08 junho 2011

Melhores Créditos: Parte 6

Saudações,


Hoje trazemos mais um ranking de créditos que contém suspense, arte e criatividade. Devido a problemas de incorporação de vídeos ao blog, decidimos colocar o thumbnail de cada filme, e para ver o vídeo do crédito de abertura, basta clicar sobre o nome em português de cada filme que você será redirecionado ao vídeo.



5ª posição: O Exterminador Do Futuro (The Terminator, EUA e Inglaterra, James Cameron, 1984).


Nossa quinta posição, para começar com ação!





4ª posição: Sin City (Sin City, EUA, Robert Rodriguez, 2005)

Podemos dizer que esta apresentação de créditos é... envolvente! não?




3ª posição: O Reino Proibido (The Forbidden Kingdom, EUA, Rob Minkoff, 2008).

E dando uma passada pelo oriente, nossa terceira posição com muita ação e artes marciais.




2ª posição: O Chamado (The Ring, EUA, Gore Verbinski, 2002).

Para dar muito medo, eles conseguiram apresentar créditos para aterrorizar!




1ª posição: Rock'n'Rolla - A Grande Roubada (RocknRolla, Inglaterra, Guy Ritchie, 2008).

Este ranking só poderia terminar em clima de ação! Nesta apresentação o início do filme é uma continuidade da arte que a antecede. Muito bom! E merece nossa primeira posição de hoje.



Traremos outros ranking's no futuro. Até lá!

Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.

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06 junho 2011

Olimpo Musical: Roxette

Por Jonathan Pereira

* Antes de começar a ler sobre o Roxette, sugiro descer até o final da página e apertar o play do tocador para sentir verdadeiramente o que está escrito aqui.




INTEGRANTES ATUAIS
Marie Fredriksson (vocal) e Per Gessle (vocal e guitarra).

ORIGEM
Halmstad, Suécia.

PERÍODO EM ATIVIDADE
1986 até hoje.

DISCOGRAFIA
8 álbuns de estúdio e 9 álbuns de compilação. Total de 17 álbuns;

PROJETOS ASSOCIADOS
Carreira Solo, Strul e Mamas Barn (Marie Fredriksson), Carreira Solo e Gyllene Tider (Per Gessle);

PREMIAÇÕES
World Music Awards: 2, MTV Video Awards: 2, Gold Bravo Otto: 1, Silver Bravo Otto: 2, Bronze Bravo Otto: 1, Fono Music Award: 1; Rockbjörnen Award: 6, Broadcast Music Incorporated: 1 e Australian Music Award: 1;

CURIOSIDADES
- A banda Gyllene Tider de Per Gessle toca na música 'She Doesn't Live Here Anymore' presente no álbum de 1995 'Don't Bore Us, Get to the Chorus! Roxette's Greatest Hits';
- Em 2008 Marie Fredriksson foi considerada pelo jornal britânico 'The Sun' como uma das '50 Cantoras Que Nunca Serão Esquecidas' ocupando a 16ª posição.




Essa história de sucesso começou em 1979, quando Per Gessle e Marie Fredriksson se conheceram atuando em suas antigas bandas. Assim, enquanto Per era, e ainda é, o líder da então Gyllene Tider, uma das mais populares banda suecas, Marie participava de duas bandas, menos conhecidas, a Strul e Mamas Barn. Em 1982 a dupla grava junto pela primeira vez, ainda não eram Roxette, Marie faz uma participação especial no álbum de Gyllene Tider.

Nos anos posteriores, Marie continua participando nos vocais de Gyllene que tenta carreira internacional sem sucesso, reconhecido inclusive por Per: "o álbum morreu depressa demais e uma carreira internacional morreu antes de sequer começar. Decidimos então por o Gyllene Tider para descansar por um tempo".

Em 1986 nasce o Roxette, com letras de Per e a voz de Marie lançam seu primeiro single 'Neverending Love' alcançando seu primeiro de muitos feitos: o top 10 Sueco. Roxette é sucesso desde da década de 1980 emplacando dezenove singles no top 40 no Reino Unido e quatro singles #1 nos Estados Unidos e venda de 75 milhões de discos em 25 anos de carreira, por isso merecem estar nessa seção dedicada aos grandes nomes da música mundial.

