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01 março 2011

1001 Filmes: Os 120 Dias De Sodoma (Salò O Le 120 Giornate Di Sodoma)

ANO: 1975;
GÊNEROS: Drama e Terror;
NACIONALIDADE: França e Itália;
IDIOMA: italiano;
ROTEIRO: Pier Paolo Pasolini, Sergio Citti, Roland Barthes, Maurice Blanchot, Pierre Klossowski e Pupi Avati;
PRINCIPAIS ATORES: Paolo Bonacelli (Duque); Giorgio Cataldi (Bispo); Umberto Paolo Quintavalle (Magistrado); Aldo Valletti (Presidente); Caterina Boratto (Senhora Castelli); Elsa De Giorgi (Senhora Maggi); Hélène Surgère (Senhora Vaccari); Sonia Saviange (Pianista); Franco Merli (Vítima Masculina); Renata Moar (Vítima Feminina); Ines Pellegrini (Escrava); Rinaldo Missaglia (Guarda); Giuseppe Patruno (Guarda); Guido Galletti (Guarda); Efisio Etzi (Guarda).




SINOPSE: "Baseado livremente em histórias de Marquês de Sade ('Círculo de Manias', 'Círculo da Merda' e 'Círculo do Sangue'), a história se passa na província italiana de Saló no norte de Itália que estava controlada pelos nazistas em 1941, onde quatro dignatários reúnem dezesseis exemplares perfeitos de jovens levando-os para um palácio perto de Marzabotto juntamente com guardas, criados e garanhões. A partir daí, eles passam a ser usados como fonte de prazer, masoquismo e morte. Além deles, há quatro mulheres de meia-idade: três delas contam histórias provocantes enquanto a quarta os acompanha ao piano." (O Teatro Da Vida).



"Assistir, ver e comentar o filme, é sinônimo de visitarmos lugares dentro de nós onde não gostamos de ir, preferimos ignorá-los, pois nos faz ter contato e refletir sobre situações constrangedoras, rudes, perversas, repugnantes e não humanas. O filme nos força a enxergar e analisar paralelos com a religião, por exemplo, quando insere um bispo como um personagem da trama, nos mostrando que a submissão aos religiosos podem ser cegas e perversas muita vezes. Também nos traz a tona a imparcialidade e a corrupção da justiça e da política, representada pelo magistrado e pelo presidente, além superioridade e da indiferença da "alta classe", representado pelo duque. Mas qualquer abordagem que se faça que não seja a respeito da degradação humana, acaba sendo no mínimo, uma brincadeira de mal gosto com aqueles que um dia passaram por isso, nos idos anos de 1940, quando a brutalidade e falta de respeito para com o ser humano chegaram ao ápice na história da humanidade, com o fascismo, e talvez muito pior, com o nazismo. O filme, em todo momento, nos faz ter nojo, repulsa, pena, raiva, indignação, etc. ao ver cenas de escatologia, humilhação, submissão, maltrato físico e mental. É um filme perturbador e chocante, pela clareza e falta de vergonha, medo, e pela audácia e coragem do Paolo Pasolini, em transformar a ideia do Marques de Sade em um filme realista sobre o lado obscuro e devasso da mente humana. Mas também poderíamos imaginar que o filme teve como base o tríptico 'O Jardim das Delícias Terrenas' de Hieronymus Bosch, onde retrata na parte central o paraíso recoberto de corpos nús e celebrando os prazeres da carne, sem sentimento de culpa, ressaltando a preposição cristã dizendo que entre o bem e o mal mora o pecado, a luxúria e a passagem etérea do gozo e do prazer. O que também surpreende é como há pessoas com todo tipo de perversão, e podemos classificar também como tal, pela forma como é apresentada, a submissão das vítimas, algumas até sentindo prazer em estar naquela posição, e passando por situação inadmissíveis à maioria. Outro ponto interessante que foi retratado com bastante sutileza por Pasolini é o fato de o preconceito racial ser muito maior e mais forte que outros tipos de preconceitos, como: ideológicos, sexuais ou religiosos. Afinal, a única pessoa negra do filme é a clássica "empregada", que nesse contexto de falta de pudor e limite, não houve a necessidade dos poderosos de terem recrutados garotos e garotas negras, pois como eles mesmos dizem, aquelas vítimas brancas são a representação da melhor e mais pura beleza humana, representando o preconceito racial embutido nas escolhas. A qualidade e o profissionalismo do elenco merecem todo o nosso reconhecimento e aplausos, por um único motivo: fazer um filme com esse contexto, sendo obra de ficção, mas parecendo que suas atuações foram momentos reais de suas vidas, é algo muito complicado, pois estão interpretando e tendo contato com o lado negro da mente humana, e a possibilidade de não parecer real fica ainda mais latente nessas situações, e ainda assim, conseguiram fazer com que acreditássemos que tudo era a realidade, como se fosse uma notícia passada em telejornal."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Porque este filme merece ser assistido? Por que: é o filme mais perturbador da história do cinema (como concordam diversos críticos); seu diretor morreu, possivelmente, por conta das corajosas ideias que o geraram; pela demonstração de como o poder age (seja proveniente do governo, do clero ou do magistrado) e de como os grupos de pessoas se comportam perante ele; mostra o limite da perversão com a psicopatia; contém várias perversões e/ou fetiches à flor da pele: sadismo, masoquismo, coprofilia, exibicionismo, voyerismo...; causou repulsa da sociedade, que o colocou no exílio por anos; ótimo estudo para a fixação nas diversas fases do desenvolvimento psicossexual: oral, anal, edipiano... (mas não poderia ser exibido na universidade por conta das pessoas mais contidas que não se sentiriam bem com seus instintos mais primitivos saltando para fora...); e demonstra as relações com figuras de autoridade variadas, neste contexto todo, como por exemplo: o presidente, o bispo, o pai, o juiz e o marido. Divirta-se... se puder!"

