30 junho 2005

A Internet - Capítulo 6 - A evolução continua

Por Jonathan Pereira

É impressionante como a Internet ainda me surpreende. Há alguns meses atrás, a vontade desesperada e inédita de escrever algo sobre o mundo virtual tomou conta de mim. Foi então que cometi o erro capital de tentar delimitar em menos de uma dezena, os assuntos relevantes e imprescindíveis relacionados diretamente a Internet e ao ciberespaço.

No entanto, durante minhas pesquisas e leituras, ficou evidente para mim a necessidade de expandir o número inicial de 6 textos, para 15, 16, 17..... E ao final de cada crônica, percebia que os assuntos, ao contrário do que imaginava conseguir, não eram dissociáveis. Quando a idéia sobre um determinado nicho na Internet surgia, logo o segundo pensamento lógico e conseqüente já nascia como uma importante faceta a ser abordada, e seria leviano da minha parte abordar dois temas superficialmente, foi quando o ato de escrever algom, por diversão, tornou-se algo sério.

Portanto, nada melhor para finalizar essa primeira leva de textos sobre Internet, tratando do seu futuro. Parece ser paradoxal, mas a Internet já é uma cinquentona, que já tem em vista seus futuros netinhos e netinhas, que pelo andar da carruagem, vão estremecer a Terra como sua matriarca fez na metade do século passado.

Lembra-se dos shows transmitidos pela TV? Quando o cantor ia soltar sua voz, e você estava pronto para ver aquele agudo único, a imagem era cortada e mostrava a multidão, ou então, o músico da banda? Pois bem, agora você não passará mais vontade, a TV digital resolverá grandes problemas de tempo e foco. Daqui uns anos, a TV digital chegará ao Brasil, o que nem é preciso dizer que na Europa e EUA já e realidade há algum tempo.

Agora será você quem decidirá em qual ângulo assistir os shows, futebol, F-1 Olimpíadas etc. E se caso, no mesmo horário for passar o tão esperado clássico futebolístico e o show que referimos acima, você poderá escolher assistir um Ao Vivo e no mesmo aparelho arquivar o outro evento. E se a atração não for transmitida Ao Vivo, você não precisará mais assistir a novela das 8 apenas às 8 da noite, você montará sua grade de atrações e eventos, e poderá assistir à novela das 8 às 13:00 horas, assim que chegar do médico. Ao alcance do seu polegar, você será o programador, o câmera man etc.

E por falar em médico, você será consultado na sua própria casa, não pelo seu médico da família que correu ao receber sua ligação no celular, mas sim através do seu computador com uma câmera. Assim como na Internet, a medicina perderá o espaço geográfico. Não se assuste se daqui uns 20 anos, você for até o hospital e ao ser levado à mesa de cirurgia, você só encontrar: braços mecânicos, monitores e nanocameras. Sim, o cirurgião estará em sua clínica na Alemanha, seu assistente estará na China, o anestesista em sua casa na Califórnia, e você deitado e dopado em São Paulo. Parece futurístico demais, mas não é. A telemedicina já dá sinais de que o futuro será este.

Vai se familiarizando com as palavrinhas: Wi-Fi, Wireless e Bluetooth, essas serão as palavras do futuro. Imagina você em pleno deserto do Saara, fazendo um Safári no meio dos leões, e então, naquele mesmo horário, às 13:00 de terça-feira, você tem a reunião mensal com seu chefe. Encrenca na certa! Se você estiver em 2030, saberá que nada além do corriqueiro. Afinal, os 3 diretores da empresa, o presidente e você estão em férias. Você no Saara, o presidente na Muralha da China e os 3 diretores em: alto-mar, no Alasca e na Floresta Amazônica, respectivamente. Cada um dá uma pausa nos seus árduos afazeres, abre seu celular, focaliza a câmera, acessa uma sala virtual da qual só os 6 têm permissão de acesso, e pronto, todos em reunião por 30 minutos.

Já que falamos em celular. Daqui uns anos, quando você ouvir o bordão “o melhor amigo do Homem”, não vá passar vergonha cometendo o erro de pensar na possibilidade de ser um cachorro. Pois nesta época, o melhor amigo do Homem será o celular, que desempenhará o papel de computador, máquina fotográfica, gravador de voz, videogame, TV, aparelho de som e, também de telefone. E nem precisa se preocupar com o alcance do sinal, como abordamos acima, o Wireless, Wi-Fi e Bluetooth criarão uma camada em torno da Terra, que de qualquer lugar do globo terrestre você poderá navegar na Internet, mandar seus e-mails, fazer compras, assistir TV e falar ao telefone.

Por último, vamos falar um pouco da web semântica, que promete ser o upgrade da atual Internet e que ajudará o Homem a vasculhar, localizar e receber melhor as informações disponíveis na Internet. Imagine digitar mangueira em um buscador qualquer da Internet. Logicamente você estará interessado em um determinado significado para a palavra mangueira, que por ventura pode ser relacionado a árvore frutífera de onde nasce a manga, a borracha que conduz água para aguar as plantas ou lavar o quintal ou então a escola de samba Estação Primeira de Mangueira.

Será inevitável, caso você não filtre sua busca, que os resultados virão baseados nesses significados da palavra mangueira, e por ventura, outros que nem imaginávamos existir. Isso por que os programas não distinguem a escola de samba e a árvore, da borracha de água. O programa, ou a linguagem, mais utilizada para sustentar a Internet, ou os sites disponíveis nela é o HTML, que não possuí recursos para dar significado à informação.

Quando você visita o site da escola de samba e um outro sobre a árvore, é evidente a diferença, porém essa ambigüidade e outros artifícios complexos utilizados pela mente humana ainda não são entendido pelos computadores, e ai que entra a web semântica.

A espinha dorsal da web semântica é a linguagem XML, que permite descrever semanticamente os dados a partir de categorias que o próprio usuário pode definir. Essa é uma tentativa inversa do que ocorre hoje na Internet. Ao invés de pensar na informação para os humanos, a idéia é pensar na máquina. É claro que o objetivo final é atender as pessoas, mas para isso é preciso construir categorias e uma linguagem que façam sentido para a máquina.

Porém, este processo é muito complexo e se faz necessário o consentimento de muitas pessoas envolvidas no projeto, afim de, acordarem sobre quais categorias a utilizar, como os dados devem ser relacionados e como os usuários irão interagir com eles. Caso não haja o consentimento de todas as partes envolvidas, na há como montar o “banco de dados” da web semântica.

E assim caminha a humanidade, ou seria melhor dizer: “E assim caminham as máquinas e robôs”, afinal, até aquilo que difere a raça humana dos outros animais e seres vivos, que é exatamente o ator de pensar, discerni e agir com a razão, parece que não vai mais ser uma vantagem do homem, porém fazer com que essas máquinas e quitutes do futuro tenham sentimento agregado à razão, isso parece sim ser coisa de cinema e exclusividade do do Ser Humano.

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