11 maio 2011

Trajetória: Johnny Depp (Parte I)

Por Kleber Godoy

Para começar esta nova seção ninguém melhor do que o bad boy de Hollywood, um de meus grandes ídolos, para estrelar uma sequência de posts sobre sua vida e arte.


Entrando no mundo do cinema por acidente, como ele mesmo considera, tem mostrado ao público belas atuações em excêntricos e interessantes personagens, conseguindo fugir dos rótulos preferidos do mundo do espetáculo, como de Símbolo Sexual. Assim, percorre o caminho do sucesso com originalidade, espontaneidade e liberdade. Este é Johnny Depp! E nesta primeira parte vamos falar sobre o início de sua vida e carreira percorrendo sua infância e adolescência, assim como seu flerte com a música e sua entrada no cinema em 1984.


Johnny Depp nasceu em 9 de junho de 1963, filho de um engenheiro civil e de uma dona de casa (posteriormente garçonete) e seu nome de registro é John Christopher Depp II. Nasceu na cidade de Owensboro, no Estado americano de Kentucky, mas seus pais se mudaram para a Flórida quando ele tinha 7 anos e lá foi criado, tendo que se mudar de cidade outras vezes por conta da busca familiar por melhores condições de vida. Depp tem um irmão e duas irmãs, sendo uma delas sua empresária e, apesar dos conflitos familiares na infância, ocasionando a separação dos pais quando ele tinha 15 anos, é uma pessoa que valoriza muito a família e a sua união.

Através de entrevistas do astro e de notícias da mídia, tomamos conhecimento de sua infância, na qual o garoto era bem solitário e construía túneis no jardim de casa, escondendo-se lá durante horas. Sua jornada solitária também permeava sua vida escolar, na qual não tinha amigos, não era bom em esportes e não tirava boas notas na escola. Além disso, apesar de hoje ser um dos homens mais desejados do mundo, não tinha namoradas. Através desta pequena introdução na vida de Johnny Depp vemos a sua habilidade natural para encarnar personagens excêntricos, além de dar certa tranquilidade às pessoas que tiveram infâncias solitárias e sem sucesso com as meninas ou com os esportes: o fracasso nem sempre é permanente! (risos)

Desde o início de sua vida sonhava com a música e aos 12 anos ganhou sua primeira guitarra decidindo que seria guitarrista. A escola sempre ficou em segundo plano em sua vida e aos 16 conseguiu formar um grupo, 'The Kids', que mais tarde viria a ser 'Six Gun Method'. Sua passagem pela música foi breve, fazendo shows em casas noturnas e abrindo alguns shows de famosos, como o do excêntrico Iggy Pop.


Nesta época e em outras posteriores ele reconhece fases de isolamento nas quais a guitarra e as drogas eram suas companheiras inseparáveis. Rebeldia talvez fosse presente nesta época já que sentiu as consequências emocionais da separação de seus pais. Algumas curiosidades, talvez irrelevantes sobre o astro: começou a fumar aos 12 anos; perdeu a virgindade aos 13 com uma mulher mais velha; saiu da escola aos 15 onde as meninas o achavam 'estranho'; tem 1,77 de altura; não se interessava por namoro, focava em sua vida musical; e não se importa com premiações (aliás... qual a importância delas perante o talento, não?).


Quando Johnny era menino na Flórida e as drogas permeavam sua existência, diz que as utilizava como uma 'auto-medicação', já que enfrentar o divórcio dos pais não foi fácil. Assim, em uma entrevista chegou a dizer que não era divertido utilizar-se nem delas e nem do álcool. Era o modo como o jovem enfrentava a vida, saindo um pouco da pesada realidade.

Johnny utilizava da música também como escape, se sentindo bem com ela. Ele conta em uma entrevista que deixou a escola por não se sentir bem lá, mas que a música era muito importante para ele: 'era um santuário, me dava sensação de segurança absoluta; na escola, eu não me sentia assim'. Além disso, fala que foi uma época em que se vê como um 'garoto imbecil' indo em busca de música e falta de realidade, deixando a escola e se metendo com pessoas grandes sem ter conhecimento nem habilidade para manter conversas com elas.

