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15 outubro 2011

1001 Filmes: Viagem À Lua (Le Voyage Dans La Lune)

DIREÇÃO: Georges Méliès;
ANO: 1902;
GÊNEROS: Curta, Ficção Científica;
NACIONALIDADE: França;
IDIOMA: mudo;
ROTEIRO: Georges Méliès;
BASEADO EM: romance de Julio Verne 'Da Terra À Lua' e em romance de H. G. Wells 'Os Primeiros Homens Na Lua';
PRINCIPAIS ATORES: Victor André (não creditado); Bleuette Bernon (Mulher Na Lua); Brunnet (Astronômo); Jeanne d'Alcy (não creditado); Henri Delannoy (Capitão Do Foguete); Depierre (não creditado); Farjaut (Astrônomo); Kelm (Astrônomo) e Georges Méliès (Prof. Barbenfouillis).





SINOPSE: "Um grupo de exploradores faz uma viagem à lua de uma maneira inusitada: são atirados em uma cápsula por um canhão gigantesco. Na Lua, eles são capturados pelo povo selenita e precisam fugir para retornar à Terra." (Melhores Filmes).



"Esse é com certeza o filme mais importante da nossa saga, uma vez que é o começo da sétima arte, que segundo o wikipedia é 'a técnica e a arte de registrar e reproduzir imagens com impressão de movimento; as obras cinematográficas (mais conhecidas como filmes) são produzidas através da gravação de imagens do mundo com câmeras, ou pela criação de imagens utilizando técnicas de animação ou efeitos visuais'. Antes, já haviam sido produzidos filmes, com base nesta definição, porém, com 3 pontos importantes que antes desse filme não existiam: 1) a história que se contava era da vida real, acontecimentos reais, e não invenções, história imaginárias, ou como denominamos, ficção; 2) até então todos os filmes produzidos tinham em torno de 2, 3 minutos, sendo que esse foi o primeiro 'longa', e; 3) foi a primeira vez, que em um mesmo filme, foram usados os novos recursos de animação e efeitos especiais, com a utilização de técnicas como: sobreposição, fusão e exposição. Claro que se analisarmos ceticamente a definição de cinema, esse não foi o primeiro filme e talvez não haja um momento onde isso ocorreu, mas juntando esses 3 pontos, é inviável que alguém duvide de seu ineditismo e marco. Se o cinema tem a função de ensinar, retratar, registrar, e acima de tudo, de entreter, foi pela ideia dos irmãos Méliès, que nos proporcionou um dos maiores e mais difundidos meios de divertimentos do mundo contemporâneo e da forma que conhecemos hoje. Agora, falando sobre o enredo do filme, é pra mim, considerado o primeiro filme do cinema, e isso basta!


(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Falar de Le Voyage Dans La Lune é o mesmo que discursar sobre o início da história do cinema. Assim, em uma época na qual a sétima arte ainda nascia chega Georges Méliès e já a revoluciona, causa impacto nesta arte ainda bem pouco definida em seus poucos sete anos de existência. Portanto, é um marco na história do cinema, utilizando-se de ficção científica e efeitos especiais revolucionários. Além disso, mesmo assistindo aos seus poucos 13 minutos hoje em dia, mais de 100 anos depois de sua primeira exibição, é um filme para se encantar com a beleza dos cenários, do figurino, das imagens e do roteiro muito bem construído. Méliès, o diretor, também era mágico e circense, o que certamente contribuiu para a montagem desta obra tão especial, cheia de magia, já nos contando um pouco dos objetivos do cinema: ir além do que nossa realidade nos permite. Méliès teve uma vida frutífera, produzindo mais de 500 filmes, sendo que foi expectador na primeira exibição de cinema feita pelos irmãos Lumière, em 1895, e obteve reconhecimento de grandes figuras como Charles Chaplin. Por fim, esta obra é de domínio público e fácil de encontrar na internet, sendo que neste ano foi concluída sua restauração colorida, permitindo sua exibição no Festival de Cannes, e há rumores de que em breve poderemos vê-la em DVD nesta nova arte."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo5: Excelente)
Kleber Godoy



