11 fevereiro 2011

Camisas de Futebol: 8 ou 80

Por Jonathan Pereira

Venho hoje aqui fazer um relato sobre um assunto que ainda não tinha sido abordado aqui no blog: camisas de futebol. Esse assunto e essas peças me atraem de forma única, tenho verdadeira paixão por colecionar esse tipo de vestimenta, que para mim, não são camisas para uso, e sim, peças de coleção que perderam o seu significado original, e passaram a figurar apenas como parte de uma coleção, sem ter a finalidade de uma peça de vestuário.

No amistoso entre Brasil x França, além de marcar o início do calendário futebolístico para a seleção brasileira, também foi bastante aguardado por 2 motivos: 1) a nova camisa da seleção brasileira para a temporada 2011/2013, e; 2) a primeira camisa da seleção francesa confeccionada pela Nike para a temporada 2011/2013. Depois de 40 anos sendo produzida pela Adidas, sendo essa troca uma das mais importantes dos últimos anos no mercado de camisas de futebol de seleções nacionais. (Clique nas imagens para ve-las maiores).


Como pode, uma mesma empresa produzir camisas tão diferentes entre si, e o pior, uma com qualidade, cuidado e beleza superior a outra.

Não entendo como permitiram que produzissem uma camisa para seleção, que tirando a faixa central, parece camisa produzida para seleções sub-17, 19, 20..., sem detalhes, criatividade, etc. e com a faixa central, parecendo a camisa vendida nas ruas em alusão ao uniforme da seleção brasileira. Inovação não há como negar, pois 'Nunca Antes Na História' das camisas de futebol, houve uma faixa tão mal colocada e mal pensada como essa da camisa do Brasil. A camisa mais feia, sem vida e sem graça que vestiu a seleção brasileira, por incrível que pareça, superou as camisas dos anos de 2002 e 2003, que ficam em 2º e 3º lugares, respectivamente, completando o pódio bizarro.


Por outro lado, a compra da Umbro pela Nike fez com que os projetistas da camisa da França, aprendessem um pouco como se fazer camisas simples, clássicas, elegantes e bonitas. A combinação dos 2 tons de azuis escuros, deu um ar de seriedade e imponência às camisas.

Vale ressaltar a tipografia das camisas, que também são bastantes diferentes entre si, não podendo deixar de ressaltar a inovação na tipografia usada pela seleção brasileira, sendo feia ou não, houve a inovação, item bastante difícil de conseguir inovações, uma vez que os elementos para trabalho são reduzidos.

Outro detalhe diferente, foi a solução dada pela Nike para juntar à camisa os adendos (letras, números, escudos, etc), não sei se é uma técnica nova, ou apenas uma borda em volta desses adendos, mas ficou diferente e até então ainda não havia sido usada por outro clube ou seleção.


Sobre as camisas dos goleiros, a do Brasil ficou ainda mais feia e sem graça no cinza e preto (aqui representada pela camisa preta e com faixa em amarelo, já que essa é a primeira que está a venda no Brasil). Já a camisa da França ficou bonita, menos bonita que as camisas de linha, mas ainda sim bonita e exótica, parecia que estava vendo o Freddy Krueger defendendo o gol francês, lembrando também, que até agora, foram lançados apenas o uniforme 'Casa I' da seleção francesa, e no site da loja oficial da FFF (Federação Francesa de Futebol) a camisa do goleiro 'Casa I' utiliza tons de preto e cinza (vide foto abaixo), ao invés do vermelho e preto como usado no jogo.

Agora vamos aguardar como será a camisa reservada da seleção francesa, e tomara que não tenhamos a surpresa negativa como as camisas da seleção brasileira, e sim, mais uma surpresa positiva como a camisa usada neste primeiro jogo pela seleção francesa.


Para quem se interessar pelo assunto, deixo o convite para visitar o álbum online da minha coleção de camisas, que hoje está em 271, segue: http://picasaweb.google.com/jonathan.jgp. Ainda não tenho as camisas motivo desse post, mas com certeza as terei um dia.


