03 setembro 2007

Arte protegida, arte sem fronteiras

Por Kleber Godoy

Uma sensação que por vezes me toma é que no mundo globalizado não há muito espaço para a arte se impor, ser protegida e valorizada como deve. Não sei se é somente uma falsa sensação, engano sórdido de meus sentidos, mas algumas notícias desta semana me deixam um pouco mais tranqüilo quanto a este fato. São informações animadoras no que tange à proteção e proliferação artística que, de certa forma, muda meus pensamentos para a direção que diz: a arte não tem fronteiras, nem do tempo nem do espaço.

A primeira notícia com que me deparei, veio do site da Folha Online, com o título "Arte abstrata na América Latina ganha mostra em Nova York". O artigo fala de uma galeria da Universidade de Nova York que abre uma exposição de nome "A Geometria da esperança: arte abstrata na América Latina" que vai expor 130 obras de setembro a dezembro. Estas obras latino-americanas não são muito conhecidas no continente e estarão sendo representadas. Então me deparo com os nomes dos artistas e eu que estou mais próximo deles, mal os conheço. Seria falta de divulgação artística por nossa porção do continente?

Segundo o autor da matéria, "a exposição registra cidades e períodos chave para o desenvolvimento da arte abstrata na América Latina: São Paulo e Rio de Janeiro nos anos 50 e 60, Montevidéu nos anos 30, Buenos Aires nos anos 40 e Caracas nos anos 60 e 70 e até a Paris dos anos 60."

Ele ainda destaca que "a inclusão de Paris, como cidade "latino-americana", busca destacar a natureza cosmopolita e internacional que a corrente abstrata teve na região". O que eu achei muito interessante.

De qualquer forma, tudo é ligado a dinheiro. E não sei se dinheiro diz muito sobre arte por arte. É que o dado que temos diz respeito e um recorde de vendas no início deste ano por parte destes artistas, por isso da representatividade. Mas de qualquer forma, o simpósio com especialistas, concertos e a conferência sobre os artistas latino-americanos em Paris durante a Guerra Fria mostra que será um evento de arte simplesmente efervescente. Isso é muito animador.

A segunda matéria de que gostei muito de ler foi na parte de Arte e Cultura do Uol, com o título "Suécia investirá 2 milhões de euros para a manutenção das obras de Bergman". O cineasta falecido neste ano terá a manutenção de sua arte e isto custará caro, reconhecendo que a arte deste nobre ser não tem preço. E a homenagem é igualmente comovente, sendo que haverá a criação de um festival internacional de teatro e a realização de cópias digitais dos filmes do cineasta.

Na matéria: "É importante se assegurar que a herança artística de Bergman seja administrada e possa ser uma fonte de inspiração para o mundo do cinema e do teatro do futuro", disse o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, e a ministra de Cultura, Lena Adelsohn Liljeroth, em um comunicado publicado nesta segunda-feira pelo jornal "Dagens Nyheter".
Vemos então a arte contemporânea indo além dos seus limites regionais em um ponto do mundo e a memória da arte assegurada em outro. Simplesmente reconfortante para admiradores e criadores.

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"Uma vida completa pode acabar numa identificação tão absoluta com o não-eu que não haverá mais um eu para morrer". Clarice Lispector
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