, sem amarras ou assistentes de palco para comandarem suas manifestações. Uma época em que Roberto Carlos não tinha sua imagem promovida como Rei, mas era um igual perante outros grandes talentos, uma época de simplicidade e maior verdade do que assistimos hoje. Assim, neste tempo de liberdade, apesar do regime ditatorial que predominava na política, no vídeo contemplamos hoje e em 1967 grandes artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Edu Lobo, Roberto Carlos, Sérgio Ricardo... entre outros. Alguns falam do passado com maior felicidade e outros com grande indiferença, como Chico Buarque, que não mostra grande interesse em lembrar-se deste passado e nem o considera tão importante assim, nem mesmo se lembrando dos interessantes encontros de artistas relembrados por Veloso, sendo que estava bêbado na maior parte do tempo. Foi nesta época que surgiu o Tropicalismo, grande movimento musical e cultural de nossa história e que revelou um novo jeito de ser e de viver música, tendo como precursores Caetano e Gil, um motivando o outro a levar o projeto adiante. Percebemos através deste documentário que se somente um deles acreditasse na proposta da Tropicália, isso não iria adiante. E assim, diante da tela os diretores e atores daquele festival contam suas experiências de palco e de bastidores, embalados pelas apresentações reais do festival, com aquelas lindas canções de uma época em que não somente se tinha voz, mas também se compunha belíssimas letras, até mesmo se utilizando da motivação política para ir contra aquilo que não se acreditava, afirmando para si e para o outro tudo aquilo que realmente era importante se pensar. A música não só como entretenimento, mas também como fator de reflexão e mudança de toda uma nação. Hoje não é mais assim."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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