Mostrando postagens com marcador Johnny Depp. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Johnny Depp. Mostrar todas as postagens

16 março 2012

Trajetória: Johnny Depp (Parte III)

Por Kleber Godoy


Após o sucesso de 'Edward Mãos-De-Tesoura (Edward Scissorhands, Tim Burton, 1990)' Depp fez uma aparição breve naquele que deveria ser o sexto e último filme da série de Freddy Krueger, 'Pesadelo Final: A Morte De Freddy (Freddy's Dead: The Final Nightmare, Rachel Talalay, 1991)', esse filme da série 'A Nightmare On Elm Street' e é tido pelos críticos como uma das piores, senão a pior sequência da série. O filme apela para humor, com pouco terror (este filme também será comentado em detalhes em outra postagem).

Entre as participações especiais está a de Johnny Deep, que estreou no cinema no primeiro 'A Hora Do Pesadelo'. Ele aparece em um programa de TV mostrando o cérebro de um drogado, ou seja, um ovo fritando, antes de ser atingido por Freddy no rosto com uma frigideira.

É. Cuidado para não fritarem seus cérebros, crianças!



Johnny Depp completa 27 anos de vida, oito de carreira e já conta com seis filmes e uma série em seu currículo, mostrando toda sua independência e maturidade, participando de filmes segundo seu desejo e não segundo o que esperam dele. Neste sentido, personagem, roteiro e diretor são os atrativos para ele aceitar trabalhar em um filme, não o potencial financeiro da obra.

Em sua vida pessoal vemos que após três anos com Winona Ryder o relacionamento sucumbiu e parece que o motivo foi o peso da carreira de ambos e da imprensa que inventava traições, perseguia-os e os sufocava. Mas o relacionamento foi bem sucedido, apesar do seu fim, fazendo com que ele tatuasse em seu braço a expressão 'Winona Forever'. Bem, após o fim do noivado ele mudou a frase para 'Wino Forever', o que significa 'bêbado para sempre'. Sugestivo?


Neste sentido parece que Depp viu em seus trabalhos em filmes independentes uma forma de conjugar prazer e distanciamento dos holofotes que tanto o incomodavam desde sempre. Para fugir dos paparazzis abriu sua própria casa noturna, a The Viper Room, um lugar privado, pequeno e descolado, com boa música onde poderia se divertir.


Em 1992 parece que Depp trabalhou bastante, estreando em 1993 não somente um, mas três filmes. Em 'Benny & Joon: Corações Em Conflito (Benny & Joon, Jeremiah S. Chechik, 1993)', Depp representa Sam, um rapaz excêntrico que vive imitando Charlie Chaplin e vive de forma totalmente descontraída, que por acasos do destino vai morar na casa do mecânico Benny (Aidan Quinn). Nesta casa ele encontra Joon (Mary Stuart Masterson), irmã de Benny, que tem deficiência mental, se apaixonando por ela. Este filme é dramático pela história da família de Benny e pela deficiência de Joon, mas a partir do encontro dos dois jovens apaixonados, nos deparamos com uma história de amor e superação de tirar o fôlego. O filme ainda conta com Julianne Moore no elenco em um de seus primeiros filmes.





Uma obra de arte que rende drama, comédia e romance, tendo boa repercussão, rendendo a Depp a indicação de melhor ator no Globo De Ouro e de melhor comediante no MTV Movie Awards, assim como de Melhor Dupla para ele e Mary Stuart Masterson no mesmo evento.

Outro filme estrelado por Depp foi 'Gilbert Grape: Aprendiz De Sonhador (What's Eating Gilbert Grape, Lasse Hallström, 1993). Gilbert (Depp) é um adolescente de uma pequena cidade do interior e sustenta a família desde a morte do pai. Nesta família encontramos além do personagem de Depp, três irmãs excêntricas e o irmão deficiente mental Arnie, representado por Leonardo DiCaprio, além de uma mãe obesa, que não parava de comer desde a morte do marido, vivendo de forma deprimente dentro da casa, cada vez maior.


Leonardo DiCaprio mostra, ainda muito jovem, com este papel, um talento esplêndido. A atuação de Depp é muito boa e essencial ao filme, mas a cada aparição de Arnie os olhos de quem curte cinema brilham de tanto prazer, causa arrepios. Darlene Cates, a mãe da família, parece que só teve este papel no cinema e continuou a vida com seu drama real de obesidade mórbida.

