14 maio 2011

1001 Filmes: Apertem Os Cintos... O Piloto Sumiu (Airplane!)

ANO: 1980;
GÊNEROS: Comédia;
NACIONALIDADE: EUA;
IDIOMA: Inglês;
ROTEIRO: Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker;
BASEADO EM: filme 'Zero Hour!' de 1957;
PRINCIPAIS ATORES: Robert Hays (Ted Striker); Julie Hagerty (Elaine Dickinson); Leslie Nielsen (Dr. Rumack); Peter Graves (Capitão Clarence Oveur); Kareem Abdul-Jabbar (Roger Murdock 'como Kareem Abdul-Jabaar'); Lloyd Bridges (Steve McCroskey); Robert Stack (Rex Kramer); Rossie Harris (Joey); Lorna Patterson (Randy) e Otto (Boneco Inflável Otto).






SINOPSE: "Um ex-combatente de guerra tem que assumir o controle de um avião comercial e enfrentar seu trauma de guerra: pilotar aviões. Sua ex-namorada que é aeromoça do voo, o ajuda a comandar o avião quando todos os tripulantes e a maioria dos passageiros passam mal após comer peixe estragado."



"Apesar de já termos assistido outros filmes que tinham como gênero a comédia, este de fato é o primeiro filme engraçado, que faz você rir, tanto que é classificado apenas como comédia pela nossa fonte. Nos dias de hoje, quando falamos para os jovens citarem um filme de comédia, a maioria irá dizer 'Todo Mundo Em Pânico', ou algo que o valha, que convenhamos, muito mais sem graça que seus primogênitos dos anos 80, como 'Airplane!'. Uma clara diferença das paródias de hoje para aquelas de 30 anos atrás é a forma de interpretação do elenco. Leslie Nielsen, Peter Graves e Lloyd Bridges encaram seus personagens e histórias como dramáticos, não podendo deixar de ressaltar suas atuações impecáveis, e ao ouvirmos a afirmação: 'precisamos achar alguém que possa pilotar esse avião, e que não tenha comido peixe no jantar!', com voz firme e semblante de preocupação em um contexto engraçado, acaba resultando em uma boa e verdadeira comédia. Se analisarmos a história do filme, sem seus clichês cômicos, teríamos uma bela história dramática, na qual as pessoas começam a passar mal ao comerem peixe estragado a bordo do avião, incluindo a tripulação, e resta apenas uma unica saída, a de um veterano de guerra pilotar um avião comercial, e tentá-lo pousar com segurança. E por encarar a história com essa visão seu elenco consegue nos fazer rir de piadas que não são piadas, de cenas que seriam para se preocupar e não sorrir, enfim, conseguem fazer uma comédia de verdade, coisa rara nos dias de hoje."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Este filme, dirigido por três grandes do humor me ensinou uma noção básica de todo humor realmente cômico: a noção de se fazer comédia com a maior seriedade possível. Assim, esta característica pode ser vislumbrada nas atuações de diversos atores nesta obra, destacando as performances perfeitas de Lloyd Bridges e de Leslie Nielsen, que fazem tudo com seriedade em suas falas e movimentos, parecendo estarem em um real espetáculo dramático. Este humor, sério e dosado, está repleto de atuações perfeitas, desde as aeromoças até o comandante da aeronave e, realizado em menos de um mês de gravação, insere na tela um roteiro sem furos, perfeito. Peter Graves, Lloyd Bridges e Leslie Nielsen estão ótimos e, interessante notar, que participaram de mais de 100 filmes cada, mostrando trabalho até a morte, que chegou para eles após os 80 anos de idade. As sátiras de filmes famosos trazidos nesta comédia são dos mais inteligentes do cinema até hoje e merecem ser apreciados. Além de tudo isso, a trama tem um fundo psicológico bem interessante ao trazer o conflito entre o casal Ted e Elaine, sendo que ela pede a ele que deixe para traz as marcas do passado, veja que há um futuro a ser vivido e que, para ficar com ela, deve conquistar coragem, deixar de lado os medos e se tornar um homem forte capaz de fazer um avião subir. Parece mais uma sátira dos relacionamentos, mas se encaixa muito bem no roteiro, embasando a comédia com algo mais dramático. Portanto, um filme que merece ser conhecido."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





Para entender o que são os 1001 Filmes, acesse a página explicativa.

Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.









































Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

11 maio 2011

Trajetória: Johnny Depp (Parte I)

Por Kleber Godoy

Para começar esta nova seção ninguém melhor do que o bad boy de Hollywood, um de meus grandes ídolos, para estrelar uma sequência de posts sobre sua vida e arte.


Entrando no mundo do cinema por acidente, como ele mesmo considera, tem mostrado ao público belas atuações em excêntricos e interessantes personagens, conseguindo fugir dos rótulos preferidos do mundo do espetáculo, como de Símbolo Sexual. Assim, percorre o caminho do sucesso com originalidade, espontaneidade e liberdade. Este é Johnny Depp! E nesta primeira parte vamos falar sobre o início de sua vida e carreira percorrendo sua infância e adolescência, assim como seu flerte com a música e sua entrada no cinema em 1984.


Johnny Depp nasceu em 9 de junho de 1963, filho de um engenheiro civil e de uma dona de casa (posteriormente garçonete) e seu nome de registro é John Christopher Depp II. Nasceu na cidade de Owensboro, no Estado americano de Kentucky, mas seus pais se mudaram para a Flórida quando ele tinha 7 anos e lá foi criado, tendo que se mudar de cidade outras vezes por conta da busca familiar por melhores condições de vida. Depp tem um irmão e duas irmãs, sendo uma delas sua empresária e, apesar dos conflitos familiares na infância, ocasionando a separação dos pais quando ele tinha 15 anos, é uma pessoa que valoriza muito a família e a sua união.

Através de entrevistas do astro e de notícias da mídia, tomamos conhecimento de sua infância, na qual o garoto era bem solitário e construía túneis no jardim de casa, escondendo-se lá durante horas. Sua jornada solitária também permeava sua vida escolar, na qual não tinha amigos, não era bom em esportes e não tirava boas notas na escola. Além disso, apesar de hoje ser um dos homens mais desejados do mundo, não tinha namoradas. Através desta pequena introdução na vida de Johnny Depp vemos a sua habilidade natural para encarnar personagens excêntricos, além de dar certa tranquilidade às pessoas que tiveram infâncias solitárias e sem sucesso com as meninas ou com os esportes: o fracasso nem sempre é permanente! (risos)

Desde o início de sua vida sonhava com a música e aos 12 anos ganhou sua primeira guitarra decidindo que seria guitarrista. A escola sempre ficou em segundo plano em sua vida e aos 16 conseguiu formar um grupo, 'The Kids', que mais tarde viria a ser 'Six Gun Method'. Sua passagem pela música foi breve, fazendo shows em casas noturnas e abrindo alguns shows de famosos, como o do excêntrico Iggy Pop.


Nesta época e em outras posteriores ele reconhece fases de isolamento nas quais a guitarra e as drogas eram suas companheiras inseparáveis. Rebeldia talvez fosse presente nesta época já que sentiu as consequências emocionais da separação de seus pais. Algumas curiosidades, talvez irrelevantes sobre o astro: começou a fumar aos 12 anos; perdeu a virgindade aos 13 com uma mulher mais velha; saiu da escola aos 15 onde as meninas o achavam 'estranho'; tem 1,77 de altura; não se interessava por namoro, focava em sua vida musical; e não se importa com premiações (aliás... qual a importância delas perante o talento, não?).


Quando Johnny era menino na Flórida e as drogas permeavam sua existência, diz que as utilizava como uma 'auto-medicação', já que enfrentar o divórcio dos pais não foi fácil. Assim, em uma entrevista chegou a dizer que não era divertido utilizar-se nem delas e nem do álcool. Era o modo como o jovem enfrentava a vida, saindo um pouco da pesada realidade.

Johnny utilizava da música também como escape, se sentindo bem com ela. Ele conta em uma entrevista que deixou a escola por não se sentir bem lá, mas que a música era muito importante para ele: 'era um santuário, me dava sensação de segurança absoluta; na escola, eu não me sentia assim'. Além disso, fala que foi uma época em que se vê como um 'garoto imbecil' indo em busca de música e falta de realidade, deixando a escola e se metendo com pessoas grandes sem ter conhecimento nem habilidade para manter conversas com elas.

Em 1983, com 20 anos, conheceu a maquiadora Lori Anne Allison, sua primeira esposa, unindo-se a ela por 2 anos. Viajaram juntos com a banda, que ficou confiante com os shows que apareciam e rumaram a Los Angeles em busca de contrato, percebendo que o mundo lá era muito mais complicado do que esperavam.