Em 1986 o Roxette lança seu primeiro álbum Pearls Of Passion, na época apenas na Suécia e alguns países da Europa. As músicas faziam parte do futuro terceiro álbum de Per em carreira solo e nos apresentou canções como: 'Neverending Love', 'Goodbye To You', 'Soul Deep' e 'I Call Your Name'.

Em 1987 é lançado o álbum Dance Passion, uma compilação de 7 músicas remixadas do primeiro álbum. É também nesse ano que a primeira turnê do Roxette ganha a estrada, no caso, estradas suecas, reunindo mais de 100 mil pessoas. No Natal o Roxette lança um de seus maiores sucessos, que para mim é a melhor música da dupla, 'It Must Have Been Love (Christmas For The Broken Hearted)'. Em 1997 o álbum é relançado mundialmente, incluindo 8 músicas, entre elas a música de Natal de 1987.

Em 1988 é lançado o segundo álbum da dupla intitulado Look Sharp!, e graças ao estudante norte-americano Dean Cushman de Minneapolis, que realizava uma viagem de intercâmbio na Suécia, em sua volta aos EUA Dean implorou para uma rádio local tocar 'The Look', música que ouvira na Suécia e que ficará encantado. Seu pedido foi aceito, e com o sucesso da música naquela rádio a música foi distribuída a outras rádios, dando início a carreira de sucesso e a primeira turnê internacional, além de figurar na lista das 20 mais tocadas nos EUA em 1989. Também estão nesse álbum as músicas: 'Chances', 'Dressed For Success', 'Listen To Your Heart' e 'Dangerous', as duas últimas presentes no meu top 5.

Já em 1990 a música 'It Must Have Been Love' ganha um re-arranjo e os temas de Natal são substituídos e a música entra para a trilha sonora do filme 'Uma Linda Mulher (Pretty Woman, Garry Marshall, 1990)' que vende mais de 9 milhões de cópias e coloca o Roxette definitivamente entre os grandes da música.

Em 1991 é lançado o terceiro álbum 'Joyride' que continua o sucesso arrebatador do seu antecessor e coloca o Roxette na estrada novamente com sua segunda turnê 'Join The Joyride' ainda maior e mais abrangente, levando cerca de 1 milhão e 700 mil fãs em 108 apresentações na Europa, EUA, América Do Sul e Austrália. Aqui aparecem as músicas: 'Fading Like A Flower', 'The Big L', 'Spending My Time', 'Joyride' e 'Church Of Your Heart', sendo que as 3 primeiras presentes na playlist abaixo.

É lançado o quarto álbum da dupla em 1992 chamado 'Tourism: Songs From Studios, Stages, Hotelrooms & Other Strange Places' que reúne músicas já gravadas em álbuns anteriores, versões ao vivo e as novas 'How Do You Do!', fechando meu top 5, e 'Queen Of Rain'. Per Gessle diz que o álbum foi criado para 'capturar a energia dentro da banda'.

Em 1993 o Roxette marca mais um feito ao gravar o especial MTV Unplugged, que não foi lançado oficialmente e que pela primeira vez apresenta artistas que não tenham como língua inata o inglês. Também nesse ano a dupla grava 'Almost Unreal' que faz parte da trilha sonora do filme 'Super Mario Bros. (Annabel Jankel, Rocky Morton, Roland Joffé e Dean Semler, 1993)', mas que a princípio era para figurar na trilha sonora de outro filme, 'Hocus Pocus (Kenny Ortega, 1993)'.

Em 1994 o Roxette volta 'mais adulto', segundo a própria Marie Fredriksson, com o lançamento do quinto álbum da banda 'Crash! Boom! Bang!' sendo mais um sucesso mundial, especialmente na Europa e no Japão, onde foi o álbum não japonês de maior sucesso no país. Nos EUA onde a gravadora mal divulgou o álbum, as vendas foram ajudadas por uma campanha da rede McDonald's que promoveu e vendeu um CD com 10 faixas do álbum em suas lojas intitulado 'Favorites From Crash! Boom! Bang!'.

Também nesse ano inicia um nova turnê 'Crash! Boom! Bang! World Tour 1994-95' deixando de fora os EUA, mas passando pela América do Sul, Europa e Ásia, inclusive com apresentação na China, sendo primeiro grupo desde Wham! em 1985 a conseguir tal permissão. Fazem parte desse álbum as músicas: 'Sleeping In My Car', 'Crash! Boom! Bang!', 'Fireworks', 'Run To You' e 'Vulnerable'.