No elenco também encontramos outros grandes talentos: Juliette Lewis, Laura Harrington, Mary Kate Schellhardt, Kevin Tighe, John C. Reilly e Crispin Glover. E uma curiosidade do filme é que Johnny Depp, em uma cena, teve que agredir o seu irmão deficiente mental, sendo que isso lhe causou enorme culpa, o que o fez ficar se desculpando com o ator Leonardo DiCaprio até o final das filmagens. No mais, quanto a prêmios, DiCaprio foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e ao Globo De Ouro na mesma categoria. Na premiação do Chicago Film Critics Association Awards ele venceu na categoria de Ator Mais Promissor. Depp e os demais talentos do filme foram ignorados pelos eventos, assim como o filme em si.




O drama vivido pela família Grape dá margem à muitas reflexões existenciais e acredito ser um dos filmes essenciais para se pensar a família e a interligação entre seus integrantes através do tempo, a história que constroem, consciente e inconscientemente. Depp, nesta época estava melancólico e lembrando muito de sua família, já que a configuração familiar do filme, excluída e cheia de angustias, o remexeram por dentro. Foi uma época em que ele bebia muito e praticava de forma desmedida a autodestruição. Porém, alertado pela família e por verdadeiros amigos, retomou o caminho rumo à vida.




Em seguida assistimos a Depp em 'Arizona Dream: Um Sonho Americano (Arizona Dream, Emir Kusturica, 1993). Neste filme ele interpreta Axel Blackmar, um rapaz apaixonado por peixes, que se mudar de Nova Iorque para o Arizona, para cuidar dos negócios da família, a pedido do tio, Leo Sweetie (Jerry Lewis), que iria se casar. Assim, vemos um rapaz deslocado, mas que também encontra aventura em sua nova vida ao conhecer duas estranhas mulheres, a viúva quarentona Elaine (Faye Dunaway) e sua enteada, Grace (Lili Taylor). Ele se envolve emocionalmente com uma delas, enquanto a outra, rica porém depressiva, toca músicas no acordeão. Axel sonha com peixes voadores e aventuras no Alasca, Elaine sonha em construir uma máquina voadora, e Grace em se tornar uma tartaruga. Há roteiro mais criativo que este?




Os três personagens e seus sonhos interagem com a realidade e fazem desta história um filme surreal, misturando o real e o imaginário e emocionando tanto nos momentos de calmaria quanto nas crises de relacionamento entre este trio, que envolve amor, ódio, ciúmes, comédia e trajédia sendo que cada ingrediente é altamente bem dosado. Jerry Lewis, agora obeso e bem diferente daquele do início de sua carreira, abrilhanta o filme com seu talento ímpar. Enfim, foi mais um filme deixado de lado pelas premiações principais, apesar de todo brilhantismo de roteiro e produção, mas conquistou algo muito importante, que foi o Prêmio Especial Do Júri do Festival De Berlim.



Podemos concluir que este período da vida de Depp, que continua a seguir da mesma forma, se configura com filmes de baixo orçamento e, consequentemente, pouca bilheteria e publicidade, mas com personagens imensamente profundos, histórias que deixam aprendizados para a vida e profissionais que, apesar de não serem conhecidos à época, estavam ali mostrando todo seu talento. Depp sempre soube muito bem com quem se envolver.

Ah, lembram do barzinho que Johnny abriu para se divertir? Então, em 1993 tocava em uma noite com o baixista do Red Chilli Pepers e estava presente, bebendo e curtindo a noite, o ator River Phoenix, seu amigo, que cambaleou até a rua, perdeu a consciência e morreu de overdose por drogas. Neste momento a casa foi fechada por Depp por duas semanas, em luto ao amigo. A imprensa não deixou barato, é claro, caindo em cima de Depp. Ele respondeu calmamente falando do quanto a família precisava descansar por seu ente querido morto. Até 2000, Depp ainda era sócio da casa, mas após muitos problemas e um processo contra ele, movido por seu sócio, vendeu sua parte e não é mais o dono do empreendimento.


Bem, por enquanto é isso, a quarta parte desta brilhante história será postada em breve. Até lá! Leia também as outras partes já publicadas desta trajetória: primeira e segunda.


Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

27 dezembro 2011

Olhares Mágicos #23: Jack Sparrow

Por Kleber Godoy

A seção 'Olhares Mágicos' traz a cada semana 5 imagens temáticas para sua apreciação, sendo estas continentes de significados para nós dois, mas que podem também mexer com as percepções, ideias, vontades, gostos, etc. dos visitantes deste espaço. Para encerrar o ano trazemos uma seleção de imagens de um dos mais famosos personagens da Walt Disney e do grande Johnny Depp, o pirata do caribe: Jack Sparrow!







Se desejar ver mais imagens mágicas acesse nosso Tumblr. Até a próxima seleção Olhares Mágicos!



Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

17 setembro 2011

1001 Filmes: Homem Morto (Dead Man)

DIREÇÃO: Jim Jarmusch;
ANO: 1995;
GÊNEROS: Experimental e Faroeste;
NACIONALIDADE: Alemanha, EUA e Japão;
IDIOMA: inglês;
ROTEIRO: Jim Jarmusch;
BASEADO EM: ideia de Jim Jarmusch;
PRINCIPAIS ATORES: Johnny Depp (William Blake); Gary Farmer (Ninguém 'Nobody'); Crispin Glover (Bombeiro Do Trem); Lance Henriksen (Cole Wilson); Michael Wincott (Conway Twill); Eugene Byrd (Johnny 'The Kid' Pickett); John Hurt (John Scholfield); Robert Mitchum (John Dickinson); Iggy Pop (Salvatore 'Sally' Jenko); Gabriel Byrne (Charlie Dickinson); Jared Harris (Benmont Tench); Mili Avital (Thel Russell); Mark Bringelson (Marechal Lee); Jimmie Ray Weeks (Marechal Marvin); John North (Mr. Olafsen).






SINOPSE: "Esta é a história da viagem, física e espiritual, de um jovem a um território que lhe é pouco familiar. William Blake viaja para o Oeste americano, algures na segunda metade de séc. XIX. Perdido e ferido, encontra-se com um índio solitário e excêntrico, chamado "Nobody", que acredita que Blake é o falecido poeta inglês com o mesmo nome. Nobody e William passam por situações cómicas e violentas. Contrariamente à sua natureza, as circunstâncias transformam Blake num fora-da-lei perseguido, num assassino e num homem cuja integridade física vai ficando em risco." (SAPO Cinema).



"Mais um filme sem final ou, como costumam chamar, com final aberto. Assim como a grande maioria de filmes com este final, exceto raras exceções, fica faltando algo, acabando por prejudicar o filme como um todo, criando a expectativa e não respondendo-a. Mas mesmo assim é um grande filme. Primeiro pelas atuações, que todas, sem exceção, são muito profundas e fluídas, sendo a maioria bruta, totalmente desprovidas de sentimentos e individuais, apesar de no papel, na sua descrição, serem quase que repetições seguidas do mesmo personagem, lembrando de atores como Iggy Pop, ele mesmo, o roqueiro desmiolado e Gabriel Byrne, o ator conhecido pelos fãs como Paul Weston, o psicanalista da série 'In Treatment'. Fugindo desse perfil, os personagens principais de Johnny Depp e Gary Farmer são os destaques do filme ao lado da fotografia. A atuação de Depp é perfeita, encarnando uma pessoa que se mete num mundo da qual não pertence e tendo que se adaptar a ele, e vivendo (será?) com uma bala no peito durante toda a trama, onde a morte (será?) vai chegando a conta-gotas, e ao se aproximar dela (será?) o que era educação, cavalheirismo, inteligência e respeito vão se transformando em brutalidade, leviandade, falta de sentimentos e burrice, se assemelhando cada vez mais com os personagens padrão da trama. Já Ninguém, é seu amigo índio que o leva da vida (será?) para a morte (será?). A cada mudança de cena é tocada duas notas típicas de filmes de faroeste, dando uma cadência essencial ao filme. Mas quanto aos detalhes técnicos, o que mais me surpreendeu positivamente foi a fotografia, destacando a parte final do filme onde Ninguém leva Depp por entre sua tribo. Neste momento,  os focos que a câmera dá em Depp são espetaculares, umas das melhores sequências já vistas por mim. É um filme experimental e faroeste sim, por mais que possa soar estranho, mas acima de tudo é um filme que vale estar entre os 1001 e assistir uma vez na vida, pelo menos."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira







