Mostrando postagens com marcador Suspense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Suspense. Mostrar todas as postagens

04 junho 2011

1001 Filmes +: A Fita Branca (Das Weisse Band: Eine Deutsche Kindergeschichte)

DIREÇÃO: Michael Haneke;
ANO: 2009;
GÊNEROS: Drama, Suspense;
NACIONALIDADE: Alemanha, França, Áustria e Itália;
IDIOMA: Alemão;
ROTEIRO: Michael Haneke;
BASEADO EM: ideia de Michael Haneke;
PRINCIPAIS ATORES: Ernst Jacobi (Narrador e Professor Da Escola); Leonie Benesch (Eva); Christian Friedel (Professor Da Escola); Burghart Klaussner (Pastor); Ulrich Tukur (Barão); Ursina Lardi (Baronesa); Fion Mutert (Sigi); Maria-Victoria Dragus (Klara, filha mais velha do pastor); Leonard Proxauf (Martin, filho mais velho do pastor); Steffi Kuhnert (Ana, esposa do pastor); Rainer Bock (Doutor); Susanne Lothar (A Parteira); Branko Samarovski (Agricultor) e Michael Kranz (Tutor de Sigmund).





SINOPSE: "Um vilarejo protestante no norte da Alemanha, em 1913, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. A história de crianças e adolescentes de um coral dirigido pelo professor primário do vilarejo e suas famílias: o barão, o reitor, o pastor, o médico, a parteira, os camponeses. Estranhos acidentes começam a acontecer e tomam aos poucos o caráter de um ritual punitivo. O que se esconde por trás desses acontecimentos?" (Cinema10).