Em 1995 é lançada a coletânea 'Don't Bore Us, Get to the Chorus! Roxette's Greatest Hits' com 14 faixas já lançadas em álbuns anteriores e 4 novas músicas: 'June Afternoon', 'You Don't Understand Me', 'She Doesn't Live Here Anymore' e 'I Don't Want To Get Hurt' e as duas últimas presentes na minha seleção. Também é lançado no Japão, e posteriormente exportado para a Europa, a outra compilação denominada 'Rarites', com 12 faixas nunca antes lançadas em álbuns anteriores do Roxette, incluídas algumas versões apresentadas em 1993 MTV Unplugged.

Em 1996 é lançado o sexto álbum do Roxette 'Baladas En Español' reunindo versões de maiores sucessos e regravadas em espanhol, tornando-se sucesso de vendas na América Latina e Espanha. Em 1997 e 1998 Per Gessle e Marie Fredriksson se dedicam a suas carreiras solos, onde conseguem novos prêmios e realizam novas turnês.

Depois de cinco anos sem um álbum de inéditas o Roxette lança seu sétimo álbum 'Have A Nice Day', em 1999, que traz um ritmo mais dançante e tecno, marcando o retorno da dupla. O álbum traz as músicas: 'Stars', 'Salvation', 'Wish I Could Fly', 'I Was So Lucky' e 'Anyone', sendo que as duas últimas estão presentes no meu 'The Best Of Roxette'.

Em 2001 é lançado o oitavo álbum dos suecos 'Room Service' e cercado de muita expectativa e traz um Roxette maduro e atual, resgatando as baladas que o marcaram nas duas décadas anteriores e encerrando o ano com a turnê européia 'Room Service World Tour 2001'. O álbum nos apresenta as canções: 'The Centre Of The Heart', 'Real Sugar' e 'Milk And Toast And Honey' e essa última também presente na playlist.

Em 2002 é lançada a compilação 'The Ballad Hits' trazendo duas músicas inéditas: 'Breathe' e 'A Thing About You' incluindo na nossa seleção essa última música. No final do ano o Roxette teve seu pior momento, durante um show em setembro Marie Fredriksson desmaia e é diagnosticada com um tumor cerebral, sendo removido com sucesso durante uma cirurgia. Mas em 2003 teve força para gravar as quatro novas músicas presentes na compilação 'rápida' 'The Pop Hits': 'Opportunity Nox', 'Little Miss Sorrow', 'Makin' Love To You', 'Better Off On Her Own' e 'Bla Bla Bla Bla Bla (You Broke My Heart)'.

Entre 2003 e 2005 Marie e Per voltam a se dedicar as suas carreiras solos e com suas bandas. Em 2006 é lançada a música 'The Rox Medley' e as compilações 'The Rox Box / Roxette 86-06' e 'A Collection Of Roxette Hits: Their 20 Greatest Songs!' e em ambos os álbuns aparecem as inéditas músicas: 'One Wish' e 'Reveal' comemorando os 20 anos da dupla.

Em 2009 durante a turnê de Per Gessle, Marie se apresenta para a surpresa e emoção do público e canta alguns sucessos do Roxette. Em 2010 eles entram em estúdio e começam a gravar um novo álbum com 16 músicas inéditas, além de tocarem 'The Look' no casamento da Princesa Victoria da Suécia.

Em janeiro de 2011 é lançado o nono álbum do Roxette 'Charm School' e a dupla volta em alto nível incluindo uma nova turnê mundial. Essa junção entre a voz leve e encaixada de Marie Fredriksson com a dom eclético do compositor e guitarrista Per Gessle torna essa dupla sueca um dos grandes nomes da música das últimas décadas.