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24 setembro 2011

1001 Filmes: O Atalante (L'Atalante)

DIREÇÃO: Jean Vigo;
ANO: 1934;
GÊNEROS: Comédia e Romance;
NACIONALIDADE: França;
IDIOMA: Francês;
ROTEIRO: Jean Guinée, Albert Riéra e Jean Vigo;
BASEADO EM: ideia de Jean Guinée, Albert Riéra e Jean Vigo;
PRINCIPAIS ATORES: Jean Dasté (Jean); Dita Parlo (Juliette); Michel Simon (Jules); Louis Lefebvre (Garoto); Raphaël Diligent (Barqueiro) como Rafa Diligent; Maurice Gilles (Chefe) e Gilles Margaritis (Vendedor Ambulante).





SINOPSE: "Quando se casa com Jean, Juliette vai morar no barco do marido, onde o casal está acompanhado apenas de mais dois tripulantes. Pouco tempo depois, entediada com a vida a bordo, a mulher desembarca em Paris para ver a vida noturna. Irritado com isso, Jean zarpa, abandonando Juliette, mas, angustiado pela culpa e pela saudade, cai em depressão, e um dos tripulantes volta à cidade para tentar achar Juliette." (Melhores Filmes).



"Um filme fruto do impressionismo e surrealismo francês, contando uma história típica '...e viveram felizes para sempre!'. A história de amor, encantamento, mesmice, brigas, separação e reencontro se passa em Paris da década de 30, uma viagem ao passado e uma oportunidade exclusiva de ver a cidade luz no início do século passado da forma romântica como todos nós a vemos e imaginamos. Talvez por esse motivo valha a pena ver o filme. Um enredo não linear e parecendo acontecer, em vários momentos, dentro do sono dos personagem. Um belo retrato histórico."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Jean vigo, com vida e obra curta, conseguiu influenciar o cinema mundial com a sensibilidade nas cenas que produziu. O Atalante nos traz uma cena de sexo na qual os personagens estão distantes fisicamente... é lindo. O filme mostra o tédio da mulher que vive no barco de seu marido, mas deseja a vida e o movimento das cidades. Este casal vai nos ensinar que ao final das alternâncias entre tristeza e felicidade o amor sobrevive, se realmente for amor, sendo necessário somente dar-se um pouco de distanciamento em alguns momentos de crise e aproveitar este momento para o crescimento. Um filme que vai direto ao assunto, sem enrolação e com lindos focos de câmera."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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03 setembro 2011

1001 Filmes: Adeus, Meninos (Au Revoir Les Enfants)

DIREÇÃO: Louis Malle;
ANO: 1987;
GÊNEROS: Drama;
NACIONALIDADE: França e Alemanha Ocidental;
IDIOMA: Francês;
ROTEIRO: Louis Malle;
BASEADO EM: vivência de Louis Malle;
PRINCIPAIS ATORES: Gaspard Manesse (Julien Quentin); Raphael Fejtö (Jean Bonnet ou Jean Kippelstein); Francine Racette (Madame Quentin); Stanislas Carré de Malberg (François Quentin) como Stanislas Carré De Malberg; Philippe Morier-Genoud (Padre Jean); François Berléand (Padre Michel); François Négret (Joseph); Peter Fitz (Muller); Pascal Rivet (Boulanger); Benoît Henriet (Ciron); Richard Leboeuf (Sagard); Xavier Legrand (Babinot); Arnaud Henriet (Negus); Jean-Sébastien Chauvin (Laviron) e Luc Etienne (Moreau) como Luc Étienne.





SINOPSE: "França, inverno de 1944. Julien Quentin (Gaspard Manesse) é um garoto de 12 anos que frequenta o colégio Sr. Jean-de-la-Croix, que enfrenta grandes dificuldades devido a 2º Guerra Mundial. Lá ele se torna o melhor amigo de Jean Bonnett (Raphael Fejto), um introvertido colega de classe que Julien posteriormente descobre ser judeu. A tragédia chega à escola quando a Gestapo invade o local, prendendo Jean, outros dois alunos e ainda o padre responsável pelo colégio." (Filmes De Cinema).