"Um filme bastante complexo, que precisamos avaliar com dois olhares e de formas distintas, para assim depois juntá-los e formarmos o todo. O primeiro olhar deve se reter ao técnico-cinematográfico, ou seja, ao lado bom do filme. A começar pelo fato de um filme de 2009 ser filmado em preto e branco, ajudando agradavelmente a inserção no contexto proposto pelo diretor, caso contrário, não seria tão perturbador e melancólico como deveria ser. Também nos é apresentando um fotografia espetacular, cuidadosa, minuciosa e bela. As atuações, ora doce como do professor, ora severa e seca como do pastor ou ora ressentida e triste como do menino, merecem também nossa nota máxima e nos faz assistir ao filme com muita atenção, perplexo e contestado pelo enredo, de quem é e do por que aqueles acontecimentos sombrios acontecem. Um filme perfeito tecnicamente. Porém, o segundo olhar chega quando precisamos abordar o roteiro do filme. Eu nunca gostei de filmes com finais abertos, que eu costumo chamar, de filmes sem final, onde as resoluções que deveriam vir a tona de forma clara, tão claro como o nome do filme, por exemplo, fica por conta dos indícios, das deixas, do desenrolar do enredo, da reflexão, muito particular de cada um, dando um final imaginário para cada espectador. Mas nesse caso, o filme sem final, além de me desagradar por si só, se fazia necessário ter um fim pela proposta inovadora de enredo fictício feito pelo diretor e roteirista. O roteiro, olhando aqui com o primeiro olhar proposto acima, é perfeito até os cinco minutos finais, onde alguém deveria subir ao altar e declarar quem fez tudo aquilo e, talvez, explicar o por que, mas o diretor prefere ir esvaindo o filme ao seu final. Mas como um belo representante da sétima arte, de roteiro original, cairia apenas no meu descontentamento com filmes sem finais, apenas como outros que já passaram por aqui, e que merecem nosso destaque principalmente por tratar de um assunto tão dolorido de forma tão diferente nas telonas. O autor, ao coincidir o final do filme com o início das 'Grandes Guerras' e por toda história apresentada, nos faz entender que aquelas crianças seriam os algozes da humanidade anos depois, e que aquela vila fora o berço e a criação dos ideais e doutrinas do Nazismo. O mérito histórico, cultural, político e econômico que tal tentativa de afirmação é feita são simplórias e talvez, verdadeiras ou não, mas são, antes de mais nada, sugestões, e jamais afirmações. Dizer que os punhos de ferro alemães de pais autoritários cultivaram tais sentimentos em seus filhos, a ponto de se tornarem tais quais Hitler e seus seguidores, é um preconceito e uma segregação injusta com o povo alemão, pois o que aquelas famílias retratadas no filme difeririam de famílias da mesma época vividas na Itália, França, Brasil, etc.? Estereotipar os alemães como os culpados pelo nazismo, simplesmente pelo rigor e austeridade na educação e relação familiar, é tão grave quanto o próprio Nazismo. Por isso, por ele ter proposto um enredo tão diferente e inovador, para tentar explicar o pior momento vivido da humanidade é válido como tentativa, mas é falho como explicação, pois falta justamente a explicação a que ele se propôs durante todo o filme."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Comentar este filme não é fácil levando-se em conta dois aspectos a serem analisados: primeiro, acerca do argumento do enredo e, segundo, acerca da obra de ficção. Assim, quanto ao primeiro ponto, a obra é altamente persuasiva para nos fazer convencer de sua filosofia, a qual explica a origem do nazismo (ou a origem de todo o mal, como diz Michael Haneke). Assim, a igreja repressora e a educação familiar rígida administrada pelos alemães a seus filhos levou ao nazismo. Não há dúvida de que aspectos como família e religião interferem na formação da psique dos indivíduos, mas a afirmação trazida pelo filme de Haneke se faz simplista, já que há diversos outros aspectos da sociedade alemã (e das sociedades) que não são levados em conta para que este argumento se sustente com fortes pilares. Assim, se recorrermos à psicanálise e à sociologia (com o expoente Zigmunt Baunan), podemos pensar além dos aspectos do enredo de 'A Fita Branca'. Porém, acho válido o tema ter sido colocado em pauta para reflexão das sociedades acerca do modo e de como conduzem o desenvolvimento de seus filhos. Logo, o argumento pode ser pensado além da sedução do que é visto na tela, deixando uma brecha para que a obra ficcional seja mais interessante, pensada à parte. Neste aspecto, o filme é artisticamente um dos mais lindos que já vi, com suas imagens em preto e branco dos anos 2000, atuações naturais e espontâneas, diálogos perfeitos e breves, focos de câmera que nos coloca como testemunhas da trama bem próximos aos personagens. Ou seja, tudo para ser uma obra PERFEITA. Porém, um ponto me decepcionou: todo o filme coloca alta expectativa para se descobrir o mistério daquela comunidade (quem é o autor do crimes), mas cai em um final aberto. Finais assim não tendem a me incomodar, mas este sim, visto que uma frase ao final fecharia a história e me livraria do peso de julgar segundo meus critérios pessoais, dando o meu desfecho à história. O diretor, depois esclareceu o mistério, mas me pergunto o porque não colocar isto no filme. Penso que ele quis deixar este contraponto de reflexão que um final aberto traz, fazendo o espectador pensar sobre o tema, mas se o argumento do filme já foi desfalcado, a obra de ficção ficaria muito mais interessante com um desfecho pontual. Bem, deixo de falar sobre este aspecto por aqui, pois já me sinto mal em colocar tantos dedos na obra de um grande cineasta como Haneke. E concluindo, para psicólogos/psicanalistas, ter contato com este filme é de grande riqueza interpretativa em suas cenas e em seus diálogos, levando em conta a estruturação das sociedades e das famílias e o alto peso que a religião impõe à algumas culturas, não deixando espaço para que a pessoa humana desabroche em sua essência individual. Analisar o Pai da sociedade (no sentido de Jacques Lacan, como aquele que representa o interdito dos desejos), através do filme, me fez pensar em como a sociedade mostrada pelo filme é altamente interditada, e compreendo assim (talvez), a origem das pornochanchadas brasileiras já que nosso país carece de Pai."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





Para entender o que são os 1001 Filmes, acesse a página explicativa.

Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.






















Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

29 março 2011

1001 Filmes: Os 39 Degraus (The 39 Steps)

DIREÇÃO: Alfred Hitchcock;
ANO: 1935;
GÊNEROS: Drama, Suspense, Thriller;
NACIONALIDADE: Inglaterra;
IDIOMA: inglês;
ROTEIRO: Charles Bennett;
BASEADO EM: livro homônimo de John Buchan;
PRINCIPAIS ATORES: Robert Donat (Richard Hannay); Madeleine Carroll (Pamela); Lucie Mannheim (Miss Annabella Smith); Godfrey Tearle (Professor Jordan); Peggy Ashcroft (Margaret, esposa do arrendatário); John Laurie (John, arrendatário); Helen Haye (Sra. Jordan); Frank Cellier (Xerife Watson) e Wylie Watson (Sr. Memória).




