28 maio 2011

1001 Filmes: A Hora Do Pesadelo (A Nightmare On Elm Street)

DIREÇÃO: Wes Craven;
ANO: 1984;
GÊNEROS: Terror e Thriller;
NACIONALIDADE: EUA;
IDIOMA: inglês;
ROTEIRO: Wes Craven;
BASEADO EM: ideia de Wes Craven;
PRINCIPAIS ATORES: Robert Englund (Freddy Krueger); Heather Langenkamp (Nancy Thompson); John Saxon (Tenente Donald Thompson); Ronee Blakley (Marge Thompson); Amanda Wyss (Tina Gray); Jsu Garcia (Rod Lane) e Johnny Depp (Glen Lantz).





SINOPSE: "Um grupo de adolescentes tem pesadelos horríveis, onde são atacados por um homem deformado com garras de aço. Ele apenas aparece durante o sono e, para escapar, é preciso acordar. Os crimes vão ocorrendo seguidamente, até que se descobre que o ser misterioso é na verdade Freddy Krueger, um homem que molestou crianças na rua Elm e que foi queimado vivo pela vizinhança. Agora Krueger pode retornar para se vingar daqueles que o mataram, através do sono." (CineMenu).



"Assim como aconteceu com a nossa última postagem na seção '1001 Filmes' com 'Apertem Os Cintos, O Piloto Sumiu', esse filme é um puro e clássico representante do seu gênero. Me lembro de ter assistido aos dois filmes na minha infância, há 20 anos atrás, e ter achado muita graça no filme citado acima e sentido muito medo assistindo esse filme presente, porém, analisar esses filmes 20 anos depois nos traz algumas curiosidades. Hoje, pegando como exemplo esses dois expoentes de seus gêneros 'Apertem Os Cintos, O Piloto Sumiu' e 'A Hora Do Pesadelo', que por definição são opostos, conseguimos diminuir a enorme distância que os dividiam e torná-la muito próximos, quase tornando um filme de um mesmo 'novo gênero': a comédia pastelão, com toques de terror e seriedade. O filme parece uma sátira de si mesmo: as casas são sempre cheias de finos vidros; as portas nunca estão trancadas, apenas encostadas; os locais são sempre distantes, vazios, sombrios, frios, noturnos e amplos; mesmo no local havendo mais de uma pessoa, ao irem de encontro ao 'barulho', sempre apenas um personagem medroso, curioso, ingênuo e valente vai descobrir do que se trata; cenas de nojo, que muitas vezes são apenas nojentas mesmo; sempre há personagens que poderiam, se fosse na vida real, conter esses criminosos, mas no filme, são sempre incrédulos, distantes, superficiais e quando passam a acreditar no fato, já é tarde; cenas impressionantes e irreais, são vistas pelos personagens com 'caras de paisagem', vilões mais para caricaturas de monstros do que o próprio monstro em si. Enfim, características que hoje já não mais significam medo, mas que em sua época, sim. Outra peculiaridade em comum com os dois filmes aqui comparado é o fato de seus diretores serem referências em seus gêneros. Ou seja, o reflexo entre si é bastante claro e se misturam constantemente, nos dando a impressão que não não estão em lados opostos, mas sim, muito mais próximos entre si, do que filmes do mesmo gênero que foram feitos 20, 30 anos depois."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"'A Hora do Pesadelo' traz para a tela grandes atuações de desconhecidos atores, além de uma história cativante e coerente do começo ao fim. Wes Craven, conhecido diretor de filmes de terror e atualmente colhendo frutos do sucesso por 'Pânico 4 (Scream 4)' (2011), sempre me cativou com a qualidade de seus filmes e mostrou alta força de vontade ao produzir 'A Hora do Pesadelo', sendo que, com baixo orçamento, pode contratar apenas dois atores já conhecidos (John Saxon e Robert Englund), necessitando preencher seu cast com atores desconhecidos e, em muitos casos, que nunca haviam atuado, como Johnny Depp. Robert Englund imortalizou a figura de Freddy Krueger com sua alta performance e maquiagem. Johnny Depp se destacou e depois não parou mais, sendo o astro que hoje conhecemos. Os demais atores iniciantes também tiveram sua atuação elogiada pela crítica e fizeram outros trabalhos e, assim sendo, o filme teve boa recepção de crítica e de bilheteria, tornando-se um sucesso que produziria várias sequências. Em 2010 foi produzido o remake que reinventa o roteiro e que poderia superar a qualidade do primeiro, de 30 anos atrás. No entanto, a obra de 2010 não supera em atuações, roteiro (com jovens que parecem drogados sem saber o que é real, não aterrorizados) e nem em produção, apesar das inovações em efeitos especiais. A obra mostra um Freddy Krueger descaracterizado, um homem medroso e que não dá medo, demonstrando que o filme de 1984 realmente conseguiu se estabelecer através dos tempos, o que hoje em dia, na velocidade em que caminhamos, se torna cada vez mais difícil. O próprio roteiro da obra original não cabe para um filme pós anos 1990, já que se formos analisar a fundo, vemos que se retirarmos o elemento de terror (o Freddy), encontramos os jovens do filme com temores altamente projetados por seus pais, como é o de que os filhos cresçam, transem, etc. Freddy com grandes braços e afiadas garras se torna todo sexualizado, simbolizando o recado dos pais aos filhos que transgridem as regras. Interessante notar, como o Jonathan pontuou em uma de nossas conversas, o papel que tem o pai de Nancy ao se tornar aquele que a salva, mas somente após seu namorado e o amigo de sexo masculino já terem morrido, destacando assim, em um filme de terror, uma estruturação edípica perfeita e trágica. Após os anos de 1990 esta estrutura se modificou e a relação dos pais e dos filhos com a sexualidade já é outra, perdendo o sentido para a produção de um remake que não traga novos contextos e elementos. Além destes pontos a história traz outros elementos psicodélicos ligados à relação dos sonhos com os desejos inconscientes e sua proximidade com o delírio, com a alucinação e com o medo. Com simplicidade e criatividade se faz muito, não necessitando de tantos milhões de dólares, bastando ter vontade, talento e uma equipe afiada. Por fim, eu nunca tive medo da figura do Freddy, mas admito que o personagem traz para a maioria das crianças (e porque não adultos) grande temor por falar do desconhecido, dos segredos dos sonhos e de seus limites."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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