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





Para entender o que são os 1001 Filmes, acesse a página explicativa.

Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.


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18 janeiro 2011

1001 Filmes: Aconteceu Perto Da Sua Casa (C'est Arrivé Près De Chez Vous)

ANO: 1992;
GÊNEROS: Comédia, Policial e Terror;
NACIONALIDADE: Bélgica;
IDIOMA: Francês;
ROTEIRO: Rémy Belvaux, André Bonzel, Benoît Poelvoorde e Vincent Tavier;
BASEADO EM: ideia de Benoît Poelvoorde;
PRINCIPAIS ATORES: Benoît Poelvoorde (Ben); Rémy Belvaux (Rémy); André Bonzel (André); Édith Le Merdy (Nurse); Jacqueline Poelvoorde-Pappaert (A mãe de Ben); Nelly Pappaert (Avó de Ben); Hector Pappaert (Avô de Ben); Jenny Drye (Jenny); Malou Madou (Malou); Willy Vandenbroeck (Boby); Rachel Deman (Mamie Tromblon); André Laime (Velho De Cama); Sylviane Godé (Martine, vítima de estupro); Zoltan Tobolik (Marido de Martine); Valérie Parent (Valerie); Alexandra Fandango (Kalifa) e Olivier Cotica (Benichou).





SINOPSE: "Uma feroz comédia de humor negro, parte de uma idéia das mais originais: uma equipe de documentaristas acompanha os passos de um serial killer e enquanto ele vai assassinando suas vítimas, diante das câmeras, também o vemos discorrer sobre temas variados como arte, música, natureza e a vida em geral." (Terra Cinema & DVD).



"Quando lemos a sinopse do filme, já nos preparamos para um filme pesado, forte e triste, mas por incrível que pareça, não foram esses sentimentos que prevaleceram. O filme tem um grande mérito: retratar a vida de uma pessoa em todos os seus sentidos, e nesse caso, ser assassino, ladrão e perverso é apenas um detalhe do filme. Em raros momentos você fica com raiva de Ben, exceto no assassinato da sua primeira vítima que sofre com problemas cardíacos e ele a mata com um susto, mas mesmo nesse caso, você ainda consegue achar alguma graça naquilo. O momento em que os sentimentos negativos mais me afloraram não foram protagonizados por Ben ou sua equipe, mas por uma enfermeira que destrata de um dos seus pacientes, ou seja, essa tal enfermeira é mais 'cruel, dura e má' que o próprio Ben."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Filme francês é uma delícia de se contemplar. Neste caso, especificamente, uma obra com orçamento baixo, gravado com uma câmera praticamente caseira, com roteiro simples e sem expectativa de público... fórmula para um filme ficar dentro da gaveta, mas que deu certo. Há qualidade nas atuações e traz a brilhante ideia de se trazer pessoas da família do diretor para 'atuarem' e, o melhor, sem saberem que estavam atuando. Ficou muito real e enquanto assistíamos pensávamos que as atuações daqueles senhores e senhoras estavam muito naturais. Depois viemos saber o motivo. É um filme que deixa a mensagem de que com muito pouco recurso pode se fazer algo de muita qualidade quando se trata em cinema. A cena final – um final impagável - deixa o espectador com a boca aberta e com uma questão sem resposta junto a um gosto estranho na boca como que nos indagando se gostamos ou não desta obra. Gostaria de chamar a atenção para a equipe de produção do personagem principal, que o acompanha em seus assassinatos, sendo testemunha de todos os crimes, participando como espectadores: Jacques Lacan, psicanalista francês, tem, nesta questão, seu conceito de Interpassividade muito bem ilustrado. Ora, não preciso 'gozar', já que o outro está gozando por mim, cometendo tudo aquilo que eu tenho de mais podre dentro de mim, que não aceito, que repudio, que não quero... mas o outro ali frente a mim faz, eu assisto e fico em minha posição interpassiva, me regozijo, participo como quero, como posso, como consigo, como me permito... sinto-me feliz com isso, aplaco meus desejos e baixo a guarda, a ansiedade e a vontade... aplaca meus instintos agressivos, sexuais... – sim, o gozo não se completa, mas se aplaca. E não é assim sempre? No mais, 'Aconteceu Perto Da Sua Casa' é uma obra muito contemporânea que aborda o valor da vida. Qual é o valor da vida hoje em dia? A frieza com que o personagem principal trata seu 'trabalho' nos dá uma pista para a resposta."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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