Vivendo precariamente em Hollywood, sem dinheiro ou moradia fixa e de boa qualidade, buscando trabalhos pouco rentáveis como o de telemarketing e de frentista de posto de gasolina, enfrentaria uma situação dramática. A situação financeira dos dois era realmente precária e uma tensão entre o casal provocou a separação em 1986, mas enquanto ainda era casado, Lori lhe apresentou seu amigo Nicolas Cage, o qual lhe mostrou o mundo do cinema convencendo-o a tentar este caminho. Depp então se perguntou 'porque não tentar ser ator?'. Cage agiu possibilitando que ele fizesse um teste para seu primeiro filme.


Johnny Depp disse que a situação era tão precária que aceitaria qualquer coisa naquela época. E assim entrou no filme 'A Hora do Pesadelo (A Nightmare On Elm Street, de 1984)', o que considera sua entrada acidental no mundo do cinema.


Tremendo e suando inicia as gravações tornando-se um sucesso perante as câmeras, agradando imensamente o diretor e escritor Wes Craven. O personagem de Depp neste filme é Glen Lantz, um dos jovens do grupo de adolescentes que começam a ter pesadelos nos quais são atacados por Freddy Krueger (interpretado por Robert Englund), um homem de garras afiadas e que mata jovens enquanto dormem. Neste filme, os crimes ocorrem sem saber da identidade do assassino até que há a descoberta de quem ele é e que foi queimado vivo pela vizinhança após molestar crianças naquela rua. O motivo do retorno de Freddy: é a vingança contra aqueles que o mataram, os pais destes jovens.



Sua atuação no filme, para um iniciante, sem ter cursado teatro, nem nada, foi bem significativa, não apenas uma 'pontinha'. E, para mim a atuação de Depp foi excelente pensando-se que o jovem interpretado por Johnny precisaria de algumas características que estavam intrínsecas no ator: espontaneidade, naturalidade, senso de humor e criatividade (estimulada pela sua grande curiosidade).


O filme teve sucesso acima do esperado, gerando sequências. Depp ficou eufórico com a sua atuação e com a repercussão da obra de Craven, continuando assim, apto a atuar em outros filmes. Logo após o sucesso nacional, o filme foi divulgado para outros países alcançando o mundo todo. O custo de produção ficou em torno de 1 milhão e 800 mil dólares, gerando renda de 26 milhões e 300 mil dólares.

Foi o início de sua promissora carreira como ator, passando a fazer aulas de teatro e investindo nesta trilha, na qual faria grandes amigos como Leonardo DiCaprio, Tim Burton, Helena Bonham Carter, Marlon Brando, Christina Ricci, Al Pacino e Sean Penn. Neste caminho teve que dizer muitos 'nãos' para se livrar de estereótipos e ser quem ele queria ser, o que lhe custou caro em alguns momentos. Mas disso falaremos nos próximos episódios desta história.

Apesar da guitarra ter ficado em segundo plano, sua atração pela música insiste em se manter e no decorrer de sua carreira vem tendo contato com a música incessantemente, como é o caso da participação em clipes de Tom Petty e de The Lemonheads. Além disso, toca guitarra na faixa 7, 'Fade In-out', do CD 'Be Here Now', do Oasis, de 1997, sendo amigo de Noel Gallagher, guitarrista da banda e um dos 'encrenqueiros do rock'. Em momentos posteriores falo mais de outros envolvimentos de Johnny com a música.

No decorrer de sua carreira, mostra versatilidade e falta de medo em arriscar, melhor dizendo, apreço e prazer em correr riscos. Apesar da fama de bad boy em Hollywood, quem trabalha com ele o descreve como sensível, gentil, inteligente, curioso e brilhante, assim como incompreendido. Estas são apenas alguns dos adjetivos que demonstram seu talento natural e minha razão de tê-lo como grande ídolo.


Por enquanto é isso... a segunda parte desta história contará o percurso de Johnny Depp, além desta interessante introdução, chegando aos anos de 1990 e à sua parceria frutífera com Tim Burton! Até lá!

Leia também a segunda parte e a terceira parte da nossa homenagem ao Johnny Depp.


Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

07 maio 2011

1001 Filmes: Acorrentados (The Defiant Ones)

DIREÇÃO: Stanley Kramer;
ANO: 1958;
GÊNEROS: drama;
NACIONALIDADE: EUA;
IDIOMA: inglês;
ROTEIRO: Nedrick Young (Nathan E. Douglas) e Harold Jacob Smith;
BASEADO EM: ideia de Nedrick Young;
PRINCIPAIS ATORES: Tony Curtis (John 'Joker' Jackson); Sidney Poitier (Noah Cullen); Theodore Bikel (Xerife Max Muller); Charles McGraw (Capitão Frank Gibbons); Lon Chaney Jr. (Big Sam 'como Lon Chaney'); King Donovan (Solly); Claude Akins (Mack); Kevin Coughlin (Billy); Cara Williams (Mãe do Billy); Lawrence Dobkin (Editor); Whit Bissell (Lou Gans); Carl Switzer (Angus 'como Carl Switzer).




SINOPSE: "Joker Jackson e Noah Cullen são dois prisioneiros que conseguem fugir, depois que o ônibus que os transportam para o presídio sofre um acidente. Acontece que eles estão acorrentados um ao outro. E pior: Jocker é branco e Noah é negro. Ao mesmo tempo que ambos tentam lidar com suas "diferenças" raciais e precisam contar um com o outro para poderem escapar dos policiais que os perseguem. Quando conseguem se libertar das correntes, finalmente eles percebem que a hostilidade que havia transformou-se em amizade e respeito." (InterFilmes).



"O filme traz a tona, de forma incisiva e questionadora, a era negra da falta de liberdade, segregação e preconceitos raciais do Império, a terra da democracia: os EUA. A vida de dois bandidos que, por um lado, conseguem a possibilidade de fugir e serem livres, por outro lado, além da luta pela fuga, terão que fugir unidos, e portanto, tendo que entrar em acordo, tendo entre si uma muralha rígida chamada preconceito, pois um é branco e o outro negro. Com esse enredo, o filme já tem pano para manga, mas o diretor consegue agregar doses de adrenalina e angústia ao filme, tornando-o ainda mais interessante e instigante. Uma cena marcante é quando os dois, ainda acorrentados, se jogam em um buraco para não serem vistos e, para conseguirem sair dali, só um subindo sobre o ombro do outro, e quem é 'pisado' na cena? O negro. Para se ter ideia do quanto o momento nos EUA era delicado, o filme foi indicado à nove Oscars, vencendo nas categorias de fotografia e roteiro original, sendo que nessa última, os premiados foram Nedrick Young e Harold Jacob Smith. Nedrick Young, por ser membro do Macartismo, não poderia assinar suas obras, criando o pseudônimo Nathan E. Douglas, sendo esse o real vencedor do Oscar ao lado de Smith, tendo esse absurdo corrigido apenas em 1993, onde o real nome do autor foi creditado ao prêmio pela Academia. O filme é uma homenagem à amizade, à tolerância e à capacidade humana de aprender a não ser mesquinho e pequeno."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Acorrentados traz um roteiro brilhante com a direção esplêndida de Stanley Kramer, o qual estou curioso para conhecer mais e mais seus filmes que tocam a consciência, tomado por sua aparente paixão de fazer cinema. O filme conta com uma fotografia que merece os prêmios ganhos e traz para o expectador toda emoção da desventura dos dois rapazes enquanto fogem da polícia, deixando tudo muito belo e real ao falar de temas difíceis como prisão e liberdade. No fim, a história é densa demais para poucas linhas, mas, em suma, traz um pouco sobre o vazio sentido pelas pessoas na contemporaneidade, sendo que ao encontrar pessoas com o mesmo sentimento questionam como podem preencher este lugar oco dentro de si. Este filme é repleto destes encontros, começando pelos dois homens acorrentados e chegando até a bela jovem mãe abandonada ‘mãe do Billy’, assim como ao próprio menino Billy. Estes encontros, como todos os relacionamentos sentidos perto demais, estão cheios de projeções e identificações que levam à solidariedade e à agressividade, polos que tentam equilibrar a balança da convivência e do amor. O personagem de Tony Curtis está em uma cena belíssima com Cara Williams na qual diz que os sonhos podem preencher estes vazios e nos levar para todos os lugares que se tem idealizado. E isso traz Freud falando que sem sonhar... simplesmente morreríamos e, o suicida pode ser aquele que cansou de sonhar ou não mais consegue assim viver? Talvez. Enfim, Tony Curtis, Sidney Poitier e Cara Williams brilham com sonhos de atuação poetizando sobre as correntes que algemam e os relacionamentos que libertam."
(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





Para entender o que são os 1001 Filmes, acesse a página explicativa.

Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.






















Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...