Em 1983, com 20 anos, conheceu a maquiadora Lori Anne Allison, sua primeira esposa, unindo-se a ela por 2 anos. Viajaram juntos com a banda, que ficou confiante com os shows que apareciam e rumaram a Los Angeles em busca de contrato, percebendo que o mundo lá era muito mais complicado do que esperavam.


Vivendo precariamente em Hollywood, sem dinheiro ou moradia fixa e de boa qualidade, buscando trabalhos pouco rentáveis como o de telemarketing e de frentista de posto de gasolina, enfrentaria uma situação dramática. A situação financeira dos dois era realmente precária e uma tensão entre o casal provocou a separação em 1986, mas enquanto ainda era casado, Lori lhe apresentou seu amigo Nicolas Cage, o qual lhe mostrou o mundo do cinema convencendo-o a tentar este caminho. Depp então se perguntou 'porque não tentar ser ator?'. Cage agiu possibilitando que ele fizesse um teste para seu primeiro filme.


Johnny Depp disse que a situação era tão precária que aceitaria qualquer coisa naquela época. E assim entrou no filme 'A Hora do Pesadelo (A Nightmare On Elm Street, de 1984)', o que considera sua entrada acidental no mundo do cinema.


Tremendo e suando inicia as gravações tornando-se um sucesso perante as câmeras, agradando imensamente o diretor e escritor Wes Craven. O personagem de Depp neste filme é Glen Lantz, um dos jovens do grupo de adolescentes que começam a ter pesadelos nos quais são atacados por Freddy Krueger (interpretado por Robert Englund), um homem de garras afiadas e que mata jovens enquanto dormem. Neste filme, os crimes ocorrem sem saber da identidade do assassino até que há a descoberta de quem ele é e que foi queimado vivo pela vizinhança após molestar crianças naquela rua. O motivo do retorno de Freddy: é a vingança contra aqueles que o mataram, os pais destes jovens.



Sua atuação no filme, para um iniciante, sem ter cursado teatro, nem nada, foi bem significativa, não apenas uma 'pontinha'. E, para mim a atuação de Depp foi excelente pensando-se que o jovem interpretado por Johnny precisaria de algumas características que estavam intrínsecas no ator: espontaneidade, naturalidade, senso de humor e criatividade (estimulada pela sua grande curiosidade).


O filme teve sucesso acima do esperado, gerando sequências. Depp ficou eufórico com a sua atuação e com a repercussão da obra de Craven, continuando assim, apto a atuar em outros filmes. Logo após o sucesso nacional, o filme foi divulgado para outros países alcançando o mundo todo. O custo de produção ficou em torno de 1 milhão e 800 mil dólares, gerando renda de 26 milhões e 300 mil dólares.

Foi o início de sua promissora carreira como ator, passando a fazer aulas de teatro e investindo nesta trilha, na qual faria grandes amigos como Leonardo DiCaprio, Tim Burton, Helena Bonham Carter, Marlon Brando, Christina Ricci, Al Pacino e Sean Penn. Neste caminho teve que dizer muitos 'nãos' para se livrar de estereótipos e ser quem ele queria ser, o que lhe custou caro em alguns momentos. Mas disso falaremos nos próximos episódios desta história.

Apesar da guitarra ter ficado em segundo plano, sua atração pela música insiste em se manter e no decorrer de sua carreira vem tendo contato com a música incessantemente, como é o caso da participação em clipes de Tom Petty e de The Lemonheads. Além disso, toca guitarra na faixa 7, 'Fade In-out', do CD 'Be Here Now', do Oasis, de 1997, sendo amigo de Noel Gallagher, guitarrista da banda e um dos 'encrenqueiros do rock'. Em momentos posteriores falo mais de outros envolvimentos de Johnny com a música.

No decorrer de sua carreira, mostra versatilidade e falta de medo em arriscar, melhor dizendo, apreço e prazer em correr riscos. Apesar da fama de bad boy em Hollywood, quem trabalha com ele o descreve como sensível, gentil, inteligente, curioso e brilhante, assim como incompreendido. Estas são apenas alguns dos adjetivos que demonstram seu talento natural e minha razão de tê-lo como grande ídolo.


Por enquanto é isso... a segunda parte desta história contará o percurso de Johnny Depp, além desta interessante introdução, chegando aos anos de 1990 e à sua parceria frutífera com Tim Burton! Até lá!

Leia também a segunda parte e a terceira parte da nossa homenagem ao Johnny Depp.


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