SINOPSE: "Richard Hannay (Donat) está de férias em Londres e conhece uma mulher misteriosa que lhe fala alguma coisa sobre o caso de um homem que está sendo perseguido por envolvimento em uma trama de espionagem. Porém, a mulher é assassinada e Richard, mesmo sabendo dos riscos que corre, decide tentar resolver o mistério." (Cineplayers).



"Este é o nosso primeiro filme do mestre do suspense Sir Alfred Hitchcock, reconhecido por seus conterrâneos como alguém capaz de dominar algo, no caso o cinema, ao concederem o título nobiliárquico de Sir. Nessa nossa jornada vamos nos deparando com os gênios da arte de fazer arte, aos poucos e de repente, e a vez do Hitchcock chegou, e claro, a vontade, ansiedade e o preconceito vieram a tira colo. E foi uma surpresa 'comicamente' gratificante e recompensadora. Tudo começa no teatro onde se apresenta 'o homem que sabe a resposta de tudo' e por sinal, também é onde tudo termina. Esse personagem representa em sua face a tristeza de ser o mais inteligente, sabedor e culto do mundo, virando refém do seu próprio conhecimento que vai crescendo e ficando a cada aprendizado mais insuportável, até que essa sabedoria o tira a vida. Porém, ele é apenas um personagem ocupado em desfechar a trama. A história então começa trazendo suspense, drama e pastelão, muito bem trabalhados entre si, o que faz da história cativante, divertida e emocionante, e acabamos ficando na torcida do começo ao fim para que Richard prove sua inocência e possa viver sua vida tranquilamente, sem sobressaltos. A atuação convicta, perdida e cambaleante do Robert Donat preenche perfeitamente a ideia do filme, onde ele precisa, a cada momento, e em diversos lugares, se safar de situações claramente sem saída e da qual achamos que chegou seu fim, mas de repente, ele acha uma saída para a situação, e tentando fugir dessa situação que se safou, acaba entrando em outra, até que seus problemas vão aumentando, as pessoas que o querem "vivo ou morto" também, e a história vai ficando ainda mais interessante. A trama foi eleita a 'terceira melhor produção britânica de todos os tempos', pelo Instituto Britânico De Cinema (British Film Institute). É uma obra espetacular, muito bem atuada, nos presenteando com uma história leve e cativante com atuações na medida desmedida para a obra detalhista do mestre do suspense."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Robert Donat (Richard), Madeleine Carroll (Pamela) e a direção de Hitchcock formaram um trio edípico perfeito para esta obra de suspense e perseguição. O filme e as atuações dão a intensa sensação de se ter alguém a procura, de se necessitar fugir a todo tempo. As sequencias são dinâmicas e impressionam para o cinema da época, tudo acontece rapidamente e é incrível perceber os momentos em que a câmera foca os detalhes: as mãos juntas, as expressões faciais, as placas... tudo é indício, tudo é material para ir se descobrindo pouco a pouco qual o ponto que encaixa o quebra-cabeça que o filme nos apresenta. Robert Donat representa brilhantemente o personagem paranóico, aprisionado com algemas até o final: seu destino é nos mostrar o que são os 39 degraus, apesar de a corrida com Pamela ser o mais interessante da história. A obra apresenta fotografia e cenas notáveis para a época, no que destaco o momento em que Richard está sendo perseguido no trem e tem que passar de uma cabine para a outra pelo lado de fora, com o trem em movimento. Assim como Stanley Kubrick, Alfred Hitchcock nunca ganhou um Oscar, apesar do reconhecimento público, crítico e notório de ambos como grandes gênios do cinema, o que se leva a pensar que a Academia (Academy Awards / Academia de Artes e Ciências Cinematográficas) talvez tenha mais mérito do que merece em suas glamurosas premiações."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





Para entender o que são os 1001 Filmes, acesse a página explicativa.

Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

15 março 2011

1001 Filmes +: De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut)

DIREÇÃO: Stanley Kubrick;
ANO: 1999;
GÊNEROS: Drama, Suspense e Thriller;
NACIONALIDADE: EUA e Inglaterra;
IDIOMA: inglês;
ROTEIRO: Arthur Schnitzler e Stanley Kubrick;
BASEADO EM: conto "Traumnovelle" de Arthur Schnitzler;
PRINCIPAIS ATORES: Tom Cruise (Dr. William 'Bill' Harford); Nicole Kidman (Alice Harford); Madison Eginton (Helena Harford); Sydney Pollack (Victor Ziegler); Todd Field (Nick Nightingale); Marie Richardson (Marion); Sky du Mont (Sandor Szavost), Rade Šerbedžija (Mr. Milich) e Julienne Davis (Amanda 'Mandy' Curran).




SINOPSE: "Bill Harford (Tom Cruise) é casado com a curadora de arte Alice (Nicole Kidman). Ambos vivem o casamento perfeito até que, logo após uma festa, Alice confessa que sentiu atração por outro homem no passado e que seria capaz de largar Bill e sua filha por ele. A confissão desnorteia Bill, que sai pelas ruas de Nova York assombrado com a imagem da mulher nos braços de outro" (Cine Menu).


"Não podemos deixar de lembrar que esse filme fecha um dos ciclos mais bem sucedidos da história do cinema, pois este é o último filme do diretor Stanley Kubrick, um dos maiores na sua área. Só para tentar descrever sua importância, dos 13 filmes que dirigiu, 10 estão entre os '1001 Filmes Para Ver Antes De Morrer', da qual usamos como base para as publicações dos '1001 Filmes' aqui no blog. O filme em si, traz algumas características típicas de filmes dirigidos por Kubrick, como os sons em segundo plano em cenas de dramaticidade e suspense, ou então, aquela câmera, centralizada no objeto, que muitas vezes é algum personagem, e que o segue fixada em um mesmo ponto. Esses detalhes são únicos e característicos, tanto que os percebi logo no segundo filme dele que assistimos, sendo que o primeiro foi '2001: Uma Odisséia No Espaço', já comentando aqui. O filme é feito uma colcha de retalhos, onde o personagem de Tom Cruise, se vê envolvido em várias situações embaraçosas, uma seguida da outra, que mesmo tendo uma ligação na história, são diferentes entre si. Essas situações começam normais no primeiro contato dele com elas, sendo que já no segundo, elas se modificam e nos surpreendem, sendo ai, o ponto onde o Dr. William se mete em confusão, dando a impressão de que o destino 'o pegou para Cristo', pois situações cotidianas, como reencontrar um ex-colega de faculdade, o faz se envolver em uma grande confusão. Por isso, o filme é bastante confuso e um tanto quanto sem linearidade. Tanto as várias situações que ele acaba se envolvendo e tendo problemas, como no filme em si, a impressão é de que não acabou, que irá continuar em algum ponto adiante. Essa falta de final, particularmente, não me agrada, e também poderíamos dizer que é uma das características de Kubrick e da qual faz muito bem, dirigir filmes sem final fechado."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Stanley Kubrick nos presenteia, ao fim de sua obra, com esta grande fábula sobre fantasias de casal, muito bem adaptado por ele e filmado em seus detalhes mais... sórdidos. 'De Olhos Bem Fechados' mostra a vida de um casal descoberto em suas fantasias mais secretas, obrigados a confessá-las. Bill fica perplexo quando ouve de sua esposa a fantasia sexual que teve com outro homem, sai para atender uma paciente e, a todo o momento, pensa nas cenas de sua esposa transando com outra pessoa. Note que o pôster do filme mostra Alice olhando para outro lugar, outra pessoa talvez, enquanto Bill a beija e se entrega somente a ela. Na história, a noite se apresenta com várias possibilidades e Bill se encontra com suas próprias fantasias, mesmo que tentando fugir ou negá-las. Ora, quem confessou foi a esposa, mas quem está indo ao ato é Bill, descobrindo assim que ambos vivenciam experiências imaginárias extra-casal. Muito significativa a cena em que ele esta na mansão dos mascarados e é descoberto pelos demais participantes da festa como um intruso, sendo obrigado a retirar sua máscara, além de lhe ser pedido que retire a roupa. É como se dissessem: 'te pegamos, agora mostre sua cara sem a máscara com a qual se esconde e fique nu'. É uma cena que o chama à humilhação pública. Enfim, uma obra-prima que mostra os parceiros amorosos de olhos bem fechados... às fantasias um do outro."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





Para entender o que são os 1001 Filmes, acesse a página explicativa.

Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.





















Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...