"Dead Man é um filme com nome estranho e gênero também: faroeste experimental. Não bastasse isso, seu diretor, Jim Jarmusch, é considerado representante de um cinema inovador e independente em Hollywood, um cientista do cinema, deixando em alta a expectativa para ver suas obras. Neste caso nos deparamos com Johnny Depp em sua melhor forma dando vida a uma personagem perdida no meio do nada, buscando sem encontrar, sozinho no meio de uma cidade perdida no meio do nada, se deparando com a fúria de pessoas más e com o amparo de um índio de boas intenções e uma história triste para contar. O índio acredita que este William Blake é um poeta e pintor já falecido e, estando frente a um homem morto, mostra a ele o caminho para encontrar descanso no paraíso... e ai começa a fuga de Blake da fúria de um pistoleiro canibal, acompanhado de 'Ninguém' (nome do índio). Encontramos muita poesia durante o percurso de suas longas e pausadas duas horas tanto nas falas quanto nos atos do personagem protagonista e seu acompanhante, nos escurecimentos entre uma cena e outra, assim como no embalo do músico canadense Neil Young que dá um pano de fundo lindíssimo a este filme. Temos a glória de encontrar neste caminho grandes atores com Gary Farmer (o índio) e Lance Henriksen (o incansável matador), assim como outros fazendo pequenas pontas, como é o caso de Crispin Glover (o bombeiro do trem), John Hurt (o diretor do escritório), Iggy Pop (perdido no meio do faroeste), Gabriel Byrne (vendedor da tabacaria) e Robert Mitchum (presidente da metalúrgica). Uma obra com cenas bastante significativas que dizem muito só em gestos. Fica a dica de um ótimo e excêntrico filme para o fim de semana."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy







Para entender o que são os 1001 Filmes, acesse a página explicativa.

Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.






















Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

18 agosto 2011

Trajetória: Johnny Depp (Parte II)


Por Kleber Godoy

Na segunda parte sobre a vida e a arte de Johnny Depp partimos de sua carreira e vida após seu primeiro filme 'A Hora do Pesadelo (A Nightmare On Elm Street, Wes Craven, 1984)', que nós já comentamos na sessão '1001 Filmes', para ler, basta clicar no nome do filme, até seu brilhante encontro com Tim Burton e sua entrada no cinema dos anos de 1990.


Johnny Depp trilhou um caminho pessoal muito intenso desde o início, quando ainda tinha sonhos em ser músico, e chegou, sem querer, a ser o ator mais rentável de Hollywood. Até hoje, em 2011, ele diz que o termo celebridade é estranho para já que se define apenas como 'uma pessoa que desempenha um trabalho estranho'.

Assim, após a separação amigável de sua primeira esposa, ele se apaixona pela atriz Sherilyn Fenn, e depois por Jennifer Grey, sendo que cada vez seu coração bate tão forte quanto antes se entregando às paixões completamente. Pessoas próximas a ele dizem que quando decide namorar uma mulher ele se compromete totalmente com a relação, e isso gera novos pedidos de casamento. Com romances e uma carreira em andamento, os relacionamentos pouco duram nesta fase de sua vida, sendo que Depp tem muita coisa para administrar profissionalmente.


Seu segundo filme foi 'Férias Do Barulho (Private Resort, George Bowers, 1985)', filme que tem sua primeira cena de nudez e a única até hoje. 'Private Resort' foi escrito por Gordon Mitchell, Ken Segall e Alan Wenkus e conta a história de dois amigos adolescentes que resolvem passar as férias num resort e lá arranjam muitas confusões.


É a típica comédia dos anos 80, que mostra adolescentes querendo ter experiências sexuais e provocando situações cómicas e cenas de seminudez. Johnny Depp e Rob Morrow estrelam como Jack e Ben, respectivamente, os amigos adolescentes que estão à espreita sexual neste resort luxuoso de Miami, onde são hóspedes de fim de semana.





Johnny Depp faz o papel perfeitamente, um garoto e seu amigo cheios de tesão, olhando as bundas alheias de mulheres de biquíni que passam a todo momento. Além deles há personagens e atuações fantásticas do barbeiro do hotel, de hóspedes e do gerente, em uma trama divertida e proibida para a sessão da tarde, por motivos óbvios, mas ao mesmo tempo completamente inocente, e com uma trilha sonora agitada.