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08 fevereiro 2011

1001 Filmes +: Quem Quer Ser Um Milionário? (Slumdog Millionaire)

DIREÇÃO: Danny Boyle;

ANO: 2008;
GÊNEROS: Ação, Drama e Romance;
NACIONALIDADE: EUA e Inglaterra;
IDIOMA: Inglês e Hindi;
ROTEIRO: Simon Beaufoy;
BASEADO EM: livro 'Q & A' do escritor Vikas Swarup;
PRINCIPAIS ATORES: Dev Patel (Jamal Malik adulto); Tanay Chheda (Jamal Malik adolescente); Ayush Mahesh Khedekar (Jamal Malik criança); Freida Pinto (Latika adulta); Tanvi Ganesh Lonkar (Latika adolescente); Rubina Ali (Latika criança); Madhur Mittal (Salim Malik adulto); Ashutosh Lobo Gajiwala (Salim Malik adolescente); Azharuddin Mohammed Ismail (Salim Malik criança); Anil Kapoor (Prem Kumar) e Irrfan Khan (inspetor policial); Saurabh Shukla (Sargento Srinivas); Rajendranath Zutshi (Diretor) como Raj Zutshi; Jira Banjara (Guarda De Segurança do Aerporto) como Hira Banjara; Sheikh Wali (Segurança do Aerporto); Mahesh Manjrekar (Javed); Sanchita Choudhary (Mãe de Jamal); Himanshu Tyagi (Sr. Nanda) e Sharib Hashmi (Prakash).







SINOPSE: "Jamal Malik vem de uma família das favelas de Mumbai, Índia, e está prestes a ganhar o prêmio de 20 milhões de rúpias no programa Quem Quer Ser Um Milionário?, feito que nenhum participante jamais conseguira até então. Visto por toda a população através da televisão, Jamal acaba sendo preso por suspeita de trapaça. Afinal, como um rapaz que morou toda a vida na rua pode ter conhecimento suficiente para vencer o jogo? Teria ele roubado? Ou seria apenas sorte? Para provar sua inocência, Jamal começa a contar a sua história e de onde ele tirou a resposta para cada uma das perguntas, relembrando da sua infância com seu irmão na favela e falando da sua paixão pela jovem Latika." (EfeitoPOP.com).



"Saber que o filme se passa na Índia, segundo país mais populoso do mundo, é nos apresentar o mundo daqui algumas décadas? Uma indagação que persiste durante todo o filme, e que a cada momento acaba se tornando uma certeza. É um filme baste ágil, assustadoramente real e bastante rico. O ditado: 'matar um leão por dia!' faz sentido durante todo o filme, onde o leão é: o irmão, a família, aquele que segue a religião concorrente, a ética, a humildade, a caridade, a irmandade, a coesão e a coerência, o amor, o respeito, etc., ou seja: a dignidade, onde todos parecem não ter forçar para escolher uma vida que não a indigna. Como se não bastasse a luta contra as pessoas e suas perverções, imperfeições e o seu lado negro, que como quase que única, é uma forma de sobrevivência, o ambiente também lhe impõe imagens surpreendentes: as super favelas, os super lixões, a super poluição (oufativa, visual, tátil e sonora), etc. O filme retrata um garoto, que teve todos esses leões a sua frente, e de forma humana e correta, consegue passar por cada um dos obstáculos. Ser um milionário da noite para o dia, respondendo a perguntas em frente a milhões de telespectadores num jogo de TV, acaba sendo apenas a máscara que foi a vitória daquela criança em vencer o jogo da vida, ou seja, tornando-se um adulto digno, onde esse sim, é um Milionário, uma excessão, o diferente. Quem será (conseguirá) ser o novo milionário?"