Segue abaixo a lista, selecionada por mim, das 15 melhores músicas do Roxette em ordem de importância e uma playlist com as mesmas músicas, para se deliciar ao som romântico e dançante do Roxette:


1ª) It Must Have Been Love
1987 (Per Gessle)

2ª) Spending My Time
1991 (Per Gessle)

3ª) Listen To Your Heart
1988 (Marie Fredriksson e Mats Persson)
4ª) Dangerous
1988 (Per Gessle)

5ª) How Do You Do
1992 (Per Gessle)
6ª) Milk And Toast And Honey
2001 (Per Gessle)

7ª) Fading Like A Flower (Every Time You Leave)
1991 (Per Gessle)

8ª) Anyone
1999 (Per Gessle)

9ª) I Don't Want To Get Hurt
1995 (Per Gessle)

10ª) The Big L
1991 (Per Gessle)

11ª) I Was So Lucky
1999 (Per Gessle)

12ª) A Thing About You
2002 (Per Gessle)

13ª) It Will Take A Long Long Time
1999 (Per Gessle)

14ª) You Don't Understand Me
1989 (Desmond Child e Per Gessle)
15ª) She Doesn't Live Here Anymore
1995 (Per Gessle e Mats Persson)





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04 junho 2011

1001 Filmes +: A Fita Branca (Das Weisse Band: Eine Deutsche Kindergeschichte)

DIREÇÃO: Michael Haneke;
ANO: 2009;
GÊNEROS: Drama, Suspense;
NACIONALIDADE: Alemanha, França, Áustria e Itália;
IDIOMA: Alemão;
ROTEIRO: Michael Haneke;
BASEADO EM: ideia de Michael Haneke;
PRINCIPAIS ATORES: Ernst Jacobi (Narrador e Professor Da Escola); Leonie Benesch (Eva); Christian Friedel (Professor Da Escola); Burghart Klaussner (Pastor); Ulrich Tukur (Barão); Ursina Lardi (Baronesa); Fion Mutert (Sigi); Maria-Victoria Dragus (Klara, filha mais velha do pastor); Leonard Proxauf (Martin, filho mais velho do pastor); Steffi Kuhnert (Ana, esposa do pastor); Rainer Bock (Doutor); Susanne Lothar (A Parteira); Branko Samarovski (Agricultor) e Michael Kranz (Tutor de Sigmund).





SINOPSE: "Um vilarejo protestante no norte da Alemanha, em 1913, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. A história de crianças e adolescentes de um coral dirigido pelo professor primário do vilarejo e suas famílias: o barão, o reitor, o pastor, o médico, a parteira, os camponeses. Estranhos acidentes começam a acontecer e tomam aos poucos o caráter de um ritual punitivo. O que se esconde por trás desses acontecimentos?" (Cinema10).