Só para destacar alguns atores que me encantaram e fizeram morrer de rir com esta trama: Hector Elizondo, Dody Goodman, Tony Azito, Hilary Shapiro e Leslie Easterbrook. Enfim, um filme que nos faz pensar em uma vida leve, divertida, 100% alegria e diversão.



No ano seguinte, Johnny muda de comédia para drama e guerra com o filme 'Platoon (Platoon, Oliver Stone, 1986)', seu terceiro filme (que nós já comentamos na sessão '1001 Filmes', para ler, basta clicar no nome do filme). O filme mostra a trajetória do jovem Chris, que troca a matrícula na universidade para servir como recruta no Vietnã, assim como fez seu pai e seu avô em guerras anteriores, experimentando toda violência e loucura de uma guerra. No campo de batalha o jovem conhece os sargentos Barnes e Elias. O primeiro, um assassino brutal e psicopata, e o segundo um pacifista inteligente e sensível, que além de lutarem contra os vietcongues também travam uma batalha entre si.


Oliver Stone, em toda sua intensidade, assustou Depp com o 'laboratório' a que os atores foram submetidos: ter a vivência na selva por duas semanas, com pouca água, pouca comida e muitos desafios, uma vida de soldado durante a guerra. Quem assiste ao filme quase não vê Johnny Depp, pois a edição retirou grande parte das cenas dele, só restando umas duas ou três, mas ele vivenciou muito tempo de trabalho neste filme. Segundo amigos ele ficou muito magoado com os cortes já que gostou muito deste trabalho, no qual encena um tradutor, fazendo intermediação entre os habitantes das vilas e os soldados.


Apesar dos cortes ele pode atuar com grandes atores, estreantes e veteranos, como Charlie Sheen, Tom Berenger, Willem Dafoe e Forest Whitaker. E neste período começou a recusar papéis, coisa que faz com facilidade e grande frequência até hoje. Na primeira vez que a Fox o convidou para estrelar uma série policial ele recusou. Mas os produtores iniciaram as gravações com outro ator e decidiram que deveriam tentar contratar Depp de qualquer forma. Bem, não sabemos o que propuseram a ele, mas sabemos que ele aceitou o convite nesta segunda tentativa e assinou um contrato de cinco anos com a emissora. E ele tinha inteligência e consciência para ver que era atraente e bonito, necessitando tomar cuidado para não se tornar um produto, estrelando com cuidado e receio a série de TV 'Anjos Da Lei (Jump Street, 1987)', programa que durou até 1991, mas que não teve Depp até o fim.


O diretor da série disse que Johnny era 'carismático, sensual e ótimo ator', tudo o que a série precisava. O sucesso da série juvenil foi imediato e o personagem de Johnny era o policial Tom Hanson, que investigava jovens relacionados a casos de AIDS, gravidez, uso de drogas, entre outros. O jovem Thomas Hanson, filho de um policial assassinado, era um dedicado oficial que passava a fazer parte da equipe que dá nome a série, especializada em trabalhar sob disfarce, principalmente em colégios do segundo grau e faculdades. Depp não acreditava que o programa duraria muito e ironizava este trabalho, mas fez tanto sucesso que chegava a receber 10 mil cartas de fãs por mês e apareceu, por conta da emissora, na capa de todas as revistas adolescentes da época. Fato é que se a Fox é hoje o que ela é deve muito à visibilidade que Depp lhe deu. A série chegou a se reformular para Depp, deixando o personagem mais descolado, como o jovem Depp era, enriquecendo o ator.



Com a passagem de pobretão para estrela de TV, ajudou a uma entidade beneficente e trouxe a mãe para viver perto, tatuando seu nome, Betty Sue. Com pouco mais de 20 anos era considerado muito maduro por quem trabalhava com ele, sem deixar que a fama ou o dinheiro lhe corrompesse. Em 1989 queria mudar de ares e deixar a série, mas ainda tinha três anos de contrato a cumprir. Nesta época ele desdenhava a série, não gostava das histórias e achava muito incomodo esta coisa toda de ídolo adolescente com gritos de meninas por toda parte. Ele não gostava, na verdade, de se sentir um produto, um pedaço de carne e deixava claro para todos que não queria continuar o programa, começando a 'aprontar' nas gravações. Assim, incendiou uma calça no setting e começou a fumar mais do que nunca fora de ação. Em entrevistas dizia que não gostava de ser chamado de bad boy e nem de outras coisas de que o rotulavam.