"Três pontos que tornam o filme único, um clichê que parece óbvio mas não é, pois nem todo filme soa para mim como único, mas esse é: abordar o nazismo, ser autobiogafico e falar sobre amizade. Ao ler os três itens que elenquei para diferenciá-lo, poderá parecer um exagero meu querer destacá-lo por esses motivos ou simplesmente ser uma análise superficial sobre o filme, o que pode ser também. O filme aborda a questão do nazismo como se ignorasse o que acontecia fora do internato, tentando passar aos alunos que lá estavam, que aquilo não era aquilo, que o acontecia não era importante, tanto não era que não fazia parte do dia-a-dia deles. Porém ele estava lá, no auge da sua verdade, invadindo e mutilando a todos que não seguissem suas ordens, e infelizmente, não poupou a escola, que tem por convicção ensinar algo totalmente ao contrário da realidade em que estavam inseridos. E retratar isso, da forma que seja, com o peso ou a leveza que for, é sempre importante para realçar naqueles que acreditam que foi o maior erro e egoísmo que a humanidade vivenciou, como para tentar colocar naquelas poucas cabeças que acham que nada disso aconteceu e se aconteceu, foi merecido. Papel perfeito, desenvolvido de forma sutil quando preciso e de forma clara e aberta quando não esperamos. Talvez essa abordagem seja possível apenas por que seu personagem principal, um garoto, viria a se tornar o diretor deste filme que comentamos. Talvez o filme seja tão verdadeiro e profundamente emocional por ter sido ele o menino que teve as alegrias e as marcas que jamais foram esquecidas, ao ter uma amizade proibida com outro garoto, simplesmente por ter sido cultivada no local e momento errados. Pegando esses três ingredientes e misturando dentro da cabeça talentosa Louis Malle consegue-se produzir essa obra-prima tendo unicamente como ingredientes apenas amizade, nazismo e lembranças. Mais um filme que me embuti a vontade de continuar a saga dos 1001 Filmes, pois surpresas como essas jamais esquecerei."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Um diretor que fará falta na sétima arte este Louis Malle, cineasta que trabalhou durante toda vida com temas polêmicos como pedofilia, incesto e suicídio, recusando padronizar-se em uma escola específica, criando um estilo que usava de todo conhecimento que tinha sobre o cinema e a arte de contar histórias. Este filme de que falamos aqui fez parte de uma série na qual quis fazer crítica à colaboração francesa no nazismo, tema que causou grande constrangimento à nação francesa e, talvez por este motivo, ocasionando sua ida para os EUA e se tornando um dos únicos diretores franceses bem sucedidos em terras americanas. Louis Malle, em certa época, planejou fazer um filme na Amazônia, mas o projeto não vingou, assim como tantos outros que tinha em sua mente, mas que a morte precoce pelo câncer não o deixou concluir. Este filme é cheio de pitacos críticos em várias instituições, além do tema nacional francês que já citei, sendo que encontramos um padre que fica incomodado ao ver um menino nu, cutucando a Igreja, assim como críticas à vida burguesa e à família. Desvendando o mundo de Malle, encontramos um padre com humanidade suprema, capaz de arriscar a própria cabeça para salvar crianças de um regime que seu país praticava, mas que ele discordava, mostrando o medo e a importância para uma nação de ser embasada em democracia e liberdade de pensamento e expressão. Vemos também uma linda homenagem à Chaplin, na longa cena em que os alunos da escola assistem a um filme mudo. Um filme para se aprender história e se entreter, sofrer e amar junto ao mesmo tempo. Juntando um elenco jovem, além do ator que interpreta o padre, todos muito talentosos, mostrando tudo o que tem que mostrar em gestos e olhares que dizem mais que milhões de palavras, produzindo cenas que poderiam ser inseridas no ranking dos 'melhores momentos de filmes de todos os tempos'. No mais, um filme contido, com um clima pesado e triste que retrata uma triste época."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





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