"Um filme bastante complexo, que precisamos avaliar com dois olhares e de formas distintas, para assim depois juntá-los e formarmos o todo. O primeiro olhar deve se reter ao técnico-cinematográfico, ou seja, ao lado bom do filme. A começar pelo fato de um filme de 2009 ser filmado em preto e branco, ajudando agradavelmente a inserção no contexto proposto pelo diretor, caso contrário, não seria tão perturbador e melancólico como deveria ser. Também nos é apresentando um fotografia espetacular, cuidadosa, minuciosa e bela. As atuações, ora doce como do professor, ora severa e seca como do pastor ou ora ressentida e triste como do menino, merecem também nossa nota máxima e nos faz assistir ao filme com muita atenção, perplexo e contestado pelo enredo, de quem é e do por que aqueles acontecimentos sombrios acontecem. Um filme perfeito tecnicamente. Porém, o segundo olhar chega quando precisamos abordar o roteiro do filme. Eu nunca gostei de filmes com finais abertos, que eu costumo chamar, de filmes sem final, onde as resoluções que deveriam vir a tona de forma clara, tão claro como o nome do filme, por exemplo, fica por conta dos indícios, das deixas, do desenrolar do enredo, da reflexão, muito particular de cada um, dando um final imaginário para cada espectador. Mas nesse caso, o filme sem final, além de me desagradar por si só, se fazia necessário ter um fim pela proposta inovadora de enredo fictício feito pelo diretor e roteirista. O roteiro, olhando aqui com o primeiro olhar proposto acima, é perfeito até os cinco minutos finais, onde alguém deveria subir ao altar e declarar quem fez tudo aquilo e, talvez, explicar o por que, mas o diretor prefere ir esvaindo o filme ao seu final. Mas como um belo representante da sétima arte, de roteiro original, cairia apenas no meu descontentamento com filmes sem finais, apenas como outros que já passaram por aqui, e que merecem nosso destaque principalmente por tratar de um assunto tão dolorido de forma tão diferente nas telonas. O autor, ao coincidir o final do filme com o início das 'Grandes Guerras' e por toda história apresentada, nos faz entender que aquelas crianças seriam os algozes da humanidade anos depois, e que aquela vila fora o berço e a criação dos ideais e doutrinas do Nazismo. O mérito histórico, cultural, político e econômico que tal tentativa de afirmação é feita são simplórias e talvez, verdadeiras ou não, mas são, antes de mais nada, sugestões, e jamais afirmações. Dizer que os punhos de ferro alemães de pais autoritários cultivaram tais sentimentos em seus filhos, a ponto de se tornarem tais quais Hitler e seus seguidores, é um preconceito e uma segregação injusta com o povo alemão, pois o que aquelas famílias retratadas no filme difeririam de famílias da mesma época vividas na Itália, França, Brasil, etc.? Estereotipar os alemães como os culpados pelo nazismo, simplesmente pelo rigor e austeridade na educação e relação familiar, é tão grave quanto o próprio Nazismo. Por isso, por ele ter proposto um enredo tão diferente e inovador, para tentar explicar o pior momento vivido da humanidade é válido como tentativa, mas é falho como explicação, pois falta justamente a explicação a que ele se propôs durante todo o filme."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Comentar este filme não é fácil levando-se em conta dois aspectos a serem analisados: primeiro, acerca do argumento do enredo e, segundo, acerca da obra de ficção. Assim, quanto ao primeiro ponto, a obra é altamente persuasiva para nos fazer convencer de sua filosofia, a qual explica a origem do nazismo (ou a origem de todo o mal, como diz Michael Haneke). Assim, a igreja repressora e a educação familiar rígida administrada pelos alemães a seus filhos levou ao nazismo. Não há dúvida de que aspectos como família e religião interferem na formação da psique dos indivíduos, mas a afirmação trazida pelo filme de Haneke se faz simplista, já que há diversos outros aspectos da sociedade alemã (e das sociedades) que não são levados em conta para que este argumento se sustente com fortes pilares. Assim, se recorrermos à psicanálise e à sociologia (com o expoente Zigmunt Baunan), podemos pensar além dos aspectos do enredo de 'A Fita Branca'. Porém, acho válido o tema ter sido colocado em pauta para reflexão das sociedades acerca do modo e de como conduzem o desenvolvimento de seus filhos. Logo, o argumento pode ser pensado além da sedução do que é visto na tela, deixando uma brecha para que a obra ficcional seja mais interessante, pensada à parte. Neste aspecto, o filme é artisticamente um dos mais lindos que já vi, com suas imagens em preto e branco dos anos 2000, atuações naturais e espontâneas, diálogos perfeitos e breves, focos de câmera que nos coloca como testemunhas da trama bem próximos aos personagens. Ou seja, tudo para ser uma obra PERFEITA. Porém, um ponto me decepcionou: todo o filme coloca alta expectativa para se descobrir o mistério daquela comunidade (quem é o autor do crimes), mas cai em um final aberto. Finais assim não tendem a me incomodar, mas este sim, visto que uma frase ao final fecharia a história e me livraria do peso de julgar segundo meus critérios pessoais, dando o meu desfecho à história. O diretor, depois esclareceu o mistério, mas me pergunto o porque não colocar isto no filme. Penso que ele quis deixar este contraponto de reflexão que um final aberto traz, fazendo o espectador pensar sobre o tema, mas se o argumento do filme já foi desfalcado, a obra de ficção ficaria muito mais interessante com um desfecho pontual. Bem, deixo de falar sobre este aspecto por aqui, pois já me sinto mal em colocar tantos dedos na obra de um grande cineasta como Haneke. E concluindo, para psicólogos/psicanalistas, ter contato com este filme é de grande riqueza interpretativa em suas cenas e em seus diálogos, levando em conta a estruturação das sociedades e das famílias e o alto peso que a religião impõe à algumas culturas, não deixando espaço para que a pessoa humana desabroche em sua essência individual. Analisar o Pai da sociedade (no sentido de Jacques Lacan, como aquele que representa o interdito dos desejos), através do filme, me fez pensar em como a sociedade mostrada pelo filme é altamente interditada, e compreendo assim (talvez), a origem das pornochanchadas brasileiras já que nosso país carece de Pai."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





Para entender o que são os 1001 Filmes, acesse a página explicativa.

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