Era uma prisão, ter mais três anos para cumprir e disse ao diretor que não gostaria de continuar, mas que se assinasse contrato para mais uma temporada ele iria cumprir. Assim, ganhando a confiança dos produtores, foi liberado para fazer outros filmes para os quais era convidado, mesmo continuando por mais uma temporada na série. Ao término da temporada, com ajuda de seus advogados, recingiu o contrato. Uma notícia atual revela que ele fará parte do elenco do filme que leva o nome da série, e é só aguardar as surpresas.



Enquanto fazia seu desfecho em 'Anjos Da Lei', conheceu Winona Ryder na estreia de um filme e se contagiou com seu espírito de aventura e vontade de explorar o mundo. Assim, mais um noivado acontece em sua vida, ao quinto mês de namoro. Nesta época ele queria estabilidade, bem difícil de se obter em Hollywood. Foram perseguidos durante todo noivado e interrogados com perguntas pessoais indiscretas, momentos em que Johnny ficava furioso e seus instintos agressivos tinham que ser controlados.


Johnny queria fazer uma coisa mais do que tudo nesta época: ironizar o sucesso adolescente que tinha conquistado em 'Anjos Da Lei'. E conseguiu isso em seu quarto filme, 'Cry-Baby (Cry-Baby, John Waters, 1990)', o filme de paródia adolescente que Depp procurava, fazendo algo diferente com personagens estranhos (como uma garota com o apelido de 'cara amassada') e atores mais estranhos ainda (como Iggy Pop, o excêntrico músico de rock), comandado por um diretor marginal.


Wade Walker (Johnny Depp) é Cry-Baby, o menino chorão do filme, um bad boy líder de um grupo que vive em Baltimore, na década de 1950. Ele acaba apaixonando-se por Allison Vernon-Williams, uma jovem rica que é criada pela avó, Sra. Vernon-Williams, que o considera um delinquente juvenil e não quer vê-lo junto da neta. Além disto, Baldwin, o namorado de Allison, que é líder dos 'quadrados' (grupo do qual a garota faz parte), acaba liderando uma guerra contra a gangue de Wade.




Iggy Pop interpreta Belvedere, tio do personagem de Depp e também está no filme, com uma ponta de guarda de penitenciaria, Willem Dafoe. Tom Cruise, Robert Downey Jr. e Jim Carrey foram considerados para o papel de Cry-Baby. A tatuagem no braço de Johnny Depp, com o nome 'Cry-Baby', é falsa; porém, a outra tatuagem logo abaixo, é verdadeira.

Este filme me agrada muito pelo seu visual, as roupas dos personagens e a interação deles que apresenta uma conexão perfeita para este musical inebriante. É uma linda comédia para rir muito e apreciar uma bela obra com belíssimas atuações cômicas. Há cenas em que fãs de Depp se desmancham como a que ele chega de moto para pegar a garota em sua casa e, com todo jeito de boy irresistível pede 'vem comigo...'. Há cenas quentíssimas, porém, sem sexo, dele com a protagonista (Amy Locane), e em uma destas cenas Walker pede um beijo de língua e ela diz perguntando: 'eu não vou pegar uma virose, vou?'. Isso é coisa para se perguntar para o Johnny Depp? (risos). Johnny Depp demonstra muita energia neste filme, encarnando ator, cantor e dançarino em um musical gostoso.



Os anos de 1990 se iniciam e o então ídolo juvenil e símbolo sexual fazia imenso sucesso. Mais tarde, sobre este sucesso carnal, ele disse que 'queria morrer. Você é apenas um cachorro-quente vendido na televisão. E eu desprezo isso!'.

Após o sucesso de 'Anjos Da Lei', conhece o visionário Tim Burton, com quem faria uma parceria que dura até hoje. 'Edward Mãos-De-Tesoura (Edward Scissorhands, Tim Burton, 1990)' é seu quinto filme. John Waters falou de Depp aos produtores do filme e este foi chamado, chegando para os testes com roupas sujas, tímido e perdido. Os produtores e Tim Burton, vendo o seu jeito doce e seus olhos interessados no ambiente logo disseram: 'é ele!'.


