08 março 2011

1001 Filmes: 1900 (Novecento)

ANO: 1976;
GÊNEROS: Drama e Político;
NACIONALIDADE: Alemanha Ocidental, França e Itália;
IDIOMA: Italiano;
ROTEIRO: Franco Arcalli, Bernardo Bertolucci e Giuseppe Bertolucci;
BASEADO EM: ideia de Bernardo Bertolucci;
PRINCIPAIS ATORES: Robert De Niro (Alfredo Berlinghieri); Gérard Depardieu (Olmo Dalcò); Dominique Sanda (Ada Fiastri Paulhan); Donald Sutherland (Attila Mellanchini); Laura Betti (Regina); Paolo Pavesi (Alfredo criança); Roberto Maccanti (Olmo criança); Werner Bruhns (Ottavio Berlinghieri); Sterling Hayden (Leo Dalcò); Burt Lancaster (Alfredo Berlinghieri avô); Romolo Valli (Giovanni Berlinghieri).




SINOPSE: "O filme faz uma retrospectiva histórica da Itália desde o início do século XX até o fim da Segunda Guerra Mundial, focando as vidas de duas pessoas: Olmo o filho bastardo de camponeses, e Alfredo o herdeiro de uma rica família de latifundiários. Apesar da amizade desde a infância, a origem social fala mais alto e os coloca em pólos política e ideologicamente antagônicos. O pano de fundo é o intenso cenário político da época, com o fortalecimento do fascismo e, em oposição, as lutas trabalhistas ligadas ao socialismo." (Tele Filme Online).



"O primeiro segundo do filme nos traz a melhor cena de natureza até então vista por mim no cinema. A paisagem da região de Emília, ao Norte da Itália é leve, deslumbrante e de tão perfeita é extenuante, chegando a nos fazer ver a imperfeição impressionista de Claude Monet em nossa frente. Outra analogia que faço, e que percebi logo nos primeiros minutos do filme, é quão próximo '1900' é de '120 Dias De Sodoma', não apenas sendo um filme da mesma época, no mesmo contexto político e na mesma linha geográfica, mas principalmente, pelas paisagens, culturas, etc. apresentadas. Mais adiante, parece que '120 Dias De Sodoma' poderia ter acontecido dentro de um dos palacetes vizinhos ao lar dos Berlinghieri, e por ventura, a participação de membros dessa família nas insanidades retratadas. Mas o filme não se resume a isso, muito pelo contrário, fala da amizade, que mesmo num período conturbado da história humana, ou européia, consegue se sobrepor as faltas de inteligências de atos da época, mesmo que em alguns momentos nos faça pensar que ruiram diante das ambições e mesquinhez humana, mas que na verdade nos mostra a luta da razão pela emoção, onde o afeto, o carinho e o companheirismo imperam. O filme termina retratando bem o presente e o futuro dos ideais socialistas e fascistas. Enquanto a juventude (aqui representada por Leonida) observa atentamente a luta entre o fascismo (representado por Alfredo) e o socialismo (representado por Olmo), as duas doutrinas se degladiam até envelhecerem, enquanto o fascismo se suicida pelo seu excesso de auto-confiança, o socialismo morre de cansaço. Apesar das longas 5 horas, o final parece chegar antes do tempo, nos fazendo imaginar que nossa ideia de tempo esteja um tanto quanto deturpada, pois o filme não cansa, mesmo não lançando mão de artefatos cinematográficos para nos prender a atenção, como grandes batalhas, rostos bonitos, enredo impressionante e impossível, etc. simplesmente retrata a vida de uma vila italiana como era no começo do século passado, e por ficar apenas nessa retratação, consegue ser completa, leve, simples e rica em cada segundo, talvez por isso seu tempo não represente de fato mais de 5 horas."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Jonathan Pereira





"Bernardo Bertolucci produziu este filme com fundo político, mas envolto pela aura de amizade entre Alfredo Berlinghieri e Olmo Dalcó, o que dá margem a desenvolver esta relação em meu comentário. É um grande filme para se entender a história italiana através da vivência dos menos favorecidos pelo regime dominante e chama seus personagens a assumirem determinados papéis, questionando quem se é e de que lado se está na guerra. Desse modo, Olmo é o valente, forte e corajoso, aquele que se coloca deitado no trilho esperando o trem passar, enquanto Alfredo não possui tanta coragem assim e foge destes momentos de perigo. O significante que marca Alfredo para se defender desta posição inferior é muito bem encarnado por ele, o patrão, em contraposição ao socialista, mesmo que aberto às ideias desta filosofia. Ora, para ser socialista tem que se ter coragem: para ir contra o que está pré-estabelecido tem que se ter coragem. E Alfredo herda do pai o título de patrão, o cetro real, o trono de onde deve ter pulso firme para comandar, não necessitando de coragem, já que a linhagem familiar determinou seu lugar e, mais do que isso, o lugar de seu desejo. No decorrer do filme percebe-se que os amigos dividem muito de si um com o outro, apesar das diferenças ideológicas, chegando a partilhar a mesma mulher em uma ocasião. Olmo ensina a Alfredo um pouco do submundo e Alfredo aprende a ser um pouco mais humano no decorrer do caminho. Este caminho de humanização é que leva a história para o desfecho de desapropriação de seu título de patrão e à decisão de se deixar Alfredo vivo. Interessante notar como após a declarada morte do patrão em seu status simbólico, o mesmo fica sem saber direito quem se é e, após expressão de luto, refugia-se na fantasia, no chiste e declara ao amigo que o patrão está vivo. Ele se vangloria sobre seu amigo e, ao mesmo tempo, sela através da brincadeira infantil que desenvolvem na cena que não há mais este título entre eles, podendo agora ser amigos do mesmo nível, envelhecendo juntos como crianças. E quem vai até o trilho esperar pelo trem agora é Alfredo."

(1: Ruim; 2: Regular; 3: Bom; 4: Ótimo; 5: Excelente)
Kleber Godoy





Para entender o que são os 1001 Filmes, acesse a página explicativa.

Para entender a dinâmica do 'O Teatro Da Vida' visite a página sobre o blog.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...