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Um filme lindíssimo em imagem, som, montagem e sentimento, mostrando mais uma vez que com pouco dinheiro e belíssimas atuações pode se chegar muito longe. Mostra flashes de uma cultura diferente da nossa, permeado pelo amor de Jamal e Latika, mostrando com maestria os preconceitos e a superposição de classes que predomina na sociedade, desde sempre. Ora, será que um cachorro de favela pode se tornar milionário? E, se ele consegue, que artifícios utiliza para isso? 'Médicos e advogados não passaram de 16 mil; ele está em 10 millhões; o que um favelado pode saber?' Estamos diante de estigmas, marcas que se sobrepõe a todo ser da pessoa, não a deixando aflorar em suas potencialidades. E neste ponto lembro do grande psicólogo existencialista Carl Rogers, acerca do potencial humano para o crescimento e da criatividade como elemento essencial neste caminho, levando a pensar também nas contribuições práticas de outros construtos como a Resiliência – o garoto cego pedindo esmola, mesmo com tanto sofrimento e abuso em sua vida não me pareceu triste – estava sorrindo. Mas veja, o mais grave não é quando a pessoa é estigmatizada, mas sim quando ela aceita e introjeta em si aquilo que nela colocaram. Estamos nesta dinâmica a todo instante ou é impressão minha? A obra mostra Jamal em busca de seu desejo, nada mais, simples assim: 'a cada pergunta fica mais perto de seu grande amor' e, mais do que isso, da realização de seu desejo (em conceito mais amplo, mas que pode ficar assim neste ponto), ou seja, mostra como somos motivados por nossos desejos e como estes nos levam à escolhas e caminhos 'estranhos'. Jamal seguiu seu desejo, que não era o de ficar milionário. Qual o sentido da vida? Qual o meu sentido na vida? Temos coragem em admitir, vivenciar e buscar nossos caminhos? Bem... é mais amplo que tudo isso, mas ficam as questões (mais do que as respostas). As crianças se divertem mesmo em meio a pobreza, morte e lixo e... as pessoas tendem a perder esta capacidade para sorrir no decorrer da vida? Existe um incrível talento para substituir este bom humor por doenças cardíacas, depressão, pânico e outras doenças ditas modernas? Por fim, o que determina o sucesso ou o fracasso nos empenhos da vida? a) trapaças; b) sorte; c) genialidade; d) destino?"

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy






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02 fevereiro 2011

1001 Filmes: Afogando Em Números (Drowning By Numbers)

DIREÇÃO: Peter Greenaway;
ANO: 1988;
GÊNEROS: Comédia;
NACIONALIDADE: Holanda e Inglaterra;
IDIOMA: inglês;
ROTEIRO: Peter Greenaway;
BASEADO EM: ideia de Peter Greenaway;
PRINCIPAIS ATORES: Joan Plowright (Cissie Colpitts); Juliet Stevenson (Cissie Colpitts); Joely Richardson (Cissie Colpitts); Bernard Hill (Madgett); Jason Edwards (Smut); Bryan Pringle (Jake); Trevor Cooper (Hardy); David Morrissey (Bellamy); Natalie Morse (a menina que pula corda); John Rogan (Gregory); Paul Mooney (Teigan); Jane Gurnett (Nancy); Kenny Ireland (Jonah Bognor); Michael Percival (Moses Bognor); Joanna Dickens (Mrs. Hardy) e Janine Duvitski (Marina Bellamy).





SINOPSE: "Três mulheres com o mesmo nome, Cissie, cometem três assassinatos, cada uma afogando o próprio parceiro por pura insatisfação. A garantia para que os crimes não virem à tona é dada por um amigo apaixonado por elas: ele declara que os afogamentos foram acidentes. Esse amigo legista e seu filho são obcecados por jogos de todos os tipos, remetendo a cultura e o folclore local, que são jogados durante o filme." (Cine Click).