Tim Burton disse há pouco tempo que o garoto Johnny Depp adora uma maquiagem e isso é muito útil em seus filmes. Este filme é uma mistura de terror e fantasia, produzido pela 20th Century Fox. Edward é um jovem, criado por um inventor maluco, que como peculiaridade possuiu tesouras no lugar das mãos. O 'pai' de Edward iria presenteá-lo com um par de mãos criadas por ele no natal, mas faleceu antes. Após este fato Edward fica sozinho onde eles viviam, uma mansão enorme e bastante envelhecida. Um certo dia, uma vendedora de cosméticos bate à porta de Edward e encontra-o lá, completamente só. Ela então resolve levá-lo para casa, onde Edward tem muita dificuldade em conviver, devido ao preconceito demonstrado pela vizinhança. Mas pouco a pouco vai se tornado popular devido aos talentos que tem com suas 'mãos'. E ai a trama se desenrola imprevisivelmente.



Logo Johnny se identificou com o personagem excêntrico e retirado à margem pela sociedade, sozinho e deslocado em Hollywood. Fez forte amizade com o elenco, estando entre eles Anthony Michael Hall, assim como o talentosíssimo Vicent Price, colega que interpreta o inventor. As roupas pesadas no calor de 38 graus, certamente fizeram ele sofrer um pouco, mas interpretou com imenso prazer, apaixonado pelo roteiro.

O namoro com Winona Ryder foi útil para a trama já que estavam apaixonados na ficção e na realidade, mostrando uma conexão perfeita. No filme também está a minha queridíssima Dianne Wiest, sensível e doce com sua personagem que acolhe Edward e vai lhe curar as feridas.


O filme recebeu uma indicação ao Oscar de 1991 na categoria de melhor maquiagem, uma indicação ao Globo de Ouro do mesmo ano na categoria de melhor ator de comédia/musical para Johnny Depp, entre outras indicações e prêmios diversos entre a América e a Europa.

Em breve postaremos uma crítica sobre o filme em seu todo, já que o mesmo desperta muitas questões e está na lista dos '1001 Filmes Para Ver Antes De Morrer', mas para este post gostaria de deixar algumas palavras: Edward é um personagem que mexe com o coração das pessoas, de uma sensibilidade e inocência que há muito tempo perdemos, todos nós, humanos, uma inocência de alguém que não foi civilizado, que ainda sente medo, que ainda se delicia com novidades simples. Do que os jovens tem medo hoje? Quando Edward se mostra deslocado é o Johnny Depp que se mostra, quando Dianne Wiest cuida de suas feridas, ela realmente cuida dele.

No mais, como as mulheres se excitaram com as mãos cortantes deste menino tímido e sem jeitos, não? (risos)


Depp agora com 27 anos prova que era mais que um ídolo adolescente, mais do que um bad boy e mais do que tudo o que o rotulavam, que era mais que beleza, que era sem precedentes, que tinha e tem talento. Com a carreira em ascensão, mantém o espírito boêmio, morando em hotéis, se divertindo com amigos em pubs e deixando de lado a vida de astro rico em grandes hotéis ou diversões glamurosas. No entanto, recentemente disse que nunca saiu tanto como dizem, passando também por muitos momentos de melancolia em que ficava mais solitário, principalmente antes do estrelato, quando vivia em um quarto e cozinha perto de Hollywood Boulevard, sem um centavo. Ele conta que passava horas em sebos e que sente saudade daquele tempo, sem tantos compromissos e agenda lotada, com mais tempo para si e no anonimato. Cita ainda que a inocência desta época fazia com que sua vida antes de ser famoso fossem de dias maravilhosos.

Após o sucesso de 'Edward Mãos De Tesoura'... Este é assunto para a parte III. Assim, a continuação desta história será postada em breve e trará mais fotos interessantes nas quais podemos ver a transfiguração de Johnny a cada etapa de sua vida e arte, contando o percurso de Johnny Depp. Veremos que o enlace com Winona Ryder não durou muito e que suas próximas escolhas de trabalho se deram pelo personagem, pelo roteiro e pelo diretor, não sendo a questão financeira atrativa para ele aceitar ou não um filme. Até lá!

Leia também a primeira parte e a terceira parte da nossa homenagem ao Johnny Depp.


Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...