"1, 2, 3, 4... 100. Assim começa o filme, em uma contagem de 1 a 100 feita por uma menina nada convencional, sendo essa cena inicial, uma compilação análoga ao filme que se desenrolará em seguida. Assim como a menina, o filme todo, mesmo sendo bastante real, não tendo nada de ficção, em cada cena ou situação, ele é bastante incomum. O filme retrata 'doenças hereditárias' entre as mulheres da família Colpitts, que consiste em: serem infelizes no seu casamento, sempre terminar afogando os maridos e mesmo assim, ainda terem algum tipo de carinho e de 'arrependimento' pelo ato cometido. Porém, há um detalhe entre as mortes que o autor retrata bem, que acaba sendo diferente entre elas. Conforme a relação vai se prolongando, a falta de contato e proximidade é maior, o que torna o primeiro crime quase uma vitória e o último quase um equívoco. Vale ressaltar a cena onde a câmera foca as assassinas, logo após os respectivos crimes cometidos, e fica estagnada em 20 segundos, mostrando o rolar de uma lágrima no rosto de cada uma, o que torna a cena uma das mais significantes do filme. Depois de abordamos o 'Afogando', não podemos deixar de abordar os 'Números', que também é um dos focos do filme. A representação da vida, ou melhor dizendo, da morte, através de uma contagem durante todo o filme é bastante simbólica e amedrontadora, pois as mortes vão acontecendo e sendo registradas por um menino, que tem como divertimento, registrar e contar cada morte que cruza com a vida dele, o que acaba chegando a todos, e de forma perturbadora, cada descoberta é comemorada como se fosse um nascimento, mesmo quando essa comemoração envolve o próprio menino. Apesar de ter um enredo triste, o fato de o filme ter uma fotografia bastante colorida, nos mostrar jogos culturais, agregado ao excelente elenco, acaba amenizando a dramaticidade do filme, que também consegue mostrar bastante vida, seja nos closes em frutas ou insetos, seja pelos próprios jogos que são disputados entre eles."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Dizem que os gatos são ariscos por conta da história de sua raça, na qual constam perseguições e estereótipos de seres amaldiçoados, sendo passado de geração para geração o aviso de cuidado. 'Afogando' é um filme controvertido para o gênero comédia, mas mostra no padrão de perigo vivenciado pelas personagens um humor negro que sustenta o gênero. Com uma história linear, as três mulheres mostram o ritual pregado para assassinar seus maridos, afogando-os, calando-os, sufocando-os, seja por infidelidade ou por falta do olhar do outro. Ora, se a união com outra pessoa é algo para trazer felicidade, interessante notar que em grande parte das vezes acabam em morte, sejam reais ou simbólicas, com facas ou com palavras. A rede de significantes presente na história, unindo as mulheres denotam um padrão interessante no qual elas precisam sobrepor-se aos parceiros, ao homem, ao falo e, mais interessante que isso: cada uma delas, ao ter contrato com o legista (um homem), escapa da descoberta da atuação de seu desejo, seu crime mais íntimo, sua inveja do pênis (para ir fundo ortodoxamente nas teorias psicanalíticas, denotando esta opressão perante os poderes exercidos pelo símbolo masculino). Assim, Freud, no início do século XX já falava das repetições que se manifestam na realidade e em como estas se servem da pulsão de morte: no início do filme a mulher pergunta para a menina porque ela não conta além das 100 estrelas e a menina responde: '... cem é um bom número; depois disso tudo se repete...' E elas repetem os crimes no seio de suas famílias. No mais, o final surpreende: basta aqui dizer que a mulher consegue sobrepor-se a todos os homens e assegura o segredo que guarda a... 100 chaves. Fica para reflexão: qual o limite entre a agressão e a atuação dos impulsos menos nobres que permeiam um casal? Qual o limite para a perversidade entre os pares amorosos? Como seria um mundo sem a lei de interdição para encerrar limites nas famílias? Porque muitos casais se submetem a relações sufocantes, chegando a se afogarem nelas? Em muitos momentos perpetuamos as tradições que os nossos antepassados criaram... até onde isso